Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Os novos desafios

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Ideias Políticas

2012-06-19 às 06h00

Francisco Mota

Hoje vivemos num Mundo completamente absorvido pela tecnologia, aonde o desenvolvimento social depende inteiramente da sua relação com esta nova realidade.
Deixamos de viver dentro da nossa caixa de sapatos para que pudéssemos com um dedo tocar em qualquer parte desta grande aldeia global em que se tornou o nosso planeta. Percorrer a Humanidade, contactar com o multiculturalismo, fazer negócios, conhecer uma religião ou estreitar relações é algo que se se concretiza num segundo em qualquer lugar e em qualquer momento. Nunca as raças e identidades tiveram tão próximas de si, bem como nunca se conheceram tão bem como agora.

Mas nesta revolução social o que mais me faxina é o poder que as redes sociais atingiram, não na transformação do Homem, mas na abertura de novos desafios que impõem aos líderes políticos. E perceberão mais à frente o que quero dizer com isto, mas sem antes poder assinalar a incoerência que é esta nova realidade de contacto interpessoal.

As redes sociais fizeram com que a humanidade regredis-se no desenvolvimento interpessoal, esta nova geração desafia-se a si mesmo como sendo mais retrógrada do que os seus próprios avós. Se estes últimos namoravam à janela, apreendiam em salas diferentes do sexo oposto ou teriam que viver sobre a saia e a disciplina dos pais, os jovens de hoje condenam-se em si mesmo sem que alguém os obrigue. Debruçam-se numa janela tecnológica, o computador ou o ´tablet´, a onde contactam sem que se contactem fisicamente, criando barreiras entre o sexo oposto, e saem da casa dos pais bem mais tarde.

Nestas mudanças de realidade imperou uma obrigatoriedade exclusiva de mudança ou de moda, e nunca num ponto de vista de progresso alicerçado no fomento da responsabilização, dos valores, da disciplina e da educação. Hoje esta nova ferramenta de trabalho e desenvolvimento, tornou-se num vício, e como todos os vícios em exagero faz mal, e acarretam consequências por vezes irrecuperáveis.

Espero sinceramente que em sociedade sejamos capazes de nos reeducar, para que aquilo que pretendíamos como progressismo, não se torne num retrocesso profundo, a onde as maleitas são muito difíceis de sarar. Precisamos de encontrar um modelo de equilíbrio, para que nunca ponhamos em causa a verticalidade humanista e responsável em que investiu a geração dos meus pais.

Contudo, o maior desafio vai directamente para os responsáveis políticos, porque há um novo despertar com toda esta implantação tecnológica, e que se apresenta bastante positiva na sustentabilidade socioeconómica da sociedade contemporânea. Basta pensarmos que as redes sociais já custaram o derrube de regimes totalitaristas, ou que criaram espaço para o aparecimento de movimentos sociais.

Muito mais que o poder que estas deram a quem as utiliza, o mais empolgante foi e é a capacidade de trabalho, conhecimento, troca de experiências, comunicação, proximidade, complementaridade e tantas outras coisas de que capacitaram a humanidade. E isto é um sinal para quem detém o poder decisório, na medida em que se exige uma nova capacidade de fazer política, a onde as redes criadas devem ser constantes, para que se faça um caminho sem nós e livre nas escolhas das novas gerações.

O atirar de dinheiros públicos para as instituições foi um erro, porque não basta dar é necessário capacitá-las de método de trabalho e gestão de recursos, e a melhor forma de o fazer é estabelecendo o contacto e reforçando as redes. Construir pontes para derrubar os muros das dificuldades é a estratégia de uma sociedade moderna e responsável.

Quer no negócio empresarial, ou nas instituições, nunca podemos olhar para o outro como um inimigo, mas sim como um parceiro. E este exemplo deve ser dado por quem nos governa e representa, o Estado não tem que dar e fazer tudo, tem sim é que edificar as ditas pontes para responder às necessidades do seu povo.
A nossa geração quer menos Estado e mais redes.

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