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Os ‘meia-nau’ e com o ‘esperto no cabeço’

Futilidade Aberrativa Pomposa

Os ‘meia-nau’ e com o ‘esperto no cabeço’

Ideias

2019-12-28 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

São figuras e personagens que vêm ‘enchendo’ o nosso país, há muito tornado num ‘albergue’ de gentes e pessoas de distintas e diversificadas etnia, raça, cor, costume, cultura, religião, hábitos e tradições, numa micegenação e intercâmbio humano de inquestionável valia, aqui complementadas pelas leis e subterfúgios da cidadania, mais além enriquecida e sublimada pelas relações de interpenetração e de absorção ao longo dos tempos e gerações. Aliás em Portugal, um país de braços abertos, acolhedor e em vivências de comunicabilidade de vida, só ocasionalmente se é confrontado com fenómenos exógenos, anómalos e estravagantes de actos de xenofobia e racismo, logo aproveitados por ‘populistas’ e ‘esquerdalhos’ profissionais ou de ocasião, embrulhados na política, para a qual vivem deambulando pelos palcos do dia a dia em ordem a obter outras e melhores condições de vida, em subir de nível pessoal, em ‘alcançar’ projecção social, em ‘alardear’ conhecimentos e mais valias e conseguir dinheiro e satisfação dos interesses pessoais. Uma área onde se impõe e é eficaz dizer-se ‘democrata’ e de ‘esquerda’ e onde surgem e vingam os ‘meia-nau’ e tipos com o ‘esperto no cabeço’.

Duas classes de gente que nos últimos tempos se vêm espraiando pelos poder e política, encontrando nos louvaminhas e nas claques partidárias, e nos palermas também, os ‘alfobres’ propícios à sua germinação. O que já vem de longe e é natural num país que facilmente se ‘entusiasma’ com os fenómenos, os mitos e os foras de série, sendo ‘gente grande’ e ‘valorosa’ quem fala ‘alto’ e ‘grosso’. Foi nos anos 70, no Porto, que ouvimos pela vez primeira a expressão ‘meia-nau’ a qualificar uma certa pessoa, o que de início nos intrigou mas que acabámos por compreender e absorver dado ‘retratar’ os que só têm ‘proa’, os que agem, actuam, procedem e falam ‘forte’ e ‘grosso’ como se tudo quanto dizem fosse emanação de inteligência, saber, experiência e conhecimento quando afinal tão só deixam passar incompetência, inabilidade, vacuidade e ‘ocacidade’. E num país que cresceu com as naus a riscarem os mares e a descobrir novas terras, gentes e culturas, afigura-se-nos natural que se tenham por ‘meias-naus’ quem passa o tempo a exibir apenas ‘proa’, sendo de igual modo natural evocar aqui uma observação ‘recolhida’ em África onde um nativo se referia a outro dizendo que tinha ‘o esperto no cabeço ... até parece branco!’, assim ‘assacando-lhe’ inteligência, arrogância, saber e cultura quando era manifesta a escassez de tais predicados. Expressões profundas e ricas que nos dias de hoje, face a toda a comunicabilidade, à globalização, à intervenção dos media e à generalizada politização, cada vez assumem uma incontornável realidade, até porque os media passam o tempo a ‘meter-nos’ dentro de portas todo uma pléiade de ‘meias-naus’ e de tipos com ‘o esperto no cabeço’ a debitar conhecimento e opiniões sobre tudo e todos, e com o maior dos à vontades, falaceando e arrazoando com todo o descaramento e sem vergonha.

Por falar nisso, ‘calou-nos’ bem fundo o ‘desavergonhado’ raspanete dado ao Ventura pelo ‘sem vergonha’ e ‘democrata’ Ferro Rodrigues, aliás chocado com o ‘vergonhoso’ paleio do deputado no parlamento a usar e abusar da palavra vergonha, e ‘agradou-nos’ imaginar o ‘tau-tau’ que o Marcelo vai dar ao Ferro face à queixa do Ventura. E é muito ‘bem feito’! O homem não foi eleito pelo povo? Não pode falar? Onde está o direito à liberdade que a ‘esquerda’ apregoa? E a ‘democracia’? Ah! Percebemos! Afinal este sistema é antes uma partidocracia e fala e diz o que quer só quem for de esquerda, ‘democrata’ do sistema, de preferência do partido do governo ou da ‘margem esquerda’ e com aspecto ‘geringonçado’. Quanto ao Ventura, que não é nada gago, deixem-no lá falar das suas ‘vergonhas’ (só não as pode ‘mostrar’!) e não lhe dêem atenção. Ouçam o que diz o pequenote e ‘arauto’ do Marcelo, um ‘democrata’ do sistema que conhecemos desde Fafe, ‘empurrado’ para a Câmara quando ainda usava as fraldas do curso, porque às vezes até diz coisas certas, e não é de todo um ‘meia-nau’. Aliás, tanto quanto se sabe, não escreveu nem mandou nenhuma carta à Greta, como o outro, aliás ‘ensombrado’ com o lítio, o amianto, a seca no Tejo, as falhas dos espanhóis, os gastos de energia, os carros a diesel, os Galamba, as Boticas e Montalegre, mas falando ‘grosso’!... Até a ‘Elsa’ já lhe encheu o Ponsul, o Tejo, o Zêzere, o Mondego e deu fim à seca!...

Quem ficou sem fala, aliás, foi a Flor Pedroso por causa do programa da Felgueiras sobre o lítio e a investigação ao ISCEM, onde teria violado as deontologia profissional e lealdade, mas que se compreende por ser lá professora. Claro que o Costa, cada vez mais com um aspecto ‘nababado’, já não terá a prima para controlar a comunicação nas próximas eleições, mas conseguiu marcar posição com o Centeno, o que era importante por o incomodar. As relações entre eles correm ‘sobre esferas’, diz-se, e o orçamento, com mais ou menos gralha, lá se irá discutir e passará com os ‘truques’ e a mão das ‘esquerdas’, dos ‘esquerdalhos’ e dos que querem um hospital. Quanto aos problemas do SNS estamos falados, como ‘falidos’ e falados estamos em relação aos do ensino, justiça, funcionalismo público, polícias e pensionistas. O ar do Centeno (e sobretudo o sorriso) e do grupo dos ‘piranhas’ das Finanças que o acompanharam ao parlamento levando a ‘pen’, disse-nos tudo.

O nosso ‘Ronaldo’ continuará a tramar-nos com os impostos e as já usuais retenções, pois o seu foco é transformar a redução do déficit em superavit, sendo que “Centeno quer encaixar mais 3,5 milhões/dia”, e os “contribuintes são quem paga excedente orçamental” (CM18.12.19). À custa dos pensionistas e funcionários públicos, o homem do sorriso trocista/enigmático vai alimentando sua vaidade enquanto não deixa Bruxelas e atinge o BP, apesar do povo se ver confrontado com aumentos do custo de vida e dos impostos. Aliás, “a inflação e impostos vão tirar poder de compra às famílias em 2020”, mas “o secretário de estado dos Assuntos Fiscais disse (...) que a subida da carga fiscal é positiva porque se deve ao crescimento económico”, o que “chega a ser ofensivo”, como escreve Esteves Pereira (CM, 21.12.19). Enfim! Dos Centenos deste país, uns ‘meias-naus’ com ‘o esperto no cabeço’, muita vaidade e muita ‘proa’, é inquestionável a sua irresponsabilidade e maldade ao ver sofrer o povo, não mostrando ‘vergonha’ e ‘calando a verdade’.
Alguns deles, dizem as más línguas, até nem teriam dificuldade em manobrar à ré e assumir a realidade do seu mundo, saindo do ‘armário’ onde se fecharam enrolados nos ‘paleio’ e ‘pavoneio’ dos Costas, dos seus ‘lacaios’, ‘democratas’, ‘meias-naus’ e outros ‘palonsos’ do sistema para convencer que tudo está bem, porque o não está. Sendo que, acabando-se-lhes o ‘poder’ e o ‘osso’, serão os primeiros a ‘meter o rabo entre as pernas’ e a apontar as responsabilidades aos outros, como é costume.

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