Correio do Minho

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Os jovens e a Liberdade

A Biblioteca Escolar – Um contributo fundamental para ler o mundo

Ideias

2015-04-26 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

O dia de ontem ficou marcado, em Portugal, por várias iniciativas que visaram lembrar o dia em que Portugal se livrou do jugo ditatorial que o dominou durante 48 anos.
Com mais ou menos formalidade, com mais ou menos imponência, com mais ou menos protagonismo o principal foi, e continua a ser, recordar um momento importante da nossa história recente e que se encontra bem presente na memória individual e coletiva dos portugueses.

O 25 de Abril está associado à Liberdade e à Juventude e, nesse sentido, torna-se indispensável não só preservar o valor da Liberdade como apoiar e defender os nossos jovens, uma vez que estes foram sempre um dos motores mais fortes das reivindicações e das mudanças que se operaram na sociedade. Por serem novos e por analisarem, viverem e sentirem o mundo que os rodeia de forma diferente, acabam por estar mais abertos e predispostos às transformações necessárias para que a sociedade cresça e melhore.

Muitos dos avanços que se verificaram na sociedade portuguesa, europeia e, inclusivamente, mundial, tiveram o seu início nas ações reivindicativas dos jovens. Pela sua irreverência, muitas dessas manifestações acabaram por surtir efeito, senão a curto, pelo menos a médio prazo. Um desses exemplos foi a geração que surgiu após a Segunda Guerra Mundial e que ficou marcada por um desejo enorme de viver em consequência da morte, da destruição, do sofrimento e do medo provocados pela Guerra.

Após a Segunda Guerra Mundial, verificou-se o fenómeno do “Baby Boom”, ou seja, uma taxa de natalidade superior ao normal e que ocorreu entre 1943 e 1960. Este elevado número de nascimentos esteve na origem da célebre juventude que nas décadas de 60 e 70 reivindicaram de forma admirável uma mudança de paradigma social e cultural.

Estes jovens, celebrizados no Maio de 1968 em França, conseguiram de forma notável chamar a atenção da sociedade para a defesa das suas causas, dos seus valores e das suas novas formas de vida. Foi uma “juventude libertária” que não receou as perseguições feitas pelas autoridades, ou por setores da sociedade mais conservadora, aos seus desejos de liberdade e de afirmação social.

As décadas de 60 e 70 corresponderam a anos de grande rebeldia juvenil, marcada por uma recusa ao excessivo consumismo da sociedade, à tradição dos valores vigentes, dos retrógrados métodos de ensino e da inutilidade das medidas de educação. Deste modo, não se coibiram de se revoltar e de exigir mudanças. Lutaram, exigiram e conseguiram!
Em Portugal, passados 41 anos do 25 de Abril de 1974, verificamos que a geração de jovens com mais conhecimentos e com mais qualificações académicas de toda a nossa história encontra-se num estado de letargia, de submissão e de aceitação de tudo aquilo que lhes é imposto.

Aceitam com passividade o que lhes retiram e concordam passivamente com as oportunidades que não lhes apresentam. É uma geração com receio e com medo da liberdade. É uma geração que não sabe dar o valor devido à vida, não sabendo explorá-la de forma eficaz a seu favor.
Por outro lado é, também, uma geração marcada por uma elevada taxa de desemprego, é uma geração que continua ao cuidado dos pais e mesmo dos avós, e alguns até aí regressam após formarem uma família; é uma geração que ainda não soube encarar de frente a mudança do mercado de trabalho, que não foi preparada para desenvolver várias experiências profissionais; é uma geração que aceita pacificamente o corte nos salários, o corte nos subsídios de desemprego e de doença; é uma geração que estuda, que se forma, que coleciona diplomas e certificados e desanimam, desistem, até devido à falta de oportunidades em aplicarem os seus conhecimentos; é uma geração que se mantém seráfica fase aos escândalos que afetam o nosso país, atingindo figuras de prestígio da nossa área política e económica; é uma geração que aceita passivamente que os mandem, de forma leviana e infundada, abandonar o país, de tal forma que aceitam passivamente que os mandem, também de forma infundada, regressar ao seu país, sem o mínimo de protesto e o máximo de subserviência. É uma geração que não luta e não revindica, por isso, não vence.

Os jovens, para enfrentarem melhor o futuro, devem exigir mais da sociedade, apresentando propostas e medidas que visem a melhoria da sua vida. Devem lutar, reivindicar e vencer, pois desta forma a sociedade progride e cumpre os ideais de Abril e da Liberdade. Porque os jovens merecem um futuro melhor, muito melhor!

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