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Por uma Nova Europa

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Por uma Nova Europa

Ideias Políticas

2019-06-18 às 06h00

Pedro Sousa Pedro Sousa

Na passada Sexta-Feira, em La Valleta, Malta, reuniram-se os Chefes de Governo do Chipre, Espanha, França, Grécia, Itália, Malta e Portugal, a fim de discutirem a defesa dos países do sul no contexto do novo ciclo da União Europeia.
Após cinco meses do último encontro no Chipre, os líderes dos países do sul da Europa voltaram a encontrar-se, desta feita em Malta, a fim de alinharem estratégias e procurarem falar a uma só voz na UE. A verdade é que no espaço destes cinco meses o contexto mudou. A ameaça populista, tão preocupante e tão debatida antes das Eleições Europeias, nomeadamente pela sua putativa capacidade para bloquear a UE, não ganhou força, abrindo, pelo contrário, espaço para um debate alargado e intenso sobre quem deve liderar os principais órgãos da UE nos próximos cinco anos.

A cimeira que juntou Chipre, Espanha, França, Grécia, Itália, Malta e Portugal, realizou-se no extraordinário Albergue de Castilla, em La Valletta e prolongou-se por cerca de uma hora e meia. No final da reunião, quando os líderes tomaram a palavra, um grupo de manifestantes, pequenos mas barulhentos, recordou Daphne Caruana, a jornalista assassinada na ilha em 2017 após investigar casos de corrupção política.
Num contexto de afirmação dos Verdes e com as manifestações juvenis pelo clima ainda frescas, os sete concordaram com a necessidade de alcançar a neutralidade climática em 2050 - uma mensagem especialmente promovida pelos Primeiros Ministros espanhol e português, Pedro Sánchez e António Costa - assumindo o compromisso de acabar com os plásticos de uma única utilização e dedicar partes mais substanciais do orçamento europeu para travar a emergência climática. Ademais, os sete apresentaram a ecologia e a sustentabilidade, juntamente com o pilar social europeu e as migrações, como as suas prioridades, não esquecendo, ainda, as questões do salário mínimo comum, maior ambição e solidariedade da zona do euro na hora de partilhar riscos e novas ferramentas e instrumentos para combater o desemprego juvenil. “Temos que redistribuir melhor a riqueza, a disparidade entre as classes mais altas e as classes médias e mais desfavorecidas é inaceitável", disse António Costa, numa mensagem contra a desigualdade.

O grupo dos sete consideram que a UE, nos últimos anos, colocou demasiada ênfase nas políticas de austeridade, tendo negligenciado estas matérias, especialmente o pilar social. Aliás, tal facto ficou muito claro na declaração conjunta dos sete chefes de estado que expressou essa preocupação, tendo sido destacada a chaga do desemprego jovem, com a Espanha e a Grécia especialmente pressionadas pelo facto de apresentarem, neste indicador, as taxas mais altas da União Europeia.

Foi, assim, de forma muito forte que o grupo dos sete, que a Europa mediterrânica, levantou a voz para marcar a agenda do próximo ciclo da UE. Os sete primeiro ministros reclamaram um peso maior das políticas relacionadas com as alterações climáticas, as migrações e o pilar social europeu, na defesa de uma União Europeia que recupere o seu ideal fundador de paz, progresso, solidariedade, desenvolvimento, prosperidade partilhada e social acrescento, com uma visão de inspiração humanista, sentido ecológico e sustentabilidade.

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