Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Os jovens, o ensino superior e o emprego

O espantalho

Ideias

2016-11-06 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

A missão das instituições de ensino superior centrada no processo ensino/aprendizagem, na investigação e na formação avançada e na sua ligação com a sociedade, está confrontada com profundas mutações sociais, económicas e tecnológicas, num contexto de promoção de competências inovadoras capazes de responder às necessidades presentes e futuras, cada vez mais focada no desenvolvimento da capacidade de aprender e empreender, das novas gerações.

Neste sentido, as instituições de ensino superior, têm vindo desenvolver uma agenda de cooperação com o tecido social, com o setor público regional e local e com o tecido empresarial. Assumindo-a como um dos seus desígnios estratégicos e um instrumento fundamental de transferência de conhecimento que, definitivamente, se centra numa cultura de diálogo com a sociedade, em desfavor de uma excelência científica e tecnológica, isolada e pouco apelativa ao investimento público e privado.

Uma nova dinâmica, inspiradora de sentido crítico junto da sociedade, com especial enfoque nos jovens, que estimula a qualificação, a captação, a fixação de recursos humanos qualificados, no emprego tecnológico e científico e na dinamização de comunidades de inovação, preparadas para um mercado global exigente e competitivo, assente na investigação e na formação avançada, conjugada com as novas formas de cidadania.

Sendo, neste contexto, que se coloca o desafio da melhoria da orientação escolar dos estudantes, com vista a potenciar a futura empregabilidade dos jovens diplomados. Uma resposta implica uma ligação efetiva, sistemática e institucional das instituições de ensino superior com a sociedade e com economia, através dos setores produtivo, social e cultural, muito focado na adequação da oferta formativa nas necessidades reais dos territórios, na sua dimensão regional.

Caminho que urge ser percorrido de forma muito pragmática, porque somos um dos países com menor grau de adequação, entre as necessidades das empresas em matéria de qualificações profissionais e os perfis disponíveis no mercado de trabalho. Uma agenda que tem vindo a imprimir novas dinâmicas de auscultação e de adequação da oferta educativa pro parte das instituições, que implica uma articulação dos dois subsistemas de ensino superior universitário e politécnico, que passa pela valorização da sua diferenciação, especialmente na perspetiva de complementaridade, através das formações técnicas especializadas de carater profissionalizante, com base nas competências de investigadores e na experiência de especialistas em torno de projetos de investigação e desenvolvimento aplicado.

A retração do mercado de trabalho e a promoção de empregabilidade e do emprego dos jovens diplomados, implica uma reflexão muito cuidada, uma visão estratégica muito clara e uma intervenção muito eficaz, porque são o grupo social mais afetado pelo desemprego, que representa uma percentagem de 14%, num universo de cem mil jovens, nesta situação. Tornando-se imprescindível, neste sentido, o reforço das parcerias e protocolos com empresas, associações profissionais de âmbito local e nacional, e organismos da administração regional e central, visando a concretização de oportunidades de emprego, que assim se abrem de forma promissora.

Tal como afirmou Sebastião Feyo de Azevedo, Reitor da Universidade do Porto, a propósito da Feira Internacional do Emprego Universitário (FINDE.U), as instituições de ensino superior “têm o dever legal e moral têm a obrigação de promover a integração profissional dos seus diplomados”, salvaguardando o facto de não serem agências de emprego. Reafirma, no entanto, a sua missão de promover a formação integral dos jovens garantido as competências científicas, técnicas e artísticas, “mas promovendo igualmente o desenvolvimento de uma consciência social que facilite a sua integração profissional, para o benefício pessoal do diplomado e para o desenvolvimento do país”.

Uma das consequências desse relacionamento mais estreito, tem vindo a desenvolver uma nova atitude dos estudantes e dos responsáveis das instituições de ensino superior, que tem vindo a marcar o seu posicionamento em relação às oportunidades de emprego. Uma nova realidade que se expressa através de um conjunto bastante significativa de feiras, seminários, conferência e congressos, que têm sido levadas a efeito em todo o país, da responsabilidade das associações estudantis e dos órgão de governo das instituições, como é o caso da Feira Internacional do Emprego promovida pelas Universidades de Vigo, do Porto e de Trás-os-Montes e Alto Douro, que teve início na EXPONOR, em 2 e 3 de Novembro, e a 8 e 9 de Novembro no IFEVI, em Vigo.

Uma iniciativa que assenta numa plataforma virtual, que permite a interação dos estudantes e diplomados com as empresas e entidades parceiras, disponibilizando oportunidades de emprego, estágios e a formação em contexto empresarial. Num apelo muito forte à sua participação ao longo de um período alargado, em ambiente virtual, que se aprofunda durante estas feiras em contexto real, de dimensão transfronteiriço da euro-região Norte de Portugal Galiza. Abrindo novos horizontes no mercado laboral para os jovens, na perspetiva de Salustiano Iglesia, Reitor da Universidade de Vigo, pela tendência de crescimento do leque de empregadores e oportunidades disponibilizadas, neste espaço criado pelas três universidades.

Uma agenda que exige novas dinâmicas que passam pela adequação da oferta educativa às necessidades do mercado de trabalho, envolvendo os mais diversos atores na definição das competências orientadas para a inserção na vida ativa e para a promoção da empregabilidade dos jovens, como reconhece António Fontainhas Fernandes, Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Enfim, temos muito caminho a percorrer, mas os sinais são animadores. As mudanças de cultura e de atitude são visíveis, e os jovens estudantes e diplomados são pela sua qualidade e formação, seguramente, o melhor veículo de transferência do conhecimento e das competências técnicas para sociedade, para a economia e para mercado de emprego.

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