Correio do Minho

Braga,

Por um Mundo Livre e Tolerante

Escrever e falar bem Português: Um item complicado

Ideias Políticas

2015-01-13 às 06h00

Pedro Sousa

A semana que passou foi uma das semanas mais negras ao longo das últimas décadas na Europa. Paris, o coração da Europa, acordou para uma manhã sangrenta. A redacção da revista satírica Charlie Hebdo sofreu um vil e bárbaro atentado. Doze pessoas morreram, entre as quais dois polícias, o Director do Charlie e quatro dos melhores cartoonista da actualidade. Homens e mulheres que viviam para o humor e para a sátira e que nunca deveriam morrer por esses motivos. O humor não deveria ser nunca um acto de coragem que coloque em causa a integridade física de quem a pratica.

Todos, todos devem ser livres de produzir a sua opinião, de utilizar, neste caso o cartoon, como meio de transmissão da liberdade de expressão. É precisamente aqui que está a gravidade e a magnitude deste acto. Naturalmente, que um atentado em que doze pessoas são executadas, em plena luz do dia, numa capital do mundo livre é um acontecimento grotesco, contudo o atentado ao Charlie, constituiu um dos mais graves golpes ao Estado de Direito, à liberdade, à liberdade de expressão e aos pilares mais basilares das civilizações modernas. Uma tentativa de silenciar um meio de comunicação, seja ele qual for, representa um retrocesso inaceitável naquilo que é o modelo de sociedade que nós, cidadãos livres, informados e tolerantes, queremos.

Era fundamental que o mundo parasse no dia a seguir para pensar e reflectir naquilo que seria o nosso modus operandi após 7 de Janeiro. Não teve oportunidade. Enquanto Paris limpava as manchas do sangue derramado em nome da liberdade de expressão, mais um atentado. Desta feita a um supermercado judaico, ao mesmo tempo em que os irmãos Kouachi barricados dentro de um armazém ameaçavam a vida de pessoas inocentes. A força das armas e das tácticas militares prevaleceu. A França uniu-se. A Europa uniu-se. O Mundo juntou a mãos em prol da liberdade, contra o terrorismo, contra o fundamentalismo em nome de deuses, em nome de crenças.

A França respondeu na esteira da sua centenária tradição de liberdade e tolerância e, em Paris, juntou mais de um milhão e meio de pessoas, mobilizou líderes de todo o mundo para, em silêncio, gritar contra o Terror, contra a opressão e contra o fundamentalismo.

Mais de quarenta chefes de estado e outros tantos representantes de diversos países do mundo, acederam ao repto de François Hollande e participaram da marcha mais histórica deste século. Lado a lado, inter pares, dezenas de líderes caminharam juntos sob a mesma égide. Foram dezenas, entre os quais, alguns que proporcionaram encontros improváveis como Mahmoud Abbas e Benjamin Netanyahu. Mas também o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia caminharam, lado a lado, com o presidente Peroschenko da Ucrânia.

O mundo, por umas horas, esqueceu muitos dos problemas que nos últimos meses constituíram conflitos armados, militares e diplomáticos. O mundo está contra o terrorismo. Os cristãos, os judeus e os muçulmanos disseram, em uníssono, que estão contra o terrorismo, que são pela tolerância, pela liberdade e que a esta bárbarie, ao terrorismo, que tem ceifado milhares de vidas em todo o mundo opomos e oporemos sempre a nossa esperança de num mundo pintado a liberdade, a respeito e a tolerância. Hoje e sempre.

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