Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Pensar diferente faz diferença

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2011-10-07 às 06h00

Margarida Proença

Escrevo esta crónica depois de saber que Steve Jobs faleceu. Jobs contribui de forma significativa para o mundo em que hoje vivemos, principalmente a forma como comunicamos. Foi o fundador da Apple, e o responsável pelo lançamento do iPod, do iPhone e do iPad. Todas as agências noticiosas, por todo o mundo, deram notícia da sua morte - e no entanto, tinha mui-to contra ele quando nasceu.

Foi entregue para adopção quando nasceu; os pais adoptivos eram um casal de classe média que morava na California, na zona que veio a ser conhecida em todo o mundo como o Sillicon Valley. Quando entrou para a Universidade, era demasiado cara para os pais, e teve de desistir ao fim do primeiro semestre.

No entanto, Steve Jobs manteve-se por lá, dormindo onde calhava e sobrevivendo de pequenas tarefas. O primeiro computador Apple foi desenvolvido por Steve Jobs e por um amigo seu, Wozniack, na garagem dos seus pais, quando tinha 21 anos. Os dois amigos fundaram a empresa, a Apple, no ano seguinte (1977). A história da marca, e da empresa, é bem conhecida. Embora multimilionário e reconhecido em todo o mundo, uma luta interna pelo poder afastou-o da própria empresa que tinha criado.

Veio a abrir uma outra empresa, a NeXT, que conseguiu desenvolver tecnologia importante, embora com limitado sucesso comercial. Depois da compra da NeXT pela Apple, Steve Jobs voltou como CEO à Apple. A sua liderança foi decisiva para relançar a empresa, o que conseguiu com um forte sentido de inovação e diferenciação. Em 2001, a Apple lançou o iPod e mais tarde a loja iTunes, revolucionando o sector da música. E foi ainda sob sua liderança, embora já doente, com um cancro, que a Apple lançou o iPhone, que veio de facto a alterar as estratégias das empresas de telemóveis por todo o mundo, e o iPad.

Nesta fase em que só se ouve falar de crise por todo o lado, o pior mesmo é deixar que se instale um clima depressivo. Na União Europeia, nos últimos dias, a situação agravou-se de novo. Parece certo que, ou os políticos finalmente são capazes de tomar decisões correctas, e se dão passos no sentido de um verdadeiro “governo europeu” e o Banco Central Europeu altera a política monetária que tem vindo a ser implementada, ou a linda história europeia arrisca-se muito seriamente a terminar mal.

Em Portugal, como noutros, vai ficando claro que políticas de austeridade excessiva, por si só, não resolvem nada - é absolutamente necessário que haja crescimento económico, aumento da produtividade e aumento das exportações. Crescer significa produzir mais e melhor. E produzir mais e melhor do que os concorrentes, e descobrir novas formas de responder às novas necessidades que todas as alterações, boas e más, vão criando na vida.

O comportamento dos consumidores é hoje cada vez mais complexo; embora compreendendo melhor o funcionamento do mercado, as escolhas que fazem duram cada vez menos tempo, porque as mudanças são muito rápidas. Estão também mais sensíveis às questões de qualidade, de ética ou mesmo de valores políticos. Mas isso permite mais facilmente também a introdução de produtos inovadores no mercado.

Por isso é tão importante pensar diferente e inovar, e ter força para implementar na prática as ideias que se têm. Gostamos de pensar na diferença que fazem as marcas; mas por detrás delas, estão as pessoas que as criaram.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.