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Os desafios às bibliotecas móveis no século XXI

Culpas à parte

Os desafios às bibliotecas móveis no século XXI

Voz às Bibliotecas

2021-01-07 às 06h00

Rui A. Faria Viana Rui A. Faria Viana

Em 2018, a actual ministra da cultura, Graça Fonseca, desafiou a Fundação Calouste Gulbenkian a recriar, em conjunto com o Ministério da Cultura e possivelmente do Ministério da Educação, o projecto da biblioteca móvel para o século XXI “para ir de aldeia em aldeia e de escola em escola”. Na ocasião, a ministra falava na abertura da conferência anual do Plano Nacional de Leitura 2027 (PNL), na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que teve como um dos momentos de reflexão a adaptação dos hábitos de leitura às novas formas de linguagem da era digital.

Daí até hoje nada foi pensado nem feito! Ficou o desafio. É pena, pois, as poucas que existem no país (cerca de 60) são sustentadas pelas autarquias e funcionam como extensões das bibliotecas públicas municipais. Desde a aquisição da viatura e a sua adaptação, ao apetrechamento, à dotação com os recursos humanos necessários até à aquisição dos fundos documentais, são as autarquias que as tornam viáveis e funcionais. É certo que, com maiores apoios necessariamente que os meios colocados à disposição dos utilizadores seriam bem melhores. E se há localidades e regiões onde a sua importância para as populações não é significativa, outras há que beneficiam imenso e outras poderiam beneficiar se existissem, sobretudo, onde a dispersão da população, a extensão do território, e as dificuldades de transportes e comunicações até à sede do concelho (onde existe a biblioteca pública municipal) condicionam o acesso a este recurso que pode ser uma mais valia para as populações, quase sempre as mais necessitadas e carenciadas.

Sobre as bibliotecas móveis ou itinerantes como ficaram conhecidas as que foram lançadas pela Fundação Calouste Gulbenkian em 1958, já aqui falamos numa outra crónica (25. Maio. 2017) dando a conhecer os pormenores da rede então criada, abrangendo praticamente todo o país, e da sua importância por permitir o contacto com o livro pela primeira vez a muitas populações. Nesse período, durante o salazarismo, enquanto o livro é considerado um bem de luxo e a leitura fica ao alcance de muito poucos, a F.C.G. desenvolve no país um papel importante na promoção da leitura através da rede das bibliotecas itinerantes que estabelece. Nessa mesma crónica, também nos referimos à biblioteca itinerante que, a partir de 1993, a Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, graças a um protocolo estabelecido com a Fundação Calouste Gulbenkian continua a assegurar, mantendo o empréstimo domiciliário que até aí vinha sendo realizado em todas as freguesias do concelho e assumindo este serviço como uma extensão da biblioteca pública.

É evidente que hoje pretende-se que este modelo seja repensado, possibilitando o acesso, também, às novas formas de linguagem digital de acordo com os novos modos de leitura.
Como já aqui dissemos, foi pena o repto lançado pela ministra da cultura não ter tido o impacto que devia. No entanto, é ao próprio Ministério da Cultura a quem compete assumir a responsabilidade nesta matéria, apoiado naturalmente pelo Ministério da Educação uma vez que as escolas e os seus alunos são potenciais utilizadores deste serviço.
Estamos em crer que muitas populações iriam usufruir de uma colaboração mais estreita entre o governo e as autarquias nesta matéria, por forma a poderem desfrutar de instrumentos e equipamentos diferentes e mais adequados ao tempo em que vivemos.

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