Correio do Minho

Braga, sábado

Os tiques

Noam Chomsky, um pensador crítico do mundo actual

Escreve quem sabe

2013-04-21 às 06h00

Joana Silva

Quando se observa alguém que, por exemplo, sentado agita a perna freneticamente, automaticamente somos despertados para duas possibilidades, isto é, de que essa pessoa poderá estar ansiosa perante algo ou então pressupõem-se que seja um tique. Não verdade, a ansiedade está intrinsecamente na origem do tique como veremos mais adiante. Se os “graúdos” padecem de tiques, os mais pequenos não são excepção!
Importa referir que existem dois tipos de tiques, os motores e os vocais, sendo que os motores, manifestam-se essencialmente nos movimentos e os vocais exprimem-se nos sons. Ressalve-se que em ambas as situações são espontâneos, de curta duração, inconscientes e repetitivos. A titulo de exemplo, os tiques motores são muito diversificados, desde o piscar os olhos, encolher os ombros, “abanar” o pescoço ou uma das pernas, fazer caretas ( “torcer” o nariz, “encolher” a boca). Por sua vez, os tiques vocais exteriorizam-se na produção de sons, como por exemplo, tossir, fungar, ou podem manifestar-se na enunciação de verbalizações, incluindo a repetição de palavras ou frases. Os tiques aumentam tendencialmente em estados de maior ansiedade, cansaço e stress e diminuem em situações em que criança está focada ou concentrada numa actividade particular ou quando está descontraída. Os tiques desenvolvem-se sobretudo na infância, atingindo o seu “pico” no inicio da adolescência, e por norma, atenuam ou desaparecem no inicio da vida adulta. Especialistas da área indicam que os tiques são passageiros. Todavia, acrescentam ainda que, na presença de diversos tiques motores e pelo menos um tique vocal, de cariz ininterrupto, ou seja, reproduz-se várias vezes ao dia, que pode ser de ocorrência diária ou de forma descontinuada por mais de um ano, e ainda que se repercute significativamente ( interfere negativamente) no quotidiano da criança, são indicadores da presença de Síndrome de Gilles de La Tourette.
Os tiques fragilizam, normalmente, a auto estima da criança e cabe aos pais, o carinho e a atenção a fim de que os filhos ultrapassem o problema. Torna-se importante que os pais se “coloquem no lugar” da criança e percebam que controlar um tique não é tarefa fácil. É igualmente importante reconhecerem que ao repreenderem a criança, para que termine ou controle o tique surte o efeito oposto ao pretendido, pois a criança em situações stressantes ( e não só, também na presença dos amiguinhos ou familiares) tende a ficar mais nervosa, ou ansiosa e o tique manisfesta-se mais intensamente logo o melhor é mesmo …ignorar a presença do mesmo. Na sua maioria, os pais crerem que o “chamar a atenção” constante são as atitudes mais sensatas para extinguir o tique mas na verdade não é. Os tiques, tendem a desaparecer espontaneamente, deste modo, o mais acertado é tranquilizar a criança para a extinção breve do mesmo. Em alguns casos, nomeadamente no diagnóstico do síndrome atrás referido, é necessário o acompanhamento psicológico especializado.

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