Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Os resíduos na Europa

As Bibliotecas e as Escolas

Ideias

2010-11-10 às 06h00

Pedro Machado

Na perspectiva da preservação e da alteração da tendência de degradação do meio ambiente, que muito nos preocupa, divulgo alguns dados sobre a produção de resíduos, na Europa.
Segundo dados publicados em Março deste ano, os cidadãos europeus produzem, em média, 522 kg de resíduos urbanos, por ano. A previsão da Agência Europeia do Ambiente é que este indicador aumente até aos 680 kg em 2020, isto se os padrões de consumo habituais se mantiverem.

Actualmente, os resíduos urbanos da Europa são encaminhados para aterro (49%), incineração (18%), reciclagem e compostagem (33%) e, apesar da reciclagem e da incineração terem aumentado, as quantidades absolutas de resíduos encaminhados para aterro não estão a diminuir face ao aumento de geração de resíduos.

Um estudo do Eurostat mostra que a produção de resíduos apresenta um padrão distinto em cada Estado Membro, ou seja, os resíduos produzidos, por ano, por indivíduo, variam entre os quase 300 kg na República Checa e os 800 kg na Dinamarca. Estes valores podem ser interpretados na perspectiva dos diferentes padrões de consumo e, por sua vez, de poder de compra. No topo da lista, a acompanhar a Dinamarca, aparecem também a Irlanda (786 kg) e o Chipre (754 kg) enquanto que a Roménia, a Polónia e a Eslováquia produzem menos de 400 kg por pessoa. Os valores indicados pelo Eurostat referem-se aos resíduos domésticos, recolhidos pelas entidades municipais.

As estatísticas contemplaram igualmente os tipos de tratamento de resíduos privilegiados em cada País. A maior taxa de reciclagem europeia pertence à Alemanha (46%), Bélgica (39%) e Suécia (37%). Impressionantes são os valores Eurostat para a Bulgária, Roménia, Lituânia, Malta e Polónia que encaminham a quase totalidade dos seus resíduos domésticos para aterro.
O “polémico” tratamento por incineração é a escolha da Dinamarca (com 53% dos resíduos encaminhados para incineradoras) enquanto que a compostagem tem a sua maior expressão na Áustria (com 38%).

Embora estas estatísticas não incluam Portugal, ao nível do encaminhamento e tratamento dos resíduos, passos importantes já foram dados no nosso país. Os quantitativos de resíduos encaminhados para tratamento e, em particular, para reciclagem têm aumentado nos últimos anos, revelando resultados positivos quanto à receptividade das inúmeras campanhas de sensibilização que têm sido feitas.

Veja-se o caso da Braval: 1000 toneladas recolhidas em 1999 - 14000 toneladas recolhidas em 2009, um aumento de 1400%!!!
Outro sinal de “vitalidade” no sector dos resíduos, é o aparecimento de novas fileiras de reciclagem, como é o caso das pilhas, dos pneus usados, dos óleos alimentares usados ou dos resíduos de construção e demolição.
Ao nível da recolha, um “passo de gigante” foi também a colocação de mais e melhores ecopontos.

Na área da Braval, foram colocados inicialmente 300 ecopontos, passados 10 anos, existem já cerca de 1250 ecopontos, espalhados pelos seis municípios abrangidos, numa média de cerca de 1ecoponto/320 habitantes. Para além disso, Braga é o concelho com mais ecopontos subterrâneos per capita, a nível mundial.

Depois da constatação dos problemas ambientais levantados para aterros (nomeadamente quanto à sua monitorização e controlo) e do “chumbo” da incineração, as opções passam por uma melhor implementação da recuperação de orgânicos, supondo que a eficiência na separação de resíduos para reciclagem terá tendência a aumentar.

A Braval vai iniciar, em Dezembro, a construção de uma Unidade de Valorização Orgânica, com Tratamento Mecânico e Biológico prévio. Com a implementação desta unidade, dá-se mais um passo no sentido do paradigma da valorização, cada vez mais, o aterro sanitário será a solução de último recurso.
Esta é manifestamente a intenção da União Europeia que já espera resultados positivos a partir de 2010…

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