Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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PEB de chumbo não dança

Viagem a Viena

Ideias

2016-09-20 às 06h00

João Marques João Marques

No início de um caminho que espero poder trazer algum valor acrescentado a este jornal, não podia deixar de começar por agradecer o convite dirigido para aqui ir partilhando algumas opiniões mais ou menos estruturadas sobre assuntos que penso serem do interesse da maioria dos bracarenses. Num espaço que é, também, de debate diferido com os demais cronistas do jornal e com os muitos amigos que nos vão abordando no nosso dia-a-dia, a opinião deve ser isso mesmo, livre, sincera e clara. É isso que tentarei fazer daqui para a frente, contando com a paciência de quem me lê.

E devo dizer que, para início de conversa, decidi trazer um tema que me parece ser da maior relevância para o concelho de Braga, sobretudo agora que é clara a estratégia de posicionamento do município em matéria de promoção externa do destino Braga como local para investir (recuperando o mote lançado pelo plano estratégico da Câmara Municipal), embora não tanto para sublinhar esta vertente estratégica, mas para trazer à colação o que esse investimento e o método que o suporta traduzem quanto à mudança do paradigma de gestão autárquica em Braga.
Falo, claro está, da anunciada requalificação do Parque de Exposições, cuja execução se prevê estar finalizada em finais de 2017 ou, o mais tardar, em inícios de 2018.

No total, são cerca de 8 milhões de euros repartidos entre fundos comunitários (5,5 milhões e euros) e orçamento municipal (o remanescente). Estes dois dados, o prazo previsto e o montante de investimento diretamente suportado pela CMB, servem para desmontar dois “papões” que aqui e além a oposição vai tentado colar a Ricardo Rio e à sua gestão. Por um lado, é repetida a ladainha relativa à invariável tendência para que se faça obra para mostrar resultados em ano de eleições e a “obra”, como vem nos cânones da política autárquica do neolítico (para que não digam que só nos referimos ao período jurássico), não é obra se não for de espanto.

Se o povo não vê obra, o executivo nada fez. Foi com este mantra, de resto, que o anterior poder político teve uma das suas mais estrondosas derrotas. Convencido de que o “povo” se encanta e enamora por betão armado, buchas e parafusos reluzentes em semana pré-eleitoral, tudo fizeram e forçaram para nisso destrunfar a “lírica” visão da Coligação Juntos por Braga. Pelo que se vai vendo e ouvindo, não devem ter percebido bem que o trunfo virou joker e que o “povo” (conceito indeterminado que muito jeito dá a político em ano de eleições) está estafado de ver os seus impostos desperdiçados em milhentas estruturas em cimento que, em poucos anos, viram ruínas modernas para que os filhos dos nossos filhos as vejam e, como sempre, continuem a pagar.

Como dizia, o facto de o Presidente da Câmara Municipal ter garantido que as obras não arrancariam antes do fim da próxima AGRO (uma feira emblemática de Braga e do PEB, que se tem tentado reavivar) - o que, na prática, significa que nunca o novo PEB estará acabado a tempo das eleições - , demonstra bem como, na apropriada metáfora, não se “colocam os carros à frente dos bois” por um punhado de votos, ou melhor, por uma miragem de votos.

Ao colocar como prioridade a realização desta feira, garantindo a estabilidade do evento para os feirantes e participantes e, com isso, a previsibilidade de gestão do equipamento para a sua administração, Ricardo Rio, de uma assentada, deita fora o compêndio (neolítico) da política autárquica e mostra como o bom senso pode triunfar. Veja-se como Lisboa e as propaladas obras na segunda circular demonstram exatamente o contrário.

Braga terá um novo PEB, sim, mas no tempo certo e sem precipitações eleitoralistas.
O segundo “papão” com que tentam desacreditar a atual gestão de Braga é o de que não há investimento. Não importa se a aposta nos apoios sociais é maior, se há manuais escolares gratuitos, se há transportes públicos com melhor resposta aos cidadãos, se há contratos de delegação com as freguesias para que estas, mais próximas dos problemas dos seus fregueses, possam fazer obra onde ela é precisa e responder aos desafios reais que as suas populações enfrentam.

Não importa que agora os orçamentos sejam reais, com taxas de execução incomparavelmente melhores do que as ilusões promissórias inscritas, ano após ano, em documentos formalmente chamados de orçamentos, mas que na realidade se aproximam mais de ficções novelescas. Nada disso importa, porque o que importa ao neolítico, caro bracarense, é a “obra”, santificada mártir de plebiscitos havidos e por haver.

Pois bem, aí está ela, a “obra”, só que não há aqui qualquer contradição com o que se disse inicialmente. Agora a obra que interessa não é a que ofusca os olhos impreparados do “povo” (recorro de novo à formulação neolítica, bem viva, aliás, nas inscrições rupestres das piscinas olímpicas). Agora a obra que se faz é a que se tem de fazer, como reconhecidamente ocorre quando se fala num instrumento de credibilização de Braga e de captação/atração de investimento para o concelho.

A porta de entrada do investimento para o concelho foi sendo indiscutivelmente abandonada. Sem desprimor pelos esforços que tenham havido de anteriores administrações do PEB, certo é que o que temos hoje é o resultado de uma opção política que preferiu plantar sintéticos de forma errante e sem critério, ao invés de encontrar um equilíbrio que fizesse face às necessidades de todos os bracarenses.

O que temos hoje é um pavilhão sem condições, ultrapassado pelo tempo e consumido pelos elementos, que enregela quem lá se passeia ou corre no outono/inverno e que gera aquele tão conhecido torcer de nariz a quem nos quer visitar e promover uma ideia, um propósito, um investimento ou apenas um espetáculo. O que teremos em breve, por seu turno, é o espelho do tempo novo que Ricardo Rio prometeu e vem cumprindo e isso, caro bracarense, é matéria de facto que nenhuma oposição pode contrariar.

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