Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Os pais do Natal!!!

Escreve-se mal, bem ou assim-assim?

Ensino

2016-12-07 às 06h00

Lia Oliveira

E pé ante pé lá chegamos nós sorrateiros ao final de mais um ano com a típica frase “passou rápido!”. Surpreendentemente este ano a minha azáfama é outra, se nos outros reclamava porque o ano era cada vez mais pequeno, o Natal começava em outubro (pelo menos as decorações assim o demonstravam), os shoppings estavam sempre abarrotar pelas costuras enquanto todos se queixam da “crise” (qual crise?), entre tantas outras coisas.

Este ano os 92cm de gente que habitam há 2 anos lá em casa já percebem que o Pai Natal “existe” e exigem a perícia necessária para lhe encher a cabeça com as ideias fantásticas da magia do Natal, cheio de duendes, renas com narizes cintilantes, um senhor gordinho que consegue numa única noite dar a volta ao mundo todo, enfiar num trenó do tamanho de um monovolume as prendas para milhões de crianças e ainda por cima, a sua “elegância” não o impede de descer por qualquer que seja a chaminé. Fabuloso!

Mas os “92cm de gente” sabem umas coisas, sabem que o Pai Natal traz prendas e sabe-se lá como aprendeu que precisamos de uma árvore grande com muitas luzes para ele saber onde fica a nossa casa. No meio deste processo todo surgiu a fantástica ideia de escrever a carta ao Pai Natal. Erro, erro, grande erro! Teria sido muito mais fácil explicar que no meio de tanta magia ele consegue adivinhar o que nos vai na cabeça. Teria evitado um dia a reescrever várias coisas diferentes em que a mais simples foi “um cavalo que come palha”.

Ir às compras é uma autêntica loucura, e não é porque existem brinquedos em todos os lados a dizer “leva-me”, parece que estão a sobrevoar todo os cantos e esquinas, mas porque existe um Pai Natal em todo o lado. Lá vou tentando inventar mais algum episódio da mágica história do Natal que me faça virar a página e fugir sem choros nem gritos. Afinal, vendo bem as coisas, o Pai Natal é o que cada pai/mãe quiser. Cada um de nós conta e vai esculpindo o senhor das barbas como lhe dá mais jeito. Às vezes até faz com que a sopa seja toda comida num abrir e fechar de olhos.

Um bocadinho ínfimo deste senhor até roça a verdade, algures na Turquia, viveu o São Nicolau que no séc. IV tinha o costume de oferecer moedas de ouro às pessoas colocando-as nas suas chaminés. O resto é muita imaginação e uma grande ajuda da Coca-Cola. Sim da Coca-Cola que começou em 1920 a usar a imagem do velhinho, de vermelho, gordinho e de barbas brancas dando-lhe vida no nosso imaginário, sendo que a partir de 1931 ficou como o conhecemos, muito doce e amável. Quem diria que uma ação de publicidade de um refrigerante comandaria os sonhos de biliões de crianças, influenciaria as vendas de milhares de marcas, comandaria sentimentos e ditaria ações durantes décadas?!

Nós precisamos disto, destes momentos de esperança, destes recomeços para ganhar fôlego e olhar em frente. É talvez por isto que o Natal tenha ganho tanto impacto, precisávamos de um momento em que pudéssemos balancear tudo, unir a família e voltar a sonhar. As crianças são apenas um meio de o podermos fazer sem filtros, nem julgamentos, porque são puras e acreditam em nós e em toda a magia que lhes queremos passar. Mas nem tudo é magia…

Espero que haja a magia que faça o Mundo olhar para a Síria em vez de lhe dar dois minutos num qualquer telejornal, espero que o Acordo de Paris seja realmente um ponto de viragem histórico para a redução do aquecimento global, que o fluxo migratório no mediterrâneo se torne uma memória, que a campanha de Donald Trump tenha sido uma bela encenação, que o ritmo de crescimento económico português continue. Espero um Mundo melhor!!!
A todos um Feliz Natal, e aos pais “boa sorte” na saga de cultivar a deliciosa magia natalícia!

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