Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Por uma cidadania intercultural...

Cisnes negros

Escreve quem sabe

2014-11-16 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Braga recebeu a 31.ª sessão de seleção nacional do Parlamento Europeu dos Jovens (PEJ), uma das maiores plataformas de debate intercultural europeias, com o objetivo de eleger os sete alunos das dez escolas secundárias participantes, para representar Portugal na 78.ª sessão internacional do PEJ internacional, em Izmir, na Turquia.
Em contexto de educação não formal, os participantes de 12 países desenvolverem aptidões transversais, através da promoção da cidadania ativa e dos princípios como a tolerância, compreensão, espírito crítico e o respeito pela diversidade cultural. Uma iniciativa viva, de grande qualidade participativa e profundidade cívica. Acolhido no ecossistema empreendedor, em que a “Braga, cidade da juventude” se tem afirmado, como uma cidade amiga da mobilidade juvenil, com um pendor cosmopolita e intercultural cada vez mais forte.
Dinamismo promotor de uma cidadania intercultural, que as novas gerações estão a construir ao serviço de uma Europa mais coesa, refundada e com futuro. Baseada no conhecimento, no desenvolvimento sustentável e no crescimento inteligente, onde os jovens querem ter uma palavra em relação ao seu futuro.
Entretanto, apesar deste momento de excelência, fomos surpreendidos por uma polémica, que noticiava a proibição de falar português imposta a crianças e jovens portuguesas que frequentam as escolas no Luxemburgo, que acompanhamos com apreensão, e que provocou um pedido de explicações da Secretaria de Estado das Comunidades ao Governo deste estado membro da União Europeia.
Uma notícia a que se foram acrescentando alguns pormenores, que potenciaram a indignação coletiva, agravada pelo conhecimento e pela confirmação, de uma percentagem significativa dos lusodescendentes não chegam à universidade. Ficam-se pelo ensino técnico e muitos acabam em turmas secundárias. Problema que se estende a outros países onde temos comunidades portuguesas. Uma situação intolerável e inadmissível, independentemente da sua dimensão.
Como se esta bizarria não bastasse. Mais uma nuvem negra, foi lançada sobre o esforço da construção de uma cidadania empreendedora e intercultural, em que Europa está a investir empenhadamente. A senhora Chanceler Merkel, a propósito de um recado para o interior da Alemanha, sobre as políticas de educação, afirmando que Portugal e a Espanha deveriam têm licenciados a mais e que os países ibéricos, deveriam mudar de políticas. Se calhar não teve tempo de dizer que, este anátema é extensivo a todos países do sul, mais periféricos. Uma gaffe intolerável e inoportuna.
Apesar de termos apenas 17,6 % de licenciados, par uma média europeia de 25,3 %, registamos o esforço que tem sido investido na convergência. Este argumento de redução de licenciados da Chanceler, não é racional e contradiz a matriz da sociedade do conhecimento.
A nossa periferia geográfica em relação ao centro da Europa, não pode ceder a qualquer tentativa de nos transformarem em cidadãos periféricos em relação á formação superior. Devemos continuar a apostar na formação profissional, como opção estratégica. e não por imposição.
Continuar a fazer o caminho que traçamos, sem paternalismos. Devemos cerrar fileiras em torno da qualificação profissional ao mais alto nível, apostando em todos os níveis de qualificação, de forma integrada. Não podemos defraudar as novas gerações. Gerações que estão a fazer, a este nível, o seu trabalho em todo o país, nos centros urbanos, nas comunidades rurais, dentro das escolas profissionais, nos institutos politécnicos e nas universidades.
À imagem do que se passou na 31.ª sessão de seleção nacional do Parlamento Europeu dos Jovens, e em muitos outros contextos, estão a fazer uma autêntica “revolução silenciosa”, como parceiros de corpo inteiro no desenvolvimento de um “ecossistema”, de mais trabalho em rede e menos dependência e hierarquia, dentro e fora do sistema educativo, pela construção de uma cidadania intercultural sem constrangimentos.
Um apelo que mereceu uma resposta positiva dos responsáveis políticos da cidade, da administração regional e do Parlamento Europeu.

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