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Ideias

2016-03-20 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Lula, em Dezembro passado, acusava a colonização portuguesa pelo atraso na Educação do Brasil. Talvez à mesma deplorável influência lusitana se deva o que releva da corrupção, da instrumentalização do Poder e dos Tribunais. Assim como assim, não há maldade que corra no sangue e espírito dos canarinhos que não venha de pai estrangeiro, e mesmo o zika, de quem nunca ouvíramos falar, tem todo o jeito de ser uma bomba ao retardador deixada pelo último vice-rei.

Dirão, Dilma e Lula, que se veem arrastados pela lama por vil processo político, por maquinação tendenciosa, por preconceito e desforra das classes altas, gentes de má bílis, indisponíveis para aceitar que os corredores do governo sejam cruzados por quem cresceu de pé descalço, por quem não cursou colégio e universidade de elites.

Sócrates, o nosso, vale-se do mesmo argumentário, e ninguém me tira que não terá razão, o que me causa amargos de boca, pois, calhe o homem de pedir indemnização trilionária por perdas e danos, e sabemos nós de que bolsos acabará ela por escorrer. Cairá mal dizê-lo, contudo, por conta da preocupação acabada de expressar, espero que nosso anterior primeiro-ministro não tenha razão, que para o encravar apareçam umas provazitas irrefutáveis, vá lá, a modos que fora de prazo, de forma a que, salomonicamente, fique o homem livre de constrangimentos, mas entalado, a pontos de não se dar a grandes floreados.

Não me incomoda Sócrates mais do que referido, e não me incomoda de todo o martírio dos primos brasileiros. Mexe comigo, por outra, a questão dos refugiados, e, como estou em maré de confissões, atestarei de novo a minha mesquinhez. Pois assim digo, que alinho com os que não querem resolver o problema dos refugiados sírios. Eu sei que eles sofrem, eu até sei que não oferece a Síria condições de sobrevivência; mas julgo saber, também, que não tem a Europa condições para os aceitar, ainda que Portugal faça brilharete com as dez mil almas que se propõe receber. Serei cínico, mas cheira-me a marketing.

Acredito que haja uma má-consciência europeia, ocidental, em grosso, pelo caos em que caiu a Síria. Verdade por verdade, já nestas páginas defendi Bashar al-Assad, o que não equivale a proclamar que seja o cavalheiro flor que se cheire, ou que me imaginasse eu a viver tranquilamente na pele de cidadão sírio. Mas fujamos nós da clausura das meias-verdades.

Mais do que ditatorial, será o regímen sírio sanguinário e assassino? Nenhuma dúvida quanto às atrocidades que possam ser cometidas ao abrigo das impunidades de uma ditadura, ou de bom exemplo não valessem os crimes nazis e os congéneres da paranoia estalinista. Al-Assad pode ser um crápula, mas do mesmo estirador que saiu esta caricatura, saiu a banda desenhada das armas de destruição maciça de Saddam, e saíram, em tempos idos, as já esquecidas pranchetas dos comunistas que comiam criancinhas. Toda a gente sabia que não era verdade, porém sempre aparecia quem não se coibisse de o repetir, de jeito que, o que não tinha o selo de verdade pura, acabava circulando como metáfora carregada de sentido repulsivo.

E devemos nós desconfiar das semi-verdades que favorecem o nosso campo, a expensas do quanto depreciam irremivelmente os nossos adversários. A maior parte delas tem o mesmo valor das baforadas de Lula sobre o atraso da Educação em terras de Vera Cruz. E paz à tua alma, Cabral.

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