Correio do Minho

Braga, sexta-feira

'Pai', por Teresa Coelho

Trade-offs

Conta o Leitor

2011-07-31 às 06h00

Escritor

Era um vez (assim começam todas as historias com final feliz) um pai e uma filha que se amavam imenso.
Dia 8 de Abril de 1990.
Numa noite fria e quente ao mesmo tempo, aquele pai vagueava pelos corredores daquele hospital deserto e sonoro onde só se ouviam gritos e barulhos estranhos de máquinas em movimento.

Quarto 253.
Ali tinha entrado a sua mulher aflita e cheia de dores para dar à luz a sua segunda filha.
Aflito e irrequieto, aquele senhor espe-rava pelo momento certo para poder ter no colo a sua princesa. Assim foi, meia hora depois ele pegara em seus braços aquele rebento, o seu rebento.

Orgulhoso e ao mesmo tempo tremelicando ele olhava e embevecido em alegria admirava a sua segunda menina.
O tempo foi passando e a sua menina crescendo. Sempre de narizito empinado ela passava de princesa, a menina rebelde e fugaz! Travava amizades e dissabores com toda a gente pois possuía um feito único e particular!

Sem quase dar pelo tempo passar aquele pai via-se pela primeira vez a deixar a sua menina na escola onde ela iria começar uma nova vida. Depressa ela aprendia tudo, dizia até saber mais que a professora. Ia crescendo e ao mesmo tempo engordando. Nunca se tinha importado com a imagem pois além de ser uma criança sempre fez tudo o que os meninos magros faziam! O seu pai ia alertando para como estava a ficar gordinha mas ela não ouvia nem queria saber.

O facto é que aquela menina, agora mulher começou a olhar pró espelho e a deparar-se com uma figura redonda e feia. Começou então a travar batalha contra ao espelho.
Sem dizer nada a ninguém aquela adolescente ia emagrecendo a olhos vistos sem que nada nem ninguém se apercebesse que com os quilos que iam, a saúde também ia.

Até que o seu pai decidiu olhar para ela com olhos de ver e detectar que a sua menina agora mulher tinha quase que desaparecido de tão magra que estar. Aqueles pais viam-se agora desesperados pois a sua filha tinha de facto chegado ao fim do poço.

Falaram entre si e com a sua outra filha e decidiram então ajudar a pequenada família.
Levaram-na a um psiquiatra até que o inevitável foi diagnosticado: anorexia nervosa.
Aquela família sempre feliz via se agora afundada numa tristeza profunda e dolorosa. Pai mãe e irmã uniram-se para ajudar o quarto elemento da família! Foram horas, dias, anos difíceis ate conseguirem tirar a familiar da ruína.

Seu pai sempre a tentar encobrir tamanha tristeza sempre a apoiou. Sempre teve do seu lado e chegou a chorara imensas vezes pois não conseguia entender como deixou a sua petiz chegar aquele estado!

Dois anos de tratamento e as melhoras já se notavam. Ele via renascer das cinzas a sua menina, a sua bébé. Sempre de olho nela aquele pai viveu e vive atormentado pela incerteza e pelo medo que a sua filha volte a afundar. Sofre caldo e isso ele sabe. Tenta esconder a dor e o medo mas por vezes deixa rolar pela sua cara uma lágrima mais atrevida que não consegue conter.

Agora vivem felizes os quatro, soa uma família unida e cheia de amor que viveu e vivera sempre assombrado pela “maldita doença”…

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