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Para o desenvolvimento dos territórios do interior

O espantalho

Para o desenvolvimento dos territórios do interior

Ideias

2018-12-10 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

A cidade de Braga recebeu, no Parlamento Europeu, o prémio de melhor Cidade Europeia do Desporto 2018, atribuído pela ACES Europa a “Braga CED 2018”. Uma distinção que que destaca a eficácia, a inteligência e a qualidade do Município, das associações dos agentes educativos e desportivos. Uma página da história da cidade escrita a ouro, que confirma o propósito do Presidente da Câmara Municipal, Ricardo Rio, e da Vereadora do Desporto e Juventude, Sameiro Araújo, ao considerarem “uma oportunidade para mostrar à Europa todo o dinamismo de Braga em termos desportivos”.
Uma referência que faço, por se tratar de um acontecimento de relevância nacional e internacional, e a propósito da problemática do desenvolvimento dos territórios do interior, que tenho vindo a tratar neste espaço de opinião. Braga é uma cidade do interior próxima do litoral, que se situa na faixa mais populosa, mais produtiva e mais desenvolvo do País, e que tem feito um percurso de afirmação, como centro de polarização e liderança regional, a par das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Sendo este prémio, uma evidência clara e um exemplo paradigmático desta dinâmica.
Dinâmica intensa focada na realização de eventos nos mais variados contextos, e na ação dos agentes desportivos, evidenciou questões relacionadas com a dinamização do tecido produtivo local. A criação das condições internas para a afirmação do território. A melhoria da qualidade de vida das pessoas. A transformação dos recursos imateriais do território, em mais-valias para o desenvolvimento. A visibilidade dos aspectos positivos do território. A valorização da identidade local e a promoção de dinâmicas territoriais de desenvolvimento.
Questões fundamentais no processo de afirmação das formas de emancipação sustentadas interna e externamente por laços de relacionamento e pelas condições sociogeográficas dos territórios, sendo as cidades os polos que, na maior parte das vezes, sintetizam os processos de desenvolvimento regional, como está a acontecer em Braga e noutros polos urbanos do interior, apesar de ainda serem muito reduzidos e pouco expressivos.
A revalorização dos territórios do interior é um desafio que se colocam às cidades médias em Portugal, e realça a perspectiva de planeamento estratégico das cidades na construção de um “projecto de cidade”, dando uma ênfase especial às dinâmicas de inovação, à proximidade inteligente e ao ambiente, enquanto factores de construção e promoção da sua capacidade competitiva em relação aos grandes centros urbanos. Realçando desta forma, o conceito de cidade média, e sua importância na definição das políticas de desenvolvimento dos territórios rurais, no contexto do desenvolvimento regional.
Políticas públicas nacionais, regionais e locais, potenciadoras de oportunidades e respostas aos desafios que se colocam a estes territórios, e no aproveitamento das condições de proximidade, para promover a cooperação sustentada pelo desenvolvimento de redes locais. Apontando para a necessidade de concertação de esforços numa perspectiva alargada de carácter regional em torno da criação de uma marca “Interior”, como forma de potenciar o desenvolvimento de parcerias, da participação e da cidadania e da mobilização.
Um forte indutor de identidades e do sentido de pertença aos territórios, e um incentivo à participação e ao envolvimento das pessoas e dos agentes políticos, culturais, socias e económicos. Um dos principais factores de emancipação, de desenvolvimento dos territórios e da captação de meios externos conseguidos através da promoção dos territórios.
Trabalhando as questões de infraestruturação do território para satisfação das necessidades e expectativas dos residentes dos turistas e dos investidores nacionais e internacionais, de forma equilibrada e com base na identidade, nas características socioculturais e socioeconómicas, por processos de comunicação interna motivadora e informativa que levem ao envolvimento dos residentes e dos principais actores locais e regionais.
Um processo de desenvolvimento assente na fixação de riqueza, e facilitada por uma boa gestão, da comunicação externa e dos factores imateriais, pela gestão dos processos de comunicação e da inter-relação dos actores locais, numa perspectiva de conjugação e concertação de esforços para definição de um “projecto comum”, potenciador da confiança das populações residentes e da atração e fixação de novos residentes com base no conhecimento e na proximidade inteligente.
Modelo que preconiza uma nova abordagem de base local, mais colaborativa e mais próxima, que promova uma participação ativa e um envolvimento empenhado de autarquias locais, comunidades intermunicipais, associações, empresas e pessoas na construção de um interior mais coeso, mais competitivo, mais sustentável, mais conectado e mais colaborativo, conforme prevê o Programa Nacional para a Coesão Territorial, proposto pela UMVI – Unidade de Missão para a Valorização do Interior.
Uma Agenda para o Interior constituída por oito Iniciativas, agendas interministeriais e interinstitucionais, organizadas em torno de desafios e questões estruturantes que se colocam ao desenvolvimento dos territórios do interior: Envelhecimento com Qualidade; Inovação da Base Económica; Capital Territorial; Cooperação Transfronteiriça; Relação Rural-Urbana; Acessibilidade Digital; Atratividade Territorial; Abordagens, Redes e Participação. Um processo de desenvolvimento, que pressupõe novas formas de organização coletiva e de coordenação de políticas, assentes em redes que promovam relações sociais de confiança, capazes de articular de forma transversal as ações dos diferentes níveis de governação e dos atores, públicos e privados relevantes.

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