Correio do Minho

Braga, terça-feira

Pânico

Em modo bipolar

Escreve quem sabe

2017-04-18 às 06h00

Ana Paula Silva

As sensações de pânico são uma resposta natural ao perigo, os ataques de pânico são uma resposta desproporcional relativamente a qualquer perigo real que a pessoa esteja a enfrentar. A pessoa sente uma ansiedade máxima em situações inexplicáveis (medo de perder o controlo, que algo horrível vá acontecer), não reconhecendo os medos que lhes são inerentes.
O ataque de pânico, também conhecido como crise de ansiedade, é uma reação intensa em cadeia que começa com uma sensação corporal ou um pensamento ameaçador, atingindo um pico dentro de 10 a 15 minutos e diminuindo gradualmente.

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e são no mínimo cinco para ser considerado um ataque, incluindo: tremores, calafrios, ondas de calor, dificuldade em respirar, palpitações do coração, náuseas, tonturas, sensação de desespero, desrealização ou despersonalização. Alguns dos sintomas físicos podem confundir-se com os do enfarte.

Após o primeiro ataque de pânico, as pessoas começam a ficar num estado de hipervigilância constante sobre os seus sintomas físicos e situações que possam considerar como ameaça. Com a repetição dos ataques, as pessoas ficam condicionados a pensamentos/sensações, a locais/situações, que avaliados negativamente representam sinais de perigo iminente:
- Situação que reproduz uma reação física semelhante (por exemplo: exercício físico, emoções fortes, mudança na temperatura).
- O contexto onde estava aquando do primeiro ataque de pânico (por exemplo: se foi a conduzir, desenvolve um medo de conduzir; se foi num centro comercial, evitam espaços semelhantes no futuro).

O aumento da ansiedade subjetiva e as antecipações catastróficas dos sinais de um novo ataque originam comportamentos de fuga e fobias; de lugares/condições difíceis de escapar ou em que não possa receber ajuda imediata; de sair ou ficar sozinho.
O tratamento cognitivo-comportamental dos ataques de pânico visa ajudar as pessoas a lidar com as sensações e o medo traumático resultante do primeiro ataque de pânico. Esta terapia pode modificar ou eliminar padrões de pensamentos que contribuem para os sintomas e, por conseguinte, ajudar a mudar o comportamento. Com esta abordagem, gradualmente, a pessoa começa a dominar os seus medos.
A parte comportamental desta terapia envolve o treino sistemático com técnicas de relaxamento e de exercícios de respiração.

Normalmente, quando se entra em pânico, começa-se a hiperventilar (respirar depressa e/ou curto). Quando tal acontece, é importante:
- Respirar para um saco de papel ou desacelerar a respiração.
- Concentrar-se em pensamentos positivos, como “Isto vai passar rapidamente, vou concentrar-me na minha respiração e imaginar um lugar relaxante.”.
Na terapia de cariz psicodinâmica, o terapeuta e a pessoa trabalham juntos e procuram descobrir conflitos emocionais que possam existir na raiz dos seus problemas e que estão a ser expressos nas crises de pânico.

O deus grego Pã é a divindade da qual deriva a palavra pânico e cujo nome corresponde a pan, que significado tudo. Pã representa a própria Natureza; é o deus dos pastores, dos rebanhos e da vida animal, habitava os lugares ermos e desolados, estando associado ao abandono e à solidão. Ele andava por aí assobiando ou tocando uma seringe e assustando os pastores: o medo deles era como o medo da manada quando explode, sem razão aparente, como se tivesse sido amedrontada por alguma coisa.
A mesma coisa acontece com o ser humano, subitamente é apanhado por um terror sem saber porquê.

Porque surge o ataque de pânico?
O que leva ao aumento da vulnerabilidade fisiológica?
- O aspeto relacional atribui o ataque de pânico à revivência de antigas experiências traumáticas de abandono e separação.
- A expressão do fracasso em atender às exigências dos ideais e valores da sociedade e do sofrimento por não conseguir desempenhar os papéis que gostaria.
- O medo de enfrentar os afetos negativos (ansiedade, culpa, vergonha e raiva) que são sentidos como ameaçadores, levando à fuga para evitar a dor emocional.
- O desacordo com o centro da personalidade, a perda do contato com o eu interior e uma vida de aparência, superficial e mecânica.
- Um sentimento de angústia despertado pelo confronto súbito com seu desamparo e à ilusão da garantia da estabilidade de um mundo organizado longe das incertezas.

A pessoa tem de se confrontar com as suas emoções: necessidade total de controlo; sentimento de abandono e isolamento; procura incessante pela proteção; relação de dependência marcada por ansiedade de separação...
A terapia psicodinâmica tem como objetivo conhecer e compreender os conflitos psicológicos subjacentes aos ataques de pânico. Levar o outro a implicar-se no seu sofrimento, a falar, a procurar dar sentido, a partir da sua história, ao que parece não ter sentido. A perder o medo do desconhecido que é seu …

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