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Para um balanço de 2019

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Para um balanço de 2019

Ideias

2019-12-27 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Uma das práticas usuais no final do ano é o seu balanço. Nele se faz a análise do que correu bem e do que correu mal e se lançam pistas para o futuro, isto é, para o ano que se segue.
Habitualmente faço isso, mesmo para este jornal onde escrevo há mais de dez anos.
Ora se olharmos para o ano que passou e para o orçamento que se anuncia ficamos a saber que será atingido o equilíbrio orçamental, mas sem investimento público relevante e a continuação de pagamentos inexplicáveis, e fruto de negócios ruinosos do Estado, com bancos, parcerias público-privadas, empresas públicas e o aventureirismo das swaps.
Por outro lado, continuou a degradação dos transportes públicos, obsoletos e insuficientes. É verdade que foram anunciadas novas medidas, mas sempre adiadas.
O Serviço Nacional de Saúde de ricos num país pobre tem significado salários baixos para os seus funcionários e falta de investimentos. Entretanto, anuncia-se aumento de orçamento para a saúde, mas grande parte do dinheiro é para pagar dívidas acumuladas ao longo dos anos. Acresce que a desmotivação dos profissionais se vem acentuando, acirrada pela comunicação social que passa o tempo a denegrir o setor público. Naturalmente que há aqui mão de privados, interessados no desmantelamento do SNS.
Assiste-se também à crise do exército que se tornou inoperante com mais oficiais do que soldados. É neste momento um peso morto, como aliás a Justiça que se arrasta no pântano da ineficácia e da deslegitimação.
E, em quanto isto, a crise da habitação, sobretudo nas grandes cidades, torna-se incomportável para as classes médias que se desloca para as periferias; na verdade, o seu nível de vida e o seu status vem baixando. E é um risco para a paz social, já que é neste caldinho que floresce a extrema- direita.
Ao mesmo tempo, assiste-se a uma Administração Pública envelhecida, desmotivada e mal paga. Apesar de algumas medidas vestidas de simplex, a burocracia e os abusos continuam. Se as greves anunciadas pelos sindicatos da função pública acrescerem às greves do ano passado, pode ser o fim da paz social e dos equilíbrios alcançados.
Finalmente, anuncia-se aumento dos impostos, embora muitas vezes dissimulado sob a capa de taxas, contribuições, multas, manipulação de escalões e impostos sobre o consumo.
Mas talvez esta seja a melhor das soluções políticas depois de anos loucos de esbanjamento de dinheiro em auto estradas, campos de futebol, parcerias e outras maluquices, seguida de outra fase de esquizofrenia e de cortes que arruinou milhares de empresas e esmirrou os cidadãos.
Este é o governo da normalidade, do que é possível fazer num país pobre, tutelado por Bruxelas. Além disso, as eleições não ajudaram a estabilizar o sistema político. Apesar da maioria confortável, o partido socialista não tem a maioria absoluta no Parlamento. Tem que ceder à esquerda e ceder à esquerda significa aumentar a despesa, sem olhar à receita. E nisso Centeno não concorda.

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