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Os Heróis da Angústia e do Sofrimento

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Os Heróis da Angústia e do Sofrimento

Ideias

2020-06-07 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Quando, há sensivelmente quatro anos, o jogador de futebol Éder marcou o golo da vitória de Portugal, na final do Europeu 2016, disputado contra a França, a larga maioria dos portugueses passou a apelidá-lo de herói nacional. Esse foi de facto um momento de coragem e de bravura do jogador.
Convém, no entanto, referir que sem o brilhante desempenho desportivo de todos os jogadores, bem como as táticas da equipa técnica e as condições logísticas apresentadas, esse momento de heroísmo não existiria. Neste contexto, os heróis foram todos os que estiveram envolvidos nesta conquista desportiva.
O mesmo acontece com a pandemia que atinge o mundo e, também, Portugal. Justamente apelidados de heróis por todos os portugueses, os profissionais da área de Saúde desempenham um papel determinante no combate a uma pandemia que poucos imaginariam atingir-nos nestes tempos modernos.
Os aplausos e as homenagens efetuadas em Portugal e em alguns países do mundo foram bem merecidos, não só pela exposição como pela coragem que estes profissionais demonstram neste momento tão difícil.
São estes os heróis de um momento anómalo, que atravessamos, pela dedicação demonstrada, pelo elevado espírito de sacrifício nas unidades de Saúde, pelo isolamento ou limitação do contacto com os seus familiares próximos, pela dúvida e receio em enfrentar um inimigo novo e imprevisível. Estes profissionais são legitimamente uns heróis, por tudo que fizeram e fazem pela sociedade.
Nestes últimos meses ao depararmo-nos com um inimigo invisível e tão poderoso houve, no entanto, um conjunto de pessoas, para além dos profissionais de Saúde, que também contribuíram para que o combate a esta pandemia começasse a surtir efeitos e todos pudéssemos começar a ver um possível final feliz. São outros os portugueses que merecem ser recordados pelo papel que tiveram e continuam a ter nesta luta pela saúde pública.
Desde logo, os bombeiros e os polícias, pela exposição exterior a que estão sujeitos, pela proximidade com a população, pelo contributo em manter as diretrizes emanadas pela Direção Geral de Saúde, pelos conselhos dados para que a população se mantivesse confinada em casa. Sem o contributo destes profissionais, o enfraquecimento da pandemia não seria possível.
Uma palavra também para os idosos, aqueles que, pela sua vulnerabilidade, mais sentiram esta pandemia. Aqueles que ao abrigo da solidão esperam voltar a ver os filhos e os netos. Será difícil esquecer as imagens que nos chegavam da evacuação de lares infetados e a forma como foram transportados, em filas arrepiantes de ambulâncias, para outras instituições de recolhimento. O sofrimento destas pessoas, provocado pelo confinamento de cerca de três meses, sem saírem dos lares, sem verem os seus familiares e ainda rodeados por notícias alarmantes sobre um vírus, que os afetou particularmente, é doloroso. Por isso, eles também foram uns heróis de angústia, de sofrimento e de desespero.
É importante recordar ainda o papel daqueles que, durante este período, tiveram a responsabilidade de transportar produtos para as superfícies comerciais, principalmente as do ramo alimentar, desempenhando um papel determinante para o primeiro sucesso no combate à pandemia. Da mesma forma, os que trabalham nas superfícies comerciais, pois mantiveram-se em contacto diário com os clientes, num período em que o medo era generalizado. Estes profissionais também foram uns heróis do trabalho, da resiliência e do serviço público.
Num período em que o país esteve, praticamente, confinado em casa e com receio da evolução da pandemia, há a louvar também o papel desempenhado por todos os que mantiveram os transportes públicos a funcionar, associando-se aqui os que trabalham nas bombas de combustível. Eles também foram uns heróis do trabalho e da confiança que demonstraram.
Ainda o papel desempenhado pela comunicação social. Durante dias, semanas, em que a ânsia por notícias sobre a evolução da pandemia atingia-nos a todos, os profissionais da comunicação social desempenharam um importante papel no seu esclarecimento, na divulgação de conselhos, na elucidação dos dados apresentados pelas autoridades de Saúde. Estes profissionais contribuíram muito para o controlo desta pandemia, que agora parece definhar.
Por fim, os professores, que de um dia para o outro montaram todo um sistema de educação para uma tentativa de ensino à distância. Perante a incerteza quanto ao futuro imediato do ensino, após o encerramento das escolas a 13 de março de 2020, os cerca de dois milhões de alunos viram-se, de repente, confinados em casa, privados da escola, do contacto com os professores e com os colegas.
Num momento delicado, em que os pais repentinamente ficaram em casa com os seus filhos, privados do ensino, foram os professores que desempenharam um papel determinante na alteração dos hábitos e dos métodos de ensinar. E de forma quase imediata, movidos pela responsabilidade em formar gerações, não abandonaram os seus alunos e enveredaram por um ensino à distância que a todos surpreendeu, pela positiva. O contacto entre professor e aluno não foi quebrado, facto que poderá ser determinante no estancar de um eventual abandono escolar precoce.
Todos somos heróis quando tudo corre bem, mas, para isso, é indispensável impedir que a euforia do “já está tudo bem” se apodere de todos e que os sacrifícios efetuados ao longo destes três meses tenham sido em vão. Assim, todos desejamos que as correrias a centros comerciais, a praias ou a outros espaços públicos sejam ponderadas, para evitarmos que as próximas enchentes se verifiquem nos hospitais.

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