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Braga, quarta-feira

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Os filhos e os enteados

COVID-19: Quem testar? Que testes usar?

Ideias

2020-06-21 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Milhões de milhão que em breve entrarão no circuito económico-social, para relançar a produção, para corrigir erros de decénios e promover uma autossu- ficiência europeia, esperançosamente com trocas justas entre países do grande mercado interno, com apoios que diluam assimetrias, para que uns não sejam servos, mais do que outros sejam senhores, para que uns não amarguem por defeito ou penúria, o que a segundos cresce, provocando as dores do excesso e entulheiras do que pouco uso tenha ou de bom se degrade.
Digamos que nos forçamos a acreditar que assim se faça, no subcontinente e cá por anseio maior, e que uma ordem europeia nos toque nos custos e nos benefícios, nos encargos e nos rendimentos, de tal sorte que nem eco reste do quinto de portugueses que teimam, penando abaixo do limiar de pobreza.
Digamos que me capacito que é desta que o barco larga com rumo auspicioso e melhor equipagem, com porões onde caiba o que é de bom, e que falta nos faz, para que deixemos de dar parte de fracos aos olhos daqueles com quem partilhámos sois, águas e areias, cepas e iguarias.
Digamos que acredito nos dirigentes em funções, tanto como eles em nós e em si, compromisso do qual não percam o norte, sendo que, por bom costume, os passemos a ter em casa, dia sim, dia sim, fazendo a resenha da evolução social, como hoje nos debitam mortos e recuperados, sintomáticos e assintomáticos, por vila, por região, por família, com curvas fidelíssimas.
Quão mais fácil não é falar de coisas boas, do que melhoramos por turno, por semana!? Quão mais deleitoso não é seguir o progresso crescente revelado por ministro, por director-geral, pelo porta-voz de uma unidade de missão!? Até as fake news murchariam. Até os populistas de verbo volátil perderiam brilho. Estou em crer que aguentaríamos sem amouxar com tamanha felicidade.
Trabalho se recrie, e bem pago. Quão menos foge ordinário trabalhador aos impostos, por comparação com quem escala tem para encomendar contabilidades criativas, fiscalidades ziguezagueantes, para sedes administrativas deslocalizar, para alhures parquear capitais?
Governe-se para o fraco, que o forte bem se governa! Que mais se ganhe à cabeça, diferencial que uns entesourem em poupança mobilizável, investindo, no limite, em obrigações seguras, que capitalizem empresas, que satisfaçam os planos de investimento a longo prazo do Estado, e que outros gastem como queiram, pagando quantos IVAS o almotacé amealhe. Assim, se é verdade que uma alta remuneratória a todos aproveita, porque se mantêm salários deploráveis, que todas as sinetas assistenciais fazem tinir, logo que o rendimento de um cidadão, de uma família, cai de um mês para o outro?
Que mal eu não diga de patrão que declare mais não poder pagar, por concorrências que erodem margens de lucro, por produtividades que esquálidas são. Sim, porque é isso que repetem desde que medito nestes assuntos. Não digo que mintam, nem eu tenho como confirmar que verdade falem. O que sei, é que, tal como vivemos, dependemos imenso de um Estado, que comprimimos até à penúria, e por algum lado a mudança tem que irromper.
Do jeito que merecemos a transparência das rotas de um vírus, para que não engrossássemos o apuro dos abalroados, do modo que se supõe que de boa cara aceitemos as restrições que todos defendem, elegante e democrático é, também, que nos façam participantes do que os agentes públicos tecem de bem, e de mal. A verdade liberta, e o cidadão esclarecido, tenho eu, que seja o melhor aliado do Estado. Em suma: nós sabemos quanto não toca ao enteado.

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