Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Parque da cidade - um investimento rentável

O futuro depois do COVID 19

Escreve quem sabe

2015-10-16 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Já aqui escrevi que “fazer cidade” é uma tarefa coletiva que envolve responsavelmente decisores políticos, comunidade académica e científica, representantes das forças vivas da cidade, agentes económicos e cidadãos. Mas que é também um exercício individual estimulante de pensar estratégias e medidas para o futuro coletivo, propondo-as à comunidade para serem debatidas, contestadas, aprimoradas ou rejeitadas.

Importante é que o processo de “fazer cidade” seja participado e, desejavelmente, debatido a partir de ideias e visões distintas. Uma visão única para o desenvolvimento da cidade ou a falta de discussão pública sobre as estratégias para o futuro é revelador de uma sociedade pouco envolvida e comprometida com o sucesso do seu concelho e de um processo de governação distante das pessoas.

Depois de dar, neste espaço de opinião, o meu modesto contributo para a discussão de soluções / intervenções para importantes eixos urbanos e praças da cidade como a Avenida da Liberdade, o Campo das Hortas e a Praça Conde de Agrolongo, animado pela manchete do Correio do Minho da passada 4ª feira sobre a existência de um plano de investimento da Câmara Municipal de Braga para a regeneração urbana de 50 milhões de euros, resolvi tentar abordar a questão dos equipamentos públicos, nomeadamente do parque de exposições e do parque da cidade.

Parque da cidade

Um grande parque da cidade, bem localizado e integrado no ambiente urbano, poderá ter um enorme impacto social, ambiental e económico no concelho. E, em Braga, se há área deficitária ao nível dos equipamentos públicos é, na minha opinião, a dos espaços verdes.
Acredito que uma infraestrutura verde urbana de dimensão relevante será a que, com o menor investimento, maior impacto terá no reforço da atratividade e competitividade do concelho, constituindo uma mais-valia decisiva na atração de pessoas e investimento.
Mas o seu impacto poderá ir muito para além do reforço da imagem positiva do concelho, potenciará também uma mudança comportamental com benefícios imediatos ao nível da melhoria da qualidade vida e da saúde dos cidadãos, assim como, promoverá um aumento significativo das vivências intergeracionais, aproximando os mais novos dos mais velhos.
Não faltam excelentes exemplos de cidades em que os parques verdes se assumem como um enorme fator de desenvolvimento e progresso, como o “Central Park” em Nova Iorque, o “Hyde Park” em Londres, ou, aqui bem mais próximo, o Parque da Cidade do Porto. Mas não precisamos de ir tão longe, ou de uma escala tão grande, atentemos no investimento mais relevante das últimas décadas da cidade vizinha de Famalicão - a construção do Parque da Devesa. Este parque verde foi construído de raiz em pleno centro de Famalicão, ocupando uma área de cerca de 27 hectares e envolvendo um investimento de aproximadamente 13 milhões de euros, em grande parte financiado por fundos comunitários. Segundo um estudo elaborado pelo arquiteto paisagista Gonçalo Nunes de Andrade, este parque gera para a comunidade um benefício anual superior a 4,4 milhões de euros. Ou seja, em menos de 4 anos, o parque terá gerado benefícios totais que ultrapassam o investimento realizado. É, portanto, como diz o Presidente Câmara Municipal de Famalicão, Paulo Cunha, um investimento “rentável”.

Parque de exposições

Tendo em conta que os principais setores da atividade económica do concelho são o comércio, o turismo e serviços, que Braga tem a felicidade de acolher um dos mais importantes pólos de conhecimento académico e científico do país e de ser a capital de um distrito com uma veia fortemente exportadora, a existência de um parque de feiras, congressos ou exposições constitui(rá) uma enorme mais-valia para a promoção e o estímulo da atividade económica.
Braga já tem um parque deste género, mas é sabido que está bastante desgastado pelo tempo e pouco adaptado às exigências estéticas, de polivalência e funcionalidade que se pede a um espaço desta natureza, pelo que a sua modernização é imperativa e, felizmente, está devidamente assinalada no radar das prioridades do executivo municipal.

Localização

Não foi por acaso que me propus abordar neste texto estas duas infraestruturas. Pessoalmente estou convicto que a localização mais acertada para o parque verde da cidade de Braga é precisamente o espaço físico que é ocupado neste momento pelo Parque de Exposições de Braga. Esta localização permitiria coser o Parque do Picoto, ao Parque da Ponte e até ao Parque das Camélias, envolvendo o Estádio 1º de Maio, a Piscina da Ponte e o Parque de Campismo, numa grande mancha verde em pleno centro da cidade que valorizaria também o Rio Este.
Quanto ao parque de exposições, julgo que não ficaria a perder com uma eventual deslocalização para uma zona periférica, próxima de um pólo industrial forte e bem servida de acessibilidades e facilidades logísticas, à semelhança do que acontece em quase todos os parques de exposições a nível internacional.
Outra solução passaria por manter o parque de exposições na atual localização, transformando-o num espaço multiusos ajustado para eventos de média dimensão que permitisse a realização de feiras, exposições e congressos, bem como de eventos desportivos e espetáculos artísticos, abdicando-se, a favor do parque verde, de toda a área situada nas traseiras da atual “grande nave”.
Um parque verde no centro da cidade é comum em quase todas as cidades europeias, assim como um parque de exposições na periferia, não sendo especialista em planeamento urbano, acredito que isto não aconteça por acaso.

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