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Pobreza

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Pobreza

Escreve quem sabe

2020-09-02 às 06h00

Vítor Esperança Vítor Esperança

A pobreza é tão antiga quanto o Homem. Em tempo algum as oportunidades, os recursos e as competências foram iguais.
É justamente a evolução social da Humanidade, ao longo de milénios, que tenta fazer diminuir as desigualdades. Tanto tempo leva este sonho de acabar com a pobreza, quanto o da constatação que esse objetivo se mantêm no campo das utopias.

A desigualdade faz parte do Homem e do seu desenvolvimento social, cultural e económico. O conceito de pobreza é ele próprio desigual no tempo e dependente do local no Mundo.
Esta constatação não nos deve esmorecer no combate à pobreza sobretudo quando esta se revela a um nível extremo que põe em risco a própria sobrevivência do ser humano.
Esta pobreza extrema tem vindo a ser minimizada por apoios diversos que não passam de opções de caridade de curto prazo e, quando a catástrofe nos entra em casa pela TV ou Redes Sociais. Embora positivas e louváveis, não resolverão os problemas de fundo que levam a essa pobreza, infelizmente repetida nos mesmos locais e cidadãos.

Temos também que ter em consideração que não é a mesma coisa viver com 100 euros mensais de rendimento num ambiente urbano de uma grande cidade ou, com esse mesmo rendimento numa zona rural do interior esquecido, que se multiplicam sobretudo em Árica, América Latina e Ásia.
Matematicamente poderíamos dizer que a riqueza criada hoje no Mundo, se distribuída por igual a todo o ser humano, acabaria com a pobreza extrema. Porém, essa distribuição equitativa não acabaria com a pobreza sistémica sobretudo quando se avança para um conceito moderno que associa a pobreza a falta de condições de qualidade de vida, onde a alimentação, a habitação, a educação e os cuidados saúde não sejam acessíveis a todos.

É a formação e, a capacitação dos cidadãos que lhes trará educação e competências para alterarem as circunstâncias naturais dos seus territórios e, os levará a níveis de organização que crie riqueza que os beneficie.

A Pobreza estrutural só se combate com concertação de nações, situação que nos últimos anos tem vindo a piorar. Cada país pode fazer também o seu papel e, aqui já conta a qualidade dos seus dirigentes, a qualidade dos seus quadros de elite, dos seus políticos, a sua organização social e cultural. Obviamente são fundamentais os recursos territoriais que cada país dispõe mas, conhecemos exemplos extraordinários de sucesso em zonas desérticas, confirmando-se que a riqueza maior já não é a extrativa mas a da inovação tecnológica.

É o fator humano e o grau da sua formação técnica, sabedoria social e cultural que, com princípios e valores fazem a diferença.
É nisto que devemos apostar e não nos focarmos em demasia na criação de riqueza por si só, com base num sistema capitalista imperfeito, que sendo o mais eficaz na diminuição da pobreza, suporta-se num pilar que fortalece os mais fortes e afasta os menos preparados, em que dinheiro gera mais dinheiro. Resultado; concentração da riqueza em quem já dela mais dispõe, sendo o seu inverso também verdade. A disparidade e o afastamento progressivo dos extremos leva a desequilíbrios que geram revolta e fomentam opções políticas drásticas e extremas que levam às ditaduras.

A Europa e o considerado Mundo Ocidental bem como os países que daqui levaram os seus princípios fundacionais, apostaram na escola e nas universidades, na democratização da escolha livre de quem querem a dirigi-los, dando liberdade para quem ousa fazer, premiando o mérito de quem arrisca e inova, desenvolvendo simultaneamente organizações administrativas reguladoras, que impedem os excessos e abusos, baseadas em princípios do “Direito” e da ética.
Esta civilização criou a designada classe média. É esta que faz a diferença entre quem vence a pobreza. Quantos mais forem os cidadãos que aqui se enquadram e, quanta maior for a sua qualidade de vida, melhores seremos como sociedade desenvolvida e, menor a pobreza.

Infelizmente vejo este caminho estratégico, quebrado pelo afastamento da maioria dos cidadãos da atividade comunitária (politica), acomodados aos prazeres do momento, que aposta no consumo e no ter, absorvendo totalmente o que obtém pelo seu esforço e o que recebeu dos seus sucessores e, muitas vezes, hipotecando o que seria devido aos seus descendentes. A única coisa comum nesta sociedade acomodada é o de atribuir culpas de que está mal aos outros, maldizendo os seus dirigentes, exigindo do Estado que desprezam que tudo faça.

Chegam-nos ameaças de novos perigos, de salvadores messiânicos que imitam gente de convicções e que juram combater tudo o que está mal, incluindo a pobreza. Lamento a politica assim prosseguida.
Voltemos à pobreza e procuremos ajudar o que nos fica à mão. Olhemos à nossa volta; vizinhos, amigos, família, a nossa cidade. Encontraremos gente a viver no limiar da pobreza extrema. O que fizemos por eles?
Não é preciso muito, basta ajudar as instituições que já trabalham nestes apoios de emergência. É fácil: vá a internet - Banco alimentar contra a pobreza Braga - e dê o seu donativo. Acredite que ajudará os mais desfortunados. Não resolverá a pobreza no mundo, mas diminuirá as suas consequências para alguns. Preocupados andam muitos, mas “dar de comer a quem tem fome”, poucos.

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