Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Por uma Política Agrícola Comum que previna as alterações climáticas

Orçamento Participativo de Portugal 2018 envolve bibliotecas públicas

Ideias

2018-02-21 às 06h00

Sofia Colares Alves

Os últimos meses em Portugal têm confirmado teorias que apontam para um agravamento das alterações climáticas. Em pleno mês de novembro, foram vários os concelhos do país a declarar o estado de emergência por falta de água nos seus territórios. Assistimos também ao maior transporte de água por via rodoviária alguma vez feito em Portugal. Para além dos óbvios problemas para as populações, esta situação acarreta também graves consequências para a agricultura.
As condições climatéricas extremas têm impactos na produção de alimentos, que nos chegam à mesa com menor qualidade ou em menor quantidade. Estes efeitos são um desafio para o setor agrícola, que tem de se adaptar e desenvolver técnicas que permitam a sustentabilidade do setor. As produções de alguns tipos de queijo, por exemplo, foram fortemente afetadas graças à quebra da produção do leite necessário na ordem dos 70 %. Também as produções de milho, que em Portugal têm como principal destino a alimentação dos animais, foram fortemente afetadas, o que pode significar graves consequências para a produção de carne nacional.
Continuar a proteger a diversidade do setor agrícola, o crescimento e o emprego nas zonas rurais e, ao mesmo tempo, permitir uma maior flexibilidade aos Estados-Membros na implementação das políticas, são os objetivos principais da Comunicação da Comissão Europeia do passado dia 29 de novembro sobre o Futuro da Alimentação e da Agricultura.
A União Europeia tem vindo a trabalhar de perto com os Estados-membros para identificar os maiores desafios à produção agrícola. Os programas de desenvolvimento rural, desenhados a nível regional, já são elaborados de acordo com necessidades específicas de cada região e adaptados às suas prioridades agrícolas. Mas, no futuro, o financiamento da nova Política Agrícola Comum vai ter também em consideração os objetivos concretos de cada Estado-Membro, com um maior acompanhamento dos progressos alcançados, para que a Política Agrícola Comum seja mais adequada aos objetivos que se pretende alcançar para cada região.
A Comissão Europeia está empenhada em promover um sector agrícola mais inteligente e resiliente e, em simultâneo, continuar a reforçar a proteção ambiental e a luta contra as alterações climáticas. A tecnologia e a inovação têm uma contribuição de peso para este sector, indo desde os robôs que ajudam o dia-a-dia dos agricultores até aos satélites que contribuem para as previsões meteorológicas. A Comissão Europeia está comprometida em apoiar a investigação e, por isso, foi anunciado, no passado dia 27 de outubro, um investimento de mil milhões de euros destinados à pesquisa e inovação na área da agricultura e do desenvolvimento agrícola e rural.
Durante os próximos meses, as propostas apresentadas no âmbito da Comunicação da Comissão sobre o Futuro da Alimentação e da Agricultura vão ser debatidas nos Estados-Membros, no Parlamento Europeu e pelos stakeholders e serão concretizadas em propostas legislativas após aprovação do próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia, cuja proposta da Comissão está prevista para a primavera de 2018.

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