Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Os desafios da OCDE para a formação superior e a economia do conhecimento

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Escreve quem sabe

2018-02-17 às 06h00

Manuel Barros

As duas últimas semanas ficaram marcadas pela realização de alguns eventos, que mereceram a minha particular atenção, de que destacarei alguns, por razões da sua afinidade temática: A apresentação em Lisboa, do Re- latório Preliminar da OCDE, que avaliou em 2017 o estado do sistema científico, de ensino superior e inovação em Portugal; O 7.º Encontro de Gabinetes de Saídas Profissionais - Missão 1.º Emprego, organizado pela revista Fórum Estudante, que decorreu no Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto – UPTEC, uma estrutura no quadro do Ensino Superior em Portugal, que concentra um conjunto de startups e Centros I&D privados, em torno da Universidade do Porto; A apresentação do estudo do Science and Technology Opcions Assessment – STOA, uma unidade especializada independente de consultadoria, junto do Parlamento Europeu, com o título “Antecipar o Futuro – Dez tecnologias que podem mudar as nossas vidas”, apresentado pelo Eurodeputado Carlos Coelho, numa debate com as Associações de Estudantes do Ensino superior de todo o país, no Pólo Zero da Federação Académica do Porto.
Iniciativas marcadas pela atualidade e pertinência dos assuntos tratados, e que vão marcar a agenda política no presente, e nos tempos que se aproximam. Um conjunto de reflexão e debate com uma marca de água comum em torno do ensino superior, do sistema científico, da inovação, da tecnologia e do emprego das novas gerações de diplomados, que pela vastidão, pela profundidade e pela importância de cada uma destas áreas, aconselham um tratamento específico e direcionado, a que regressarei oportunamente. Apesar de ser difícil definir a prioridade e importância de todas estas dinâmicas, vou focar a esta crónica na conclusão do Relatório Preliminar da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Fazendo uma abordagem resumida, a partir das conclusões e dos resultados alcançados, que apontam para o facto de Portugal, “não ter uma estratégia concertada para a ciência, a inovação e o ensino superior”. Uma situação que se reflete em “medidas inconsistentes e uma longa tradição, que conduz a uma duplicação de esforços, medidas avulsas e dispersas, que recorrem a distintas fontes de financiamento, sobretudo na ciência e no ensino superior, separada e diferenciada das políticas de o apoio à transferência do conhecimento para as empresas”. 
Neste sentido, a OCDE aponta para um financiamento previsível e definido para um horizonte de curto a médio prazo, e de acordo com uma metodologia de planeamento com base em quadros plurianuais, revistos de quatro em quatro anos. Defende uma estratégia nacional de longo prazo, com orientações claras para o ensino superior, para a ciência e para a inovação, que exige ações fundamentais e coloca novos desafios aos decisores políticos, aos legisladores e às instituições de ensino superior. Afirmam os peritos que, numa corrida contra o tempo, devem ser agilizados os mecanismos de decisão, capazes de acompanhar o ritmo acelerado de mudança e evolução da ciência e da tecnologia que estimulam a criação de novos mercados, novos produtos e mercados, com impacto direto no crescimento económico e na criação de emprego. Uma dinâmica, que no dizer de Norbert Bormman, na sua obra Dicionário do Futuro, que “quanto maior é a velocidade a que o tempo corre, tanto mais difícil imaginar claramente o futuro”.
Um relatório sobre a ciência e o ensino superior, que muitos afirmam como previsível, refere a importância crescente que têm as qualificações superiores, no quadro atual de uma economia cada vez mais alicerçada na inovação. Onde o conhecimento é cada vez mais uma fator de diferenciação e de mobilidade social, onde se tem verificado uma procura exponencial de qualificações na linha das tendências do mercado de trabalho e no caminho do desenvolvimento sustentável. Um investimento em que as empresas e os cidadãos estão a apostar, a par do acesso à cultura, da qualidade de vida e do exercício da cidadania participativa, pela implicação que a aquisição e a mobilização de conhecimentos e competências de nível elevado, têm na sua integração plena na economia do conhecimento.
Os jovens foram os que mais beneficiam da expansão do ensino superior na última década, revela o relatório. Entre 2000 e 2016, o número de licenciados naquela faixa etária aumentou 22% em Portugal e 17% nos países da OCDE. A Estratégia Nacional para o Conheci- mento e a Inovação que o relatório deverá servir de base para uma “nova geração” de programas operacionais de apoio à competitividade e ao “capital humano”, suportados por fundos europeus para o período 2021-2028, envolvendo os ministros da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, da Educação, da Economia e das Finanças.
A OCDE afirma neste estudo, que Portugal tem doutorados a menos, sobretudo nas empresas, e em situação laboral precária e desperdiça dinheiros públicos, ao financiar bolsas de doutoramento sem priorizar áreas de investigação onde essa informação faz falta, e as empresas “têm de empregar mais e melhor”. Sendo essencial, nesta perspetiva, ultrapassar o legado histórico de uma força de trabalho pouco qualificada para melhorar o nível de vida dos portugueses, e aumentar as qualificações é a chave para alcançar níveis mais elevados de bem-estar e de prosperidade para o País.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.