Correio do Minho

Braga, terça-feira

Para que servem os rankings das escolas?

Por mais cultura do treino e treino baseado na ciência

Voz às Escolas

2015-12-21 às 06h00

Jorge Saleiro

Anualmente, somos confrontados com os rankings das escolas. Este ano, apenas em dezembro, um pouco mais tarde que o habitual, lá recebemos os dados filtrados pelos vários órgãos de comunicação social. Cada um deles com critérios diferentes, cada um deles com resultados diferentes.

Todos os anos ouvimos e lemos as opiniões a favor e contra a sua publicação. É já um ritual que se espera e, apesar das pequenas diferenças entre cada publicação, a verdade é que os rankings trazem pouca novidade. Já sabemos a quem serão entregues os primeiros lugares. Invariavelmente, às escolas privadas.

Mas, afinal, para que servem os rankings das escolas? Para que servem estes rankings jornalísticos? Serão uma forma rigorosa de avaliar o trabalho realizado nas escolas? Servirão para que alunos e famílias se sintam esclarecidos sobre a qualidade do ensino em cada escola? Será critério para escolher a futura escola?

Muito dificilmente uma resposta afirmativa às três últimas questões poderá ser levada a sério. Estes rankings, mesmo que lidos com o enquadramento técnico utilizado na sua génese, sofrem do pecado original de comparar o incomparável. Escolas urbanas com escolas rurais, escolas do litoral com escolas do interior, escolas de meios privilegiados com escolas de meios deprimidos, escolas privadas com escolas públicas.

É assim que os rankings são apresentados. Fica ao cargo do leitor, tentar esmiuçar os dados numa tentativa, inevitavelmente vã, de tirar um sentido lógico àquela pouco séria seriação. Até porque há dados utilizados para escrutinar os rankings (no jornal Público) que apenas são considerados para as escolas públicas, ou seja, os dados de contexto mais ou menos favorecido. Mas também os dados sobre a escolaridade dos pais, no caso das escolas privadas, se encontram omissos. Talvez até nem seja necessário introduzir estes dados. Todos anteciparão o que esses dados revelarão e a sua afinidade com os resultados obtidos.

Mas, com todos os defeitos, os rankings estão aí e estão para ficar. Na verdade, não podemos ficar admirados pelo impacto que têm na opinião pública. São, ainda, a única forma pública de ler resultados das escolas em comparação com outras. Existe também a possibilidade de consultar os relatórios da Avaliação Externa das Escolas da Inspeção-Geral da Educação e Ciência, mas estes apreciam os resultados em estudo de caso e sem colação com outras escolas.

Com todos os seus lapsos e equívocos, os rankings são a única fonte pública disponível para confrontar os resultados das escolas. Não foi, ainda, encontrada a forma de divulgar estes resultados de tal forma que sejam absolutamente esclarecedores e fidedignos.

No entanto, já se percorreu algum caminho nesse sentido, desde a publicação dos primeiros rankings, em 2001. Quanto às escolas públicas, já é possível fazer uma análise mais fina dos dados apresentados. Esperamos que, quando o portal InfoEscolas estiver a funcionar em pleno e disponível para todos, o cruzamento dos dados estatísticos aí analisados permita uma visão muito mais completa e adequada sobre os resultados das escolas.

Poderá ser um desafio interessante para o novo Ministro da Educação fazer evoluir a disponibilização de dados e estatísticas, de estudos e resultados, de tal modo que a comunicação social veja facilitado o seu trabalho de informar, de informar com rigor e isenção, promovendo, assim, o direito à informação para todos a quem interessa a educação.

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