Correio do Minho

Braga, terça-feira

Peregrinação a Fátima como Abertura do Ano Escutista

Prémio Nobel da Medicina

Ideias

2016-10-14 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Todos os anos, a abertura do ano escutista é feita, de forma descentralizada, em cada uma das vinte regiões1 do Corpo Nacional de Escutas, durante os meses de setembro ou de outubro. Estas atividades têm a missão de mobilizar todos os escuteiros da região para um programa de ação composto por três ou quatro planos que se sobrepõem e se complementam: o plano nacional, o regional, o de núcleo (só em algumas das regiões) e o local. É neste último que se situa o epicentro da ação educativa do escutismo que os outros planos complementam com o alargamento da visão que derruba limites geográficos e fronteiras, educando para o ser consciente da universalidade do Homem.

O Escutismo Católico Português quis que este ano escutista, de 2016/17, fosse marcado por essa universalidade ao promover uma atividade nacional em Fátima, um local que é ele próprio “um altar do mundo”, onde todos os povos se encontram. O espírito do Ano Santo da Misericórdia e do centenário das aparições da Virgem aos Pastorinhos e todos os valores humanos, sociais e espirituais que estes dois acontecimentos permitem desenvolver nas crianças e jovens que aqui foram desafiados a caminhar pelos trilhos de misericórdia, isto é, “assumir a misericórdia como estilo de vida, sonhar que podemos mudar as coisas, que podemos contribuir para tornar este mundo um pouco melhor do que o encontramos”, como lembrou o Senhor D. Joaquim Mendes, aos 50 mil escuteiros, na Celebração Eucarística que encerrou esta Peregrinação Escutista.

De todos os cantos deste país e até dos agrupamentos do CNE na Suíça, crianças, jovens e adultos tiveram a oportunidade de serem peregrinos, isto é, fizeram uma viagem a um lugar de culto, mas também fizeram uma peregrinação interior que, de mãos dadas com “Maria Mãe dos Escutas”, permitiu que crescessem em “sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52).
Mais do que o número de 50 mil participantes, que, sendo 70% do efetivo do CNE, poderia, só por si, satisfazer o “ego” do movimento, este centrou-se em cada um dos peregrinos, proporcionando-lhe diferentes formas de participação e toda a liberdade de escolha, por forma que cada um tivesse o peregrinar que tinha sonhado. Sim, porque em educação “o sonho comanda a vida” sempre que cada um tem a possibilidade de o tentar viver.

É a audácia dos que nunca perderam o ideal de vida e que, com maiores ou menores dificuldades, vão construindo a sua história com os outros e para os outros, lançando os alicerces de um mundo melhor. Sabendo que umas vezes necessitam de ajuda e que outras são eles próprios que distribuem esta ajuda, de forma gratuita.
Para todos os que estiveram em Fátima, no passado fim de semana, e para os que os acompanharam em espírito, a peregrinação não terminou, foi um tempo de enriquecimento, de retemperar o corpo e o espírito, para prosseguir o caminho, ainda com maior determinação e alegria.

O Papa Francisco não quis deixar passar em claro esta ocasião e encarregou o Núncio Apostólico D. Rino Passigato de ser porta-voz da sua mensagem onde “saúda com paternal afecto o Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português, reunidos na Celebração da Eucaristia por ocasião do encerramento da Peregrinação dos Escuteiros a Fátima e sobre todos os participantes invoca a assistência do Espírito Santo e a solicitude da Virgem Mãe para que, com fé e com audácia, percorram sempre o caminho da santificação, seguindo os ensinamentos do Evangelho, e dêem testemunho contínuo de vida cristã produzindo abundantes frutos de generoso serviço ao próximo, de paz e bem.”

Esta atividade dá início a um ano escutista que culminará uma fase de crescimento individual e comunitário de crianças e jovens, no sentido que Francisco expressa. Poderemos dizer que foi um ensaio geral para essa jornada pastoral de maio do próximo ano, quando for o próprio Papa a deixar-nos a sua palavra de incentivo de vida de serviço ao próximo e que marcará a vida de todos os que a escutarem e que também se projetará na última atividade escutista, em agosto de 2017, o XXIII Acampamento Nacional cuja temática: abraça o futuro nos convida a sermos semeadores de Esperança e construtores de Paz, tendo como instrumento de ação o Bem ao serviço do Próximo.

1 As regiões correspondem às dioceses.

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