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Política - Políticos

Os passos seguros de Pedro Nuno Santos

Política - Políticos

Escreve quem sabe

2023-03-21 às 06h00

Vítor Esperança Vítor Esperança

A Política parece hoje ser sinónimo de um modo de vida em covil. Não é possível ter uma conversa sobre acontecimentos e problemas da vida social do país, ou do mundo, sem que alguém remate imediatamente com desmandos e feridas feitas pelos políticos. Qualquer problema abordado nos média, sobretudo na TV, é transformado em fel que alimenta as redes sociais.
A Política parece que existe para nossa desgraça. As Instituições públicas são olhadas como organizações parasitas e ineficientes que só consomem dinheiro. A política tornou-se algo de peçonhento que só atrai quem visa obter algum proveito fácil e não consegue fazer mais nada na vida. Triste e perigosa, esta forma de olhar para a Política.
A Política não é isto. A Política corresponde à nobre responsabilidade de cuidar do bem comum, seguindo princípios aceites e seguidos pela maioria dos cidadãos com base na Lei em vigor, nos costumes e na cultura. Uma responsabilidade que cabe, ou deveria caber, a uma elite de gente que honra o princípio do bem servir. A Democracia mandata os governantes na exigente tarefa de gerir os diferentes interesses de cidadãos segundo regras aplicáveis a todos. Existem, todavia, outros formatos de exercício do poder, como as oligarquias, as autocracias, ditaduras militares e de partido único, e ainda outros assumidos pela força numa governação casuística e circunstancial, que não permitem grandes críticas ao modo do seu funcionamento nem dos seus executores. Em Democracia o direito de governar é delegado pelos cidadãos – por eleição e provisoriamente - a alguns dos seus membros. Estes cidadãos estão normalmente associadas a Partidos Políticos ou a movimentos políticos, que se diferenciam nos princípios políticos que orientam as suas propostas de atuação. Apesar de ser fundamental a credibilidade dos seus líderes, as escolhas dos cidadãos nas eleições levam em conta a base da identidade política dos Partidos e capacidade de alguns dos seus Políticos que se apresentam a sufrágio.
O exercício do poder em Democracia não se esgota no Parlamento e Governo. Existem muitas outras formas complementares de intervenção, segundo a estrutura de organização político-administrativa do País, assim como o atribuído às entidades fiscalizadoras independentes que condicionam a liberdade de atuação dos múltiplos atores políticos e os Tribunais.
Apesar disto sabido, parece, quem acompanha as notícias, que os tais políticos gerem tudo e todos, segundo a sua vontade, sob os interesses obscuros de bastidores e dos seus partidos políticos. Que a Política serve apenas para atender a grupos de interesse, e que os políticos é gente de má qualidade, ambiciosa e sem ética. É um grande erro pensar que tudo e todos são iguais. Na verdade, existem muitos políticos de grande capacidade e qualidade, gente honesta, honrada e com ética, que trabalha árdua e diariamente com o sentido do dever num serviço público de excelência.
Então porque existe tanta crítica e tanto mal dizer?
Não há bom Estado sem boa governação. Não há bom Governo sem bons gestores políticos. A qualidade dos cidadãos que desempenham funções de liderança na gestão das diferentes entidades do Estado fazem a diferença entre o sucesso ou insucesso no desenvolvimento de um País. A ausência de lideranças preparadas e reconhecidas tecnicamente leva à negligência e ao erro. O mau escortino da sua idoneidade pessoal pode dar origem a abusos. É comum agora ouvir dizer que já não há qualidade nos políticos. Começa a pairar nas conversas que quem ascende ao poder não são os preferidos dos eleitores, mas uma casta muito reduzida de rostos que os Partidos decidem propor. Que os eleitos se afastaram demasiado dos seus eleitores, trabalhando em função dos seus Partidos, segundo interesses internos, em vez de se focarem nos interesses dos eleitores e dos cidadãos em geral.
Há de facto alguma verdade neste sentir coletivo. A forma de fazer Política parece envelhecida e corroída por modos de atuação dos partidos políticos.
Se acreditamos em nós como Democracia, teremos que recuperar o orgulho na escolha de quem nos representa. Para isso é fundamental que estes cidadãos de elite sejam bem escolhidos. Este é o problema que mina os Partidos Políticos e a Democracia. Os Partidos Políticos (sem exceção) entraram num processo de autodestruição com a redução dos seus militantes a castas de seguidores apolíticos que se comportam segundo a orientação das suas chefias, num seguidismo infelizmente confundido com lealdade. A militância e a discussão política afastaram-se dos Partidos Políticos, cada vez mais controlados por poucos, transformando-os numa tribo que se une por vontade de aceder aos lugares que o direito de governar obrigatoriamente tem que assumir nas suas diferentes organizações administrativas.
Não se discute Politica, mas apenas os atos de governação. A Politica faz-se à volta do Orçamento entre formas de arrecadação das suas receitas e propostas de gasto daquela coleta. Não há definições de objetivos a médio e longo prazo, nem se conhecem estratégias de atuação que visem o alcance daqueles objetivos. Não há uma visão para o País. A atuação política encontra-se enredada no curto prazo, onde o que se diz hoje é alterado amanhã.
Este modelo tradicional de organização política está velho e permeável, gerando descontentamento generalizado e descrédito nos eleitos. O protesto aumenta, e o ruído político sobrepõem-se à Política. Os extremos políticos ganham força e tenderão a aumentar.
Se os Partidos Políticos que tradicionalmente representam a larga maioria do pensar de um povo não se modernizarem, vencerão aqueles que mais barafustarem, pondo justamente em causa a própria Democracia. Os Partidos Políticos têm que pensar o futuro renovando os seus modelos de organização, sobretudo na forma com acolhem a cidadania e nos seus diferentes interesses. Quem se deve propor para representar os Partidos Políticos nos atos eleitorais devem ser os melhores (nos diferentes assuntos) e não apenas os de confiança, os tais militantes próximos e familiares. Não se nasce Político, nem a Política pode ser uma forma de vida, mas sim um privilegiado dever de servir os cidadãos que, deve orgulhar quem o exerce e merece ser respeitado e reconhecido por quem deles beneficia.

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