Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Poder Local em Braga

O que nos distingue

Ideias

2016-12-06 às 06h00

Jorge Cruz

Comemora-se na próxima segunda-feira, 12 de Dezembro, os 40 anos das primeiras eleições livres para as autarquias locais, eleições de enorme relevância para o futuro do nosso país uma vez que representaram o início do Poder Local Democrático em Portugal.
Foi, de facto, a partir daquele acto eleitoral dos finais de 1976 que o desenvolvimento harmonioso do território começou a tornar-se uma agradável e indiscutível realidade.

Foi através da acção abnegada de um largo conjunto de homens e mulheres que as populações começaram a sentir os efeitos de uma governação de proximidade. Numa primeira etapa, com os autarcas que a democracia gerou a tentarem atender às solicitações mais aflitivas, aquelas que, na realidade, careciam de urgência na intervenção.

Depois, numa fase posterior, encetou-se o complexo processo de planeamento que, embora paulatinamente, transformou por completo o território e conduziu ao estádio de desenvolvimento que hoje se constata na esmagadora maioria das nossas cidades, vilas e aldeias. Hoje, quatro décadas após as primeiras eleições autárquicas, fazer a comparação entre o que então (não) existia e a realidade actual constituiria um exercício pouco aliciante, qualquer que fosse o foco do cotejo - económico, cultural, desportivo, associativo ou outro.

No caso concreto de Braga, pode dizer-se que em 1976 estava quase tudo por fazer, era aquilo que popularmente se denomina uma pobreza franciscana, que principiava nos serviços básicos, circunscri- tos a um universo populacional extremamente diminuto, e parecia não ter fim. Foi o Poder Local democrático que desenvolveu as redes de água ao domicílio e de saneamento básico. Mas também as condições de acesso mais fácil à habitação, à cultura, ao ensino e ao desporto e lazer. Ou seja, os bracarenses devem ao Poder Local democrático o facto de a sua cidade ser hoje consensualmente reconhecida como atractiva, como uma cidade onde é bom viver, uma cidade que oferece todas as ferramentas necessárias a uma vivência saudável e feliz, em suma, uma cidade de e para as pessoas.

E a verdade é que a cidade cresceu, nem sempre da melhor forma, é certo, mas garantidamente com um desenvolvimento e uma capacidade de atracção notáveis e que contribuíram para a alcandorar a um lugar no pódio das mais importantes urbes portuguesas. Aliás, quem hoje percorre as principais artérias facilmente constata que o cosmopolitismo e a modernida- de caminham de mãos dadas, numa cidade plena de movimento, uma cidade com as ruas cheias de gente.

Existem, portanto, amplos motivos para os bracarenses assinalarem condignamente os 40 anos das primeiras eleições livres para as autarquias, aquelas que verdadeiramente marcaram o início do Poder Local democrático e consequente princípio do processo de desenvolvimento.
Todavia, a nível municipal não se conhece qualquer programa, qualquer intenção, qualquer vontade de celebrar uma efeméride que, queiram ou não, constituirá sempre uma data marcante na história do municipalismo.

Percebo que em Braga, e por motivos óbvios, Poder Local e Mesquita Machado se possam confundir mas Ricardo Rio, enquanto responsável municipal, tem a estrita obrigação de fazer a separação que se impõe. Infelizmente, porém, o alheamento do município relativamente a uma data que deveria merecer grande destaque parece demonstrar não ter sido esse o caminho escolhido pelo actual executivo. A ser assim é mau, muito mau, porque a continuada obsessão mesquinha de Ricardo Rio relativamente ao seu antecessor acabará por lhe acarretar consequências, nos planos pessoal e político.

Acredito que alguns, poucos, dos que gravitam à sua volta em constante postura bajulatória possam exultar com determinadas atitudes rancorosas e de despeito, algumas quase a roçar a arrogância. Admito que certas provocações, certas afrontas, correspondam a atitudes disparatadas planeadas e propostas por determinados elementos do seu séquito pessoal e político. Mas, atenção, este grupelho representa-se apenas a si próprio já que a sua eventual relevância lhe advém apenas da momentânea proximidade ao poder.

Mas de regresso ao tema central desta crónica, é minha convicção, para concluir, que neste caso a sanha persecutória de Ricardo Rio nem sequer lhe permite aperceber-se que a postura de ignorar tão relevante data apenas o penaliza a si próprio. E penaliza porque com esta atitude o edil demonstra, uma vez mais, dificuldade em conviver com as regras da democracia, além de dar claros sinais de não estar identificado com os princípios do Poder Local democrático.

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