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Controlo da Obesidade: uma chave no tratamento da COVID-19

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Ideias

2021-01-12 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

“Os números são preocupantes e todos os esforços são poucos para controlar a pandemia”, considera António Costa. Justamente por essa razão, Marcelo Rebelo de Sousa garante que “não há alternativa ao confinamento geral”.
A reunião que hoje decorrerá no Infarmed com especialistas em saúde pública e epidemiologia, servirá para analisar as causas do constante aumento do número de infecções pelo novo coronavírus e, principalmente, para recomendar ao Governo as medidas a tomar. Em todo o caso, e dada a gravidade da situação pandémica, já não é novidade que a urgência de travar a excessiva subida de novos casos diários, vai obrigar a antecipar todo o processo conducente ao início da nova fase de confinamento.
Parece consensualmente aceite que o agravamento da situação se ficou a dever, em grande parte, à distensão das medidas no período natalício, a qual acabou por constituir um enorme falhanço no processo de combate à pandemia. Isso mesmo foi, aliás, reconhecido pelo próprio Presidente da República, que não hesitou em assumir a responsabilidade.
“A decisão teve os efeitos que teve. Na altura, falei de um pacto de confiança com os portugueses, mas o pacto de confiança não funcionou. É um facto”, constatou agora o Presidente que, por tal razão, assumiu “essa responsabilidade sem problema nenhum”. “Por mim, pelo Governo e por todos os que intervieram”, acrescenta.
A responsabilidade política que Marcelo Rebelo de Sousa avocou não desresponsabiliza, porém, o comportamento inconsciente e absolutamente condenável de muitos cidadãos. Daqueles que, numa atitude de grande egoísmo e de total desprezo pelo seu semelhante, desrespeitaram as regras restritivas e, assim, contribuíram para a dramática evolução pandé- mica que agora se verifica.
Só no Norte do país, e segundo um relatório da respectiva Administração Regional de Saúde, o número de novos casos de infeção pelo SARS-CoV-2 mais do que duplicou em 19 concelhos, no curto período que decorreu entre a última semana de Dezembro e a primeira de Janeiro.
É de inteira justiça reconhecer que a esmagadora maioria dos portugueses teve um comportamento cívico exemplar. Sacrificou as tradicionais festas natalícias, aquelas que costumam reunir a família geograficamente espalhada, para não se arriscar nem colocar em risco os seus familiares. E com tal postura civicamente responsável não só contribuiu para o bem-estar dos seus, que já não seria pouco, como, inclusivamente, manifestou a sua solidariedade, embora de uma forma indirecta, para com os profissionais de saúde, os primeiros e principais grandes guerreiros do combate à pandemia.
As novas medidas que nos vão ser impostas, naturalmente mais restritivas, como a grave situação aconselha, constituem como que a factura que todos iremos pagar pelos erros de uns tantos. Serão regras que vão com certeza penalizar muitos inocentes – todos quantos seguiram escrupulosamente as indicações das autoridades e respeitaram as regras entretanto estabelecidas. Restrições que vão punir pequenos empresários, os quais terão que encerrar os seus negócios e, desse modo, colocarem em causa o seu ganha-pão. Vão engrossar o enorme grupo de vítimas inocentes da pandemia, sim, mas principalmente da incúria e irresponsabilidade de alguns que teimam em ignorar as boas regras de vida em sociedade, que desprezam a solidariedade para com os seus concidadãos.
Com o novo confinamento, que face aos números que vão sendo conhecidos acaba por se revelar tardio, é expectável um crescendo de consciencialização e civismo da população, mas também a rectificação daquilo que, conforme reconheceu Marcelo, “não correu bem na coordenação [de serviços do Estado] entre a Saúde e a Segurança Social”. Por outro lado, a situação também recomenda o reforço da aposta no Serviço Nacional de Saúde, tanto mais que o processo de vacinação já iniciado é extremamente moroso, pouco compaginável com as legítimas, mas enormes, expectativas que se criaram à sua volta.
Todos sabemos que o enorme esforço, frequentemente quase sobre-humano, dos profissionais de saúde tem sido a pedra-de-toque, a ajuda indispensável que mantem a operacionalidade do SNS em níveis aceitáveis. Mas a resistência humana tem limites e, no caso dos profissionais de saúde, atingir essa fronteira pode ter consequências desastrosas para todos nós.
É com a conjugação de todas estas dimensões – medidas adequadas de confinamento, escrupuloso respeito pelas regras que vierem a ser determinadas, e reforço substancial, em meios técnicos e humanos do SNS – que poderemos enfrentar com melhores expectativas as ondas de uma pandemia que revolucionou a nossa forma de vida a tal ponto que, qualquer que seja a sua evolução, no futuro nada será como dantes. Ou seja, teremos todos, cidadãos e decisores políticos, que nos acostumar à nova normalidade.

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