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Os progressos no trânsito em Braga

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2016-09-04 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Nos últimos 150 anos, as alterações no sistema de transportes foram várias, colocando ao serviço da sociedade meios rápidos, seguros e com maior capacidade de transporte de passageiros e de mercadorias.
Ao nível dos transportes urbanos, essas alterações verificaram-se de forma bem vincada. Até à década de setenta (séc. XIX) predominavam na cidade os carros de bois e os cavalos. As fezes que estes animais espalhavam pela cidade, e que provocavam um odor intenso, eram tantas que alguns habitantes apressaram-se a circular pela cidade, com cestos, a apanhar “esta bosta” para fertilizar os campos!
Em 1877 foram colocados em circulação os carros americanos. Durante 37 anos foi este o transporte que se manteve em funcionamento, apesar de críticas que surgiam por parte dos moradores e até dos turistas, ao sentirem-se incomodados e sujos com o fumo que saía destas “chocolateiras”, como os bracarenses gostavam de as denominar.
Em 1914 foram colocados em circulação os modernos veículos de tração eléctrica, que se mantiveram durante 49 anos, sendo depois substituídos pelos “trólei-carros”, um novo sistema de transporte público de passageiros, que alguns julgavam então mais eficaz e moderno.
Estes transportes públicos misturavam-se com os parcos automóveis particulares que existiam em Braga. Alguns condutores raramente cumpriam as regras de trânsito, exibindo-se a alta velocidade pelas ruas do centro, assustando as pessoas que encontravam e sujando as mercadorias que estavam expostas à porta das lojas. No mesmo contexto encontravam-se as bicicletas, surgindo várias queixas de cidadãos que se sentiam ameaçados pelos ciclistas, pois estes circulavam a alta velocidade, de noite e sem luz de presença. Como consequência, muitas pessoas foram atropeladas, algumas delas parando no hospital!
A partir da segunda metade do século XX, existiu mais cuidado no ordenamento do trânsito na cidade, havendo a preocupação de o retirar gradualmente das ruas do centro histórico.
A primeira grande decisão neste contexto surgiu em julho de 1968, quando o Presidente da Câmara Municipal de Braga, Viriato Nunes, apresentou a proposta de retirada do trânsito automóvel de parte da Rua do Souto (entre a rua Francisco Sanches e o Largo Barão de S. Martinho). Os argumentos eram claros: eliminar o perigo que os transportes automóveis representavam para as pessoas que circulavam no centro da cidade.
Como é normal nestas ocasiões, houve quem concordasse e quem discordasse desta proposta. No entanto, a mesma avançou e, desde aí, muitas outras decisões foram tomadas no sentido de retirar o trânsito do centro da cidade.
Atualmente, apesar da área considerável para peões que existe no centro da cidade, há no entanto uma alteração que deve tornar-se realidade, num curto ou médio prazo: a retirada do trânsito automóvel na Rua dos Chãos.
Sendo uma das ruas mais centrais de Braga e, por consequência, com grande movimento de pessoas e de comércio, torna-se necessário a retirada do trânsito automóvel nesta rua, ficando apenas a circulação a transportes de mercadorias, de passageiros e de urgência.
A utilidade desta rua, para o trânsito automóvel, é quase nula, senão vejamos: quem quiser circular para a Avenida da Liberdade, continuará a utilizar o túnel (com entrada junto ao Centro Comercial Braga Shoping); quem quiser deslocar-se para a zona de Infias, ou para a Central de Camionagem de Braga, seguirá da Av. 31 de Janeiro diretamente pela Rua de Santa Margarida.
Ainda neste contexto de trânsito, torna-se urgente destacar outra alteração: a criação de uma terceira faixa de rodagem na Avenida António Macedo.
Em períodos de maior intensidade de trânsito, verifica-se nesta avenida uma grande dificuldade de circulação, principalmente de transportes públicos, de ambulâncias ou ainda de carros de Bombeiros. Há poucos dias, por necessidade de realização de pequenas obras nesta avenida, foi possível verificar a longa fila de trânsito que lá se formava e a dificuldade que as ambulâncias tinham para se descolar para o Hospital, serpenteando perigosamente pelo meio do trânsito semi-parado e de constantes toques da sirene!
Há na Avenida António Macedo largura suficiente para ser criada uma terceira faixa de rodagem (no sentido A11 - Hospital de Braga) destinada exclusivamente a transportes públicos e de emergência. Uma faixa devidamente assinalada e exclusiva a este tipo de transportes!
A evolução natural de uma cidade faz-se de constantes progressos. Estes são alguns deles.

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