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Por uma responsabilidade individual de protecção mais inclusiva

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Por uma responsabilidade individual de protecção mais inclusiva

Ideias

2020-09-20 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Nestes últimos meses abateu-se sobre nós uma imprevista pandemia global, que condicionou radicalmente as nossas vidas, de que estamos ainda longe de conhecer a sua verdadeira magnitude. A nossa vida mudou radicalmente. Os idosos foram, do ponto de vista geracional, as maiores vítimas, mas os jovens são, neste momento, os mais atingidos pelas consequências nas mais variadas dimensões. Uma situação, que os tem relegado para uma situação de incerteza em relação à construção de um projeto de vida, ao nível pessoal, social e profissional. Sendo esta, a marca mais profunda e preocupante das nossas comunidades.

A perda de rumo e de controlo em que as sociedades estão a cair, os jovens nas suas mais diversas condições sociais, denominados de “geração COVID”, estão a merecer uma atenção muito particular. Os Jovens que estão no sistema educativo estudam e que estão à procura de emprego, e os jovens que permanecem muito tempo numa situação laboral precária. Sendo os jovens adultos, abaixo dos 35 anos, os que enfrentam a situação de maior vulnerabilidade, pelo facto de numa década verem as suas aspirações de vida, confrontadas com mais uma grave crise económica agravada com as consequências imprevisíveis desta pandemia.
São na sua maioria detentores de uma alta qualificação escolar, estão a ser remetidos para uma experiência interminável de trabalho precário ou de atividades informais, com o sonho de realização de autonomia pessoal, de lançar raízes familiares e de ter filhos, indefinidamente adiado. Não podemos esquecer ainda, a imensidão de pessoas a quem a pandemia impôs o pesadelo do desemprego, da destruição das suas condições de vida e do empobrecimento radical, que os empurraram para situações de fome e sem abrigo.

Uma realidade que configura os contornos de uma nova ordem social, que teve início numa crise sanitária e que culminou num confinamento que paralisou o país, a Europa e o planeta. Transformando-se numa crise de geometria variável e de amplo espetro, de uma incomensurável quantidade de problemas sem solução, que atingiu todos os domínios da nossa vida em sociedade e que precisa de definir um caminho mais adequado. Uma dinâmica, que está a provocar uma mudança radical nos nossos comportamentos sociais, sem percebemos a sua orientação, por sermos confrontados todos os dias com uma, surpreendente, evolução de acontecimentos novos.
Adivinha-se uma mudança na raiz da nossa civilização e no curso da nossa história. Com a certeza que, definitivamente, não vamos regressar ao ponto em que estávamos, quando esta tempestade rebentou. Sendo nesta perspetiva, a tarefa de cuidar da vida a sua missão mais grandiosa, mais humilde, mais criativa e mais atual, das nossas comunidades. Uma civilização que revitalizando a dimensão humanista da história, coloca a pessoa humana no centro de todas as preocupações, sem descurar a investigação científica, a inovação tecnológica, a reestruturação da economia e a reformatação das políticas públicas.

A resistência a um novo confinamento é uma dinâmica de cidadania, que pressupõe protagonismo e a participação, que diz respeito a todos. Num projeto que está em construção, e que não se conforma com os limites da linguagem, das ideias, dos modelos e do próprio tempo. Esta, tem que ser, uma oportunidade para redescobrir o presente e reinventar o futuro. Refletir sobre a situação de todas as gerações e de todas as condições sociais, reduzindo as perdas e prevenindo o seu agravamento, com base na responsabilidade individual. Restituindo a dignidade à vida de todos, temos que olhar para todas as gerações com o mesmo grau de preocupação.
Esta tem de ser uma hora de solidariedade social, intergeracional e comunitária. No momento em que estamos em contingência, para prevenirmos e enfrentamos uma nova vaga da pandemia, temos que responder de forma determinada. Uma resposta com base na nossa responsabilidade individual de proteção, numa visão mais inclusiva que deverá contar, cada vez mais, com o contributo ativo de todas as gerações, porque “a vida é um valor sem variações, num verdadeiro pacto de solidariedade intergeracional”, tal como afirmou o Cardeal Tolentino de Mendonça. A pandemia está a alargar o seu espetro de disseminação, num contexto de recursos cada vez mais escassos, anun- ciando uma crise de contornos imprevisíveis. Não podemos confinar novamente, porque a sociedade e a economia não vão resistir!

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