Correio do Minho

Braga, segunda-feira

- +

Os portugueses merecem uma boa governação

Regresso às aulas e acesso ao ensino superior

Os portugueses merecem  uma boa governação

Ideias

2022-04-07 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

Portugal tem finalmente o novo Parlamento e Governo. Passados dois meses depois das legislativas, os eleitos e o governo tomaram posse. Agora, o que os portugueses precisam e merecem é de um bom governo. Não há desculpas para mais adiamentos, o governo tem maioria absoluta e muitíssimos fundos europeus. Como já várias vezes o afirmei, o Governo inicia a legislatura com todas as condições para executar o seu programa. Não tendo mais as desculpas de que não tem maioria ou de que lhe faltam recursos financeiros. Com o Plano de Recuperação e Resiliência (a bazuca) e o Quadro Financeiro Plurianual, Portugal dispõe de uma média diária de 23 milhões de euros até 2027.
Nenhum outro Governo teve ao seu dispor os fundos e instrumentos financeiros que António Costa tem.
Por isso, não é aceitável que Portugal continue a definhar estando cada vez mais na cauda da Europa. Na verdade, os governos socialistas levaram à estagnação de Portugal e ao seu declínio no quadro europeu. Portugal é a quinta economia da UE com o pior nível de financia- mento do investimento público, em termos da % do respectivo PIB. É também o segundo país que menos despende do seu orçamento de Estado para esse investimento, a seguir à Espanha. Somos o Estado-membro que mais depende do orçamento da UE para o investimento pú- blico. Definitivamente, os governos socialistas são os maiores inimigos do investimento público.
O COVID-19 teve um forte impacto no emprego dos jovens europeus, mas o impacto mais negativo e a recuperação mais lenta é em Portugal. A taxa de emprego na União Europeia entre os jovens (15 - 29 anos) no terceiro trimestre de 2021, regista as maiores descidas em Portugal, Bulgária, Letónia, República Checa e Polónia (todos com pelo menos -3 pp no terceiro trimestre de 2021 em comparação com o terceiro trimestre de 2019). Estamos sempre em destaque nos mapas europeus, mas pelas piores razões.
Estamos a ser ultrapassados, em termos de produção de riqueza, todos os anos por países europeus que estavam muito atrás de Portugal antes de aderirem à UE como por exemplo a Lituânia, Estónia, República Checa, Eslováquia, Polónia e Hungria. Pelo andar da carruagem seremos ultrapassados em breve pela Roménia. Este definhamento não pode ser encarado como uma fatalidade. Os portugueses merecem um Portugal competitivo, com melhores salários e pensões, mais qualidade de vida.
As bases de uma boa governação são a competência, o envolvimento e a coragem. As medidas duradouras a implementar precisam de consenso da sociedade e do apoio dos partidos do arco da governação. Não se pode estar constantemente no faz e desfaz consoante a mudança de governo. A previsibilidade é essencial ao investimento.
Há dois sinais deixados pelo Primeiro-Ministro, no arranque da legislatura, que me deixam receoso e apreensivo quanto ao rumo deste governo. Em primeiro lugar, foi apresentado ao país uma equipa governativa que só sente a capital. António Costa formou um governo com ministros quase todos nascidos e criados em Lisboa. A coesão deveria começar por uma equipa representativa do território. Sabiam que na Alemanha não há nenhum Ministro que seja oriundo da capital de Berlim? Em França, apenas dois Ministros nasceram em Paris, num total de 19. Nos Países Baixos apenas dois ministros são de Amesterdão e em Espanha apenas seis são de Madrid. Em Portugal, só há bons quadros em Lisboa? Será que é isso que António Costa nos está a querer dizer?
Outro sinal alarmante é o próprio programa de Governo que passa ao lado de toda a nova conjuntura. Os socialistas ignoram a guerra que vivemos. A realidade alterou-se. Há medidas urgentes que têm de ser tomadas para apoiar as famílias mais pobres e as empresas em dificuldades. Temos de ter respostas para enfrentar as dificuldades decorrentes da guerra provocada pelo Sr. Putin. A UE tem dado soluções e instrumentos que os governos devem aproveitar.
António Costa tem a obrigação de ter sucesso. Espero que tenha coragem para modernizar Portugal e trabalhar para um Portugal coeso e competitivo. Estou certo de que também partilha do objetivo que deveria ser comum: Trabalhar por um Portugal Melhor, a favor de todos os portugueses.
O PSD tem um papel importantíssimo a desempenhar. Terá de ser exigente, vigilante e estar pronto para assumir a governação. Apesar da maioria absoluta do Partido Socialista é sabido que António Costa quer o cargo de Presidente do Conselho Europeu o que pode ocorrer em finais de 2024. Por isso, o Presidente da República fez bem em avisar, na toma- da de posse do governo, que convocará eleições antecipadas se António Costa sair.
Sei que o PSD não se demitirá das suas funções e será sem hesitações ou inibições uma oposição forte, construtiva, pro-activa e vigilante. O PSD combaterá a anestesia em que vivemos para que se reverta a estagnação e a sonolência provocada pelo governo socialista. O PSD e a nova liderança exigirão que o governo trabalhe por um Portugal coeso e competitivo.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

03 Outubro 2022

O Memorial do Aeroporto

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login Seta perfil

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a Seta menu

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho