Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Pensar cidade de forma inteligente

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Ideias Políticas

2015-06-09 às 06h00

Francisco Mota

Nos últimos tempos a sociedade portuguesa tem descoberto um novo conceito de gestão e implantação de cidade. O modelo urbano mereceu há umas décadas atrás por parte dos países nórdicos e centrais da europa uma especial atenção. A organização do espaço público e a comunicação com o privado fez com que a discussão em torno desta tónica fomenta-se um debate aprofundado e realista das verdadeiras necessidades das comunidades citadinas e com isso atrair uma actuação política mais ajustada à realidade, conscienciosa e planeada. Este foi o ponto de partida para o tão falado e apresentado conceito de “smart city”, enquanto cidade inteligente.

De acordo com um estudo da União Europeia, uma smart city é uma cidade que apresenta boa performance em seis indicadores: economia, mobilidade, governação, ambiente, vida e pessoas.
Os principais atributos de uma smart city são as capacidades de “pensar” e “reagir”, com um cérebro central que recolhe a informação e prepara a melhor resposta para cada situação, seja ele qual for, desde um problema de segurança, de energia ou de gestão de trânsito. Mas tudo está também relacionado com a competitividade.

Senão vejamos, segundo António Pires dos Santos, Smarter Cities Business Development executive da IBM Portugal, «na IBM definimos a cidade inteligente como sendo aquela que impulsiona o crescimento económico sustentável através de uma análise integrada de informações de todas as agências da cidade e departamentos para tomar melhores deci- sões e antecipar problemas, resolvendo-os de forma proactiva e minimizando o seu impacto, aplicando uma coordenação dos recursos existentes e dos processos para responder aos eventos de uma forma rápida e eficaz».

Basta fazermos uma análise crua e rapidamente nos apercebemos que este olhar sobre o “território” e consequentemente uma nova atitude nas suas decisões beneficia a acuação publicoa não apenas nos seus resultados mas essencialmente nos recursos que esta dispensa. Se não vejamos um caso concreto de Braga:
Olhemos para uma das intervenções inauguradas em 2005, em pleno período de campanha autárquica, a Ciclovia da Variante da Encosta. Embora não coloque em causa a sua pertinência nem o contexto em que foi construída, não podemos, contudo, negar que sempre esteve longe de ser o espaço ideal para quem tem por hábito deslocar-se, em diferentes ocasiões e para diferentes fins, de bicicleta.

Demonstrativo da falta de planeamento e pensamento de cidade sustentável, desde logo a começar pela escolha errada do sítio para a sua construção, uma variante. Certamente que na altura existiam sítios esteticamente mais apelativos, mais saudáveis e mais seguros na cidade de Braga, num dos quais este projecto faria inequivocamente mais sentido. Afinal de contas esta ciclovia começa numa curva e acaba, a não muitos quilómetros, numa outra curva, em vez de ter continuidade para outros pontos da cidade, esses sim de maior interesse público, nomeadamente, alguns espaços verdes, escolas ou outros serviços públicos.

Serve ainda como agravante o desrespeito de alguns condutores pela lei que usam ilegalmente e de forma abusiva este espaço como um lugar alternativo de estacionamento. Outro aspecto menos positivo é a manutenção que não foi feita do manto da ciclovia nos anos que se seguiram a 2005, dando o tom de um obra inconsciente e apenas eleitoralista. E, por último, o uso inapropriado da mesma pelos transeuntes e pelos condutores, sujeitando, consciente ou inconscientemente, os ciclistas a uma prática condicionada e pouco segura.

Resume-se, em poucas palavras, a um lugar ermo, híbrido e estranho situado nas ilhargas de uma via rápida, projectado e pensado por pessoas muito pouco “smart city”. Esta é, com certeza, uma descrição simplista e grosseira, mas nem por isso deixa de ser um retrato fiel e actual da mesma.
Facto é que nem a própria mudança de executivo camarário foi pelo menos até agora benéfica para esta ciclovia. Mas é também verdade que, em razão da fraca elasticidade orçamental do município, a Ciclovia da Variante da Encosta não é seguramente para já um investimento prioritário.

O que é sim prioritário é haver a capacidade de planear a cidade com objectivos muito bem definidos e pensados para as décadas futuras. Avaliar o risco de intervenção como sendo único, pois os recursos são pacos e os bracarenses, e bem, não admitem mais erros de inteligência governativa. Com tudo isto, dizer ainda que não basta apenas ter vontade de alcançar o estatuto de Smart City, quer os eleitos ou os gestores públicos tem que ser em primeira instância “inteligentes” na interpretação do conceito, no planeamento do trabalho e na dedicação da acção, pois só assim conseguimos construir a Braga do futuro.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.