Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Os conceitos e a sua importância

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2016-06-27 às 06h00

Filipe Fontes

“Podemos divergir em pensamento e em interpretações. Nunca na verdade. Porque ela é igual e única. Para mim e para ti.”

Repetindo o que já foi mencionado em anteriores textos - nunca como hoje se fala e discute tanto das e sobre as cidades - não é menos verdade de que, nunca como hoje, se afigura central e de importância acrescida estabilizar e clarificar conceitos para que todos, sem excepção, na medida do seu contexto e interesse, possam melhor entender este fenómeno tão global e intrínseco ao Homem que é a “cidade”.
De facto, na actualidade, fala-se de ordenamento do território, urbanismo e planeamento (urbano) como se fosse uma única, e só, única realidade. De igual modo, dilui-se as diferenças entre plano, programa, projecto e (já não tanto) obra como se fosse possível e natural condensar várias partes numa só parte ou, de alguma forma, “queimar etapas”.
Correndo o risco de algum excesso de simplificação, aqui fica um contributo para que os leitores possam melhor entender estas palavras tão usuais na temática territorial e, assim, melhor participar na reflexão e debate sobre a “cidade”:
1. Ordenamento do território significa ordenar e estruturar. Hierarquizar e sistematizar serão palavras adequadas. Trata-se de dispor os elementos no território por grau de importância, serviço e fim.
A título de exemplo, quando se classificam as estradas como itinerário principal, itinerário complementar, estradas nacionais, regionais, municipais, …, na verdade, não se está a planear mas sim a ordenar o território. Assim como quando se desenha e cria níveis de importância e abrangência na rede hospitalar, rede escolar e tantas outras situações.
2. Planear (urbanisticamente) significa prever e antecipar. Trata-se de estudar a história, analisar criticamente o presente e fixar a (ou uma) solução previsível para o futuro, não só em função da tendência revelada como dos objectivos traçados e a atingir.
É um exercício de suporte à actuação futura que sustentará decisões e opções mas que, por si só, não é suficiente (longe disso) para a execução e concretização.
Entre o ordenamento do território e o planeamento urbano, fixa-se brevemente o texto na palavra “urbanismo”, clarificando que este (urbanismo) é a ciência que estudo o urbano, a cidade e o território transformado. É o conhecimento, o saber e o estudo. Tão só!
Por inerência, plano, programa, projecto e obra são realidades distintas que, embora obrigatoriamente relacionados, possuem autonomia legível e perseguem objectivos delimitados e definidos.
O plano procura a hipótese e a sua constante interrogação para melhor estimar o futuro.
O projecto sustenta-se na probabilidade e fundamenta-se no rigor de desenhos que tentam uma aproximação, tão maior quanto possível, à realidade.
O programa depende do contexto, da necessidade e da vontade. Retrata a motivação funcional, as necessidades físicas e os objectivos de uso a atingir.
A obra será a certeza e, seguramente, o espelho, para o bem e para o mal, do trabalho realizado a montante.
Naturalmente, esta realidade complexifica-se sempre que cresce a escala e a abrangência da acção, sempre que se materializam variantes dentro de cada nível e que tornam a temática do território uma árvore cheia de ramificações. Mas, talvez por isso, se torna tão importante apelar aos conceitos básicos e ao seu entendimento.
Porque nada pior do que palavras certas no lugar errado… porque, na verdade, o seu fruto não será o entendimento. Nem a verdade, de que todos dependem!

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.