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Os Direitos Humanos à solta no Liceu...

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Os Direitos Humanos à solta no Liceu...

Voz às Escolas

2019-12-28 às 06h00

Ana Maria Silva Ana Maria Silva

No final dos anos 90 do século passado, a Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Secundária Martins Sarmento (ESMS) publicou a Declaração Universal dos Direitos Humanos em jeito de celebração do centenário da ESMS ao serviços da Educação. O artigo 26.º refere que toda a pessoa tem o direito à educação e que esta deve “visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos…”.
Ao longo da sua existência, a ESMS tem trabalhado para que este ideal seja uma realidade. Além da racionalidade científica e técnica, impõe-se que os nossos alunos desenvolvam uma responsabilidade social e solidária.
A nossa sociedade precisa de pessoas competentes e comprometidas com o bem comum. Pessoas responsáveis e solidárias. Importa que os nossos jovens sejam hábeis nas diversas áreas do saber, mas também firmes em valores éticos e humanos.

Devemos honrar a missão que nos foi entregue, a de ensinar, mas devemos, igualmente, promover uma sociedade inclusiva, ética e socialmente responsável para com os seus. Para com o bem comum.
Para com valores mais altos do que o imediato e o individual.
“Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. As escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. […] Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo.
Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado.

Só pode ser encorajado” (ALVES, Rubem). A ESMS tem sido asas para os seus alunos e, sobretudo, tem-nos encorajado a ver mais além, a querer contribuir com o melhor de cada um, para construir algo melhor.
Rebuscando nas minhas memórias, recordei-me de um projeto em que os Direitos Humanos andaram à solta no Liceu.
No ano letivo de 2006/2007, um grupo de alunos do 12.º ano desafiou toda a escola a estar atenta às realidades do mundo que impediam a Humanidade de atingir o bem-estar desejado, a paz, a segurança, o acesso à educação. No mesmo planeta, no mesmo século, conviviam estranhas formas de vida. A escravidão não estava eliminada, a exploração de seres humanos para fins inqualificáveis era uma realidade.
A falta de acesso à educação continuava a existir. Foram inúmeras as atividades desenvolvidas ao longo do ano letivo, e a escola continuou a trabalhar para que todos estivessem atentos e trabalhassem para reduzir essas desigualdades.

Decorridos 12 anos, verificamos que um dos domínios obrigatórios a ser trabalhado no âmbito da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, é o dos Direitos Humanos. E, mais uma vez, os Direitos Humanos andam à solta no Liceu. Os alunos do 11.º ano, no âmbito da Estratégia de Educação para a Cidadania na Escola, estão envolvidos em projetos de índole diversa que, no seu todo, e ancorados nos princípios e prioridades do Projeto Educativo, pretendem criar dinâmicas mobilizadoras de atitudes para mudarem as pessoas, pois só desta forma poderemos mudar o mundo e ajudar a reduzir a pobreza e as desigualdades que teimam em persistir, “sem deixar ninguém para trás”.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi proclamada "como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver esses direitos e liberdades...".

Três anos após os horrores da IIGuerra Mundial, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas reconhecia não só a igual dignidade de todos os seres humanos, mas também o papel essencial a desempenhar pela educação na promoção desses direitos e responsabilidades. Continuamos a conviver com estranhas formas de vida. Os valores do TER continuam a impor-se, e o ideal está longe de ser cumprido. À Escola cabe a tarefa de garantir que a educação para a cidadania ajuda a promover o desenvolvimento da consciência cívica em matéria de Direitos Humanos. Queremos que eles andem sempre à solta na ESMS.

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