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Para os devidos efeitos

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Para os devidos efeitos

Escreve quem sabe

2021-01-31 às 06h00

Cristina Fontes Cristina Fontes

“Fiquei doente derivado ao frio.” Não, não ficou! Ficou doente devido ao frio.”
“Derivado” é seguido da preposição “de”, simples ou contraída, e devemos usar esta expressão para dizer que algo é “derivado de” outra coisa, ou seja, que tem origem nela – “o queijo é derivado do leite”, por exemplo. Quando referimos a causa, devemos usar a expressão “devido a”, que significa “por causa de”.
É surpreendente, pois, que, numa nota à Comunicação Social de 24 de abril, de 2020, a Assessoria da Imprensa do Gabinete de Ministros das Infraestruturas e da Habitação, tenha escrito “(..) medidas excecionais e temporárias para o arrendamento habitacional durante o estado de emergência derivado à pandemia covid-19 (...), em https://bit.ly/2L6Kcx8, acedido em 30-01-2021.
Estranhamente, também é comum ouvir o uso incorreto de “onde” - “Estava a falar com ele, onde ele disse que ia embora mais cedo.” Nesta frase, “onde” deveria ser substituído por “quando”, pois a noção expressa é de “tempo” e não de “espaço.”
Apesar de haver um uso mais recorrente da expressão “quanto mais não seja”, é preferível usar “quando mais não seja”. Todavia, este assunto não é unânime entre os linguistas e alguns defendem que o uso mais frequente da primeira expressão poderá torná-la admissível. Aliás, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (em rede) só atesta a forma “quanto mais não seja”, que pode ser substituída por “se outra razão não houver, ao menos”. Os mais puristas não a admitem. Acrescente-se a estas expressões duas similares: “quanto muito” e “quando muito”. Elejam, preferencialmente, a primeira.
E que dizer da redação de artigo da Autoridade Tributária e Aduaneira “2- . Sempre que as condições económicas devam de ser examinadas em conformidade com o artigo 211 (…), em https://bit.ly/36tmrXk, acedido em 30-01-2021 ou da nota informativa da Faculdade de Direito da Universidade Lusófona “as provas orais de avaliação contínua que, nos termos do regulamento, devam de ser realizadas (…), em https://bit.ly/3pyz4YO, acedido em 30-01-2021?
“O verbo “dever” não é seguido de nenhuma preposição., logo o correto é escrever “devam ser”.
Ao contrário do exemplo anterior, o adjetivo “convencido” deve ser sempre seguido da preposição “de”. Ao ler algumas gordas, quase ficamos convencidos de que a preposição não faz falta nenhuma. Eis alguns títulos bem recentes: "Ninguém esteja convencido que depois de vacinado pode tirar a máscara" (http://bit.ly/3oEiSnK, acedido em 30-01-2021), “Estou convencido que vai haver uma terceira e quarta ondas», alerta especialista” (http://bit.ly/2MhcWnm, acedido em 30-01-2021).
Ainda no que respeita ao uso da preposição “de”, devemos dizer “informamos os alunos de que as aulas vão começar” e não “informamos os alunos que as aulas vão começar.” No entanto, sempre que não estiver expressa a entidade a quem se informa (no caso acima “os alunos”), o verbo informar não deve ser seguido da preposição “de” - “Informamos que as aulas vão começar”.

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