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Ideias

2014-12-19 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Criado em Janeiro de 2014, o novo partido político espanhol visa, em termos gerais, converter a indignação em mudança política. Em Julho do mesmo ano, PODEMOS obtém quase 8% dos votos nas eleições para o Parlamento Europeu; e no último mês aparece nas sondagens à frente do PSOE e do PP, ameaçando ganhar as eleições gerais em Espanha.

Porquê este sucesso?
Em primeiro lugar, porque se apresenta como alternativa ao sistema partidário tradicional. Embora alguns façam recuar a existência dos partidos políticos à democracia ateniense e à república romana, na verdade nasceu nos começos do século XIX em Inglaterra com os Whigs (liberais) e os Tories (conservadores) . Nos finais do século XIX, enquanto os partidos liberais cedem a cena política aos partidos trabalhistas, socia listas e sociais-democratas, os conservadores agregam a si os movimentos democrata cristãos. Atualmente temos na Europa basicamente três partidos: Conservadores (direita), Liberais (importantes para a formação das maiorias, designadamente em Inglaterra e Alemanha) e os social-democratas, sendo que estes têm à sua esquerda os partidos comunistas. Em Portugal o modelo é mesmo excepto no que concerne ao PPD/PSD que é no essencial uma federação de tendências conservadoras, liberais e social democratas. Para muitos cientistas políticas estará nesta amálgama a sua resistência à erosão política.

Importa sublinhar que estes partidos resultaram da revolução industrial e da revolução francesa que impuseram a chamada democracia representativa . Ora este tipo de partidos «vende», ou propõe aos eleitores uma solução para os seus problemas, protestando implementar um programa, construído por políticas públicas. A segunda característica deste sistema partidário foi definida Robert Michels no começo do século XX com a «lei de bronze da oligarquia».

Segundo este sociólogo alemão, os partidos estruturam-se como organizações que funcionam como bloqueios às aspirações das massas, tendo como objectivo fundamental a manutenção dos interesses dos seus líderes. Os partidos divorciam-se, assim, dos seus eleitores e da realidade social .E é no sentido de manter o status quo socializam os seus futuros quadros através das juventudes partidárias, «universidades partidárias» e assessores nos ministérios.
Dizem alguns, porém, que sem partidos não há democracia. Os partidos agregam políticas e racionalizam as aspirações das massas, evitando deste modo a anarquia, ou o populismo.
Mas é contra este modelo partidário datado e correspondente a uma dada evolução histórica da democracia que apareceu o PODEMOS.

Esta nova organização política pretende recriar a democracia direta , através da comunicação política. Esta permite conhecer com rapidez e exactidão as aspirações e os interesses dos cidadãos. E daí que o partido desenvolve uma metodologia para conhecer as necessidades dos eleitores e só depois as soluções de políticas. Não se assume, pois como de esquerda, ou de direita. Não é por acaso também que nasceu nas faculdades de Ciência Política.
Mas é claro que foi apodado de populista, porque não obedecia ao modelo tradicional do sistema partidário da democracia representativa, intermediada pelos partidos.

Mas estes ataques são normais. DE resto, já na democracia ateniense se levantaram vozes, como a de Aristófanes, contra os riscos da democracia direta. Este comediante ateniense, em as Nuvens e outras peças, satirizou a demagogia e o sofismo da assembleia popular de Atenas.
Em conclusão a escolha está entre um sistema político esgotado e o risco de um novo modelo democrático, só possível devido à aliança entre a comunicação e a política.

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