Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Por uma nova esperança para o futuro

Viagem a Viena

Ideias

2017-11-26 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Portugal goza, atualmente, de uma imagem muito positiva no panorama internacional. Conseguiu ultrapassar com êxito, uma situação difícil que nos obrigou a enfrentar um processo de intervenção exterior, para podermos conquistar um estatuto de respeitabilidade e confiança ao nível interno e externo. Estatuto a que não são alheios, o prestígio das nossas universidades e dos resultados dos nossos centros de investigação científica e tecnológica, os nossos empreendedores e os projetos de última geração, o sucesso do turismo, a nossa situação económica e os nossos resultados desportivos.
Depois de um período de desconfiança, entramos numa fase de estabilidade política e de um clima de menor tensão social. Algumas organizações internacionais aconselham os investidores, que procuram oportunidades, a apostarem no nosso país, onde a trajetória de crescimento e a retoma económica, são apresentadas pela garantia de termos honrado, escrupulosamente, os nossos compromissos internacionais.
Os resultados económicos são positivos e animadores, até este momento. Decorrem do mérito da atual solução governativa, que marca o contexto da comemoração, do seu segundo aniversário. Foi retomada a trajetória do crescimento, com base no compromisso de consenso em relação ao projeto europeu e ao euro. Uma solução, que foi para além das expetativas iniciais, dos adversários e dos socialistas mais céticos, que tem alimentado uma forte sensação de surpresa. Comportando desde o início alguns riscos, a avaliar pela tensão política, que se tem vindo a acentuar nos últimos tempos.
Resultados e vão no caminho traçado pelo anterior governo, e segue em grande parte o roteiro de investimentos que estavam a ser negociados e planeados. Ao contrário do que, recorrentemente, se tenta fazer crer, a herança não foi tão negativa. Apesar do esforço pesado a que os portugueses foram chamados a enfrentar, com a perda rendimento e o aumento do desemprego. Um processo que pressupõe a sua reposição sustentada e gradual, com base na criação de riqueza.
O investimento está a crescer. Grande parte dele a ser preparado, durante o consulado do governo anterior. O turismo em todo o país com particular incidência nas grandes cidades e de média dimensão, no Douro e no interior mais rural. A Bosch, a Continental, o novo modelo da Autoeuropa e a expansão do Ikea ao Algarve, entre muitos outros que se vão revelando. Uma recuperação que deverá ser concretizada através da reposição de direitos, e o revolvimento de rendimentos, da reorganização dos serviços públicos, da promoção da iniciativa privada e do crescimento do emprego. Vem aí o novo ciclo de fundos comunitários, que se vai iniciar em 2020.
Ainda estão em curso um conjunto de projetos em infraestruturas, aprovados em 2014, longe de estarem terminados. Apesar do esforço meritório do atual governo em relação à aplicação dos fundos comunitários, pese embora as alterações pouco divulgadas, a que o processo tem sido submetido, e que pressupõe deslocalização dos investimentos, em relação ao que estava previsto. Um balanço, que tarda em ser feito de forma sensata.
A candidatura à Agência Europeia do Medicamento (EMA) é um exemplo acabado, da postura algo errática do governo, em relação a esta matéria. Primeiro estava tudo preparado que fosse Lisboa, a cidade escolhida para a sua localização. A cidade do Porto reagiu com firmeza, através das suas instituições mais influentes, que o Município liderou com muita dignidade e de forma superior, entre as quais a Universidade do Porto e a Associação Comercial. Políticos locais, nacionais e europeus, dos mais diversos quadrantes partidários envolveram-se numa causa de consenso, conseguiram afirmar a sua candidatura.
A cidade do Porto afirmou o reconhecimento do seu ecossistema científico e tecnológico, ao conquistar uma boa votação na primeira volta. Apesar de nunca conseguir ultrapassar o estigma de opção de recurso, provocada pela indecisão inicial, não fora a reação das suas forças vivas de referência e o apoio dos cidadãos. Um estatuto que lhe é devido, pelo facto de ser detentora de Escola de Farmácia e de medicina, de centros de investigação e de uma indústria farmacêutica, de prestígio nacional e internacional.
Foi afastada da corrida. Falhando, assim, a passagem à fase seguinte, ao ser a sétima cidade mais votada. Facto que a posicionou entre as cidades favoritas, para acolher uma das maiores agências europeias. Atintingindo níveis de notoriedade, prestígio e reconhecimento, nunca antes alcançados, apesar da sua longa história e know how nesta área. Suplantou Atenas, Bona, Lille, Sófia, Viena, Bruxelas e Helsínquia, Bucareste e Varsóvia e Amesterdão venceu, por sorteio. Milão foi a cidade a reunir mais votos nas duas primeiras voltas, o mérito e a sorte sorriram a esta cidade holandesa.
O prestigio granjeado por este honroso processo, não afastou a cidade do Porto de uma nova trapalhada. Uma polémica que tem vindo a aumentar de tom, com toda a gente a falar ara seu lado, onde o consenso se torna cada vez mais difícil. Desta feita, em torno da deslocalização da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (INFARMED). Uma organização pública que tem como missão de regular e supervisionar os setores dos medicamentos, dispositivos médicos e produtos cosméticos, com jurisdição sobre todo o território nacional, e tem sede no Parque da Saúde, em Lisboa.
Uma decisão, que apesar de virtuosa e lógica, foi mal explicada. Uma atitude reativa a tentar curar uma ferida que está cicatrizada, pelo prestígio granjeado pela cidade do Porto, nesta candidatura internacional. Entre afirmações e desmentidos, vamos assistindo à destruição de uma medida de desconcentração de um serviço público. Apesar de ser assumido como um desígnio nacional, aparece ensombrado por uma medida avulsa e, gratuitamente musculada, de uma decisão com esta dimensão e importância.
Enfim, este é mais um caso, a juntar a outros que se têm vindo a suceder, a uma velocidade cada vez maior, exige sensatez em relação à excelente imagem internacional, à estabilidade política e social. Uma espécie de “navegação à vista”, com que são tomadas decisões estruturantes, que derivam de uma ilusão de que a crise está completamente ultrapassada.
Uma ideia assente na reversão das medidas tomadas pelo governo anterior, através das exigências impostas pelos parceiros da solução governativa. Exigências podem pôr em causa os resultados alcançados, com consequências que se vão evidenciar no desempenho da economia, que merecem a ponderação de uma nova esperança, para o futuro do país.

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