Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Os cheiros e os ruídos

O desastre da extrema-direita

Correio

2011-01-11 às 06h00

Leitor

É incrível como as pessoas se afastam de si próprias, cada vez mais! À medida que avançamos no tempo, as pessoas disfarçam os odores naturais do corpo delas para os substituírem por outros que nada têm a ver com elas, por muito agradáveis que sejam e por muito que se possam identificar com a maneira de ser da pessoa.

Não são elas e nada têm a ver com elas! O pior de tudo, é que elas exigem o mesmo das outras pessoas e, se elas não o fazem, já são vítimas de comentários depreciativos!
Quanto aos ruídos naturais, resultantes do funcionamento do nosso corpo, são igualmente reprovados socialmente, por muito inocentes que sejam.

Estas reacções não são mais do que regras sociais que as pessoas se limitaram a engolir sem as digerirem convenientemente. Logo, qualquer ruído ou cheiro proveniente do nosso corpo é muito mal aceite pelo próximo. Deparamo-nos com estas reacções e comentários diariamente, geralmente pronunciados por pessoas que vivem para reparar nesses pormenores.

Depois, é nas crianças e adolescentes que é mais flagrante este tipo de atitudes, uma vez que eles não fazem mais do que copiar as atitudes das pessoas mais próximas que lhes servem de exemplo e lhes incutem essas mesmas regras, não lhes deixando espaço para reflectirem sobre tudo o que lhes ensinam.

Mas há algo que me intriga… não aceitamos nada proveniente do nosso corpo, mas convivemos com cheiros nauseabundos de proveniência desconhecida, cheios de bactérias e outros microrganismos que provocam doenças que mesmo os médicos não conseguem identificar, limitando-se a um lacónico relatório clínico de “é uma virose”!

Convivemos com ribeiros e rios poluídos, fumos negros e nauseabundos que invadem a privacidade das nossas casas, se colam às roupas ainda mal secas… e limitamo-nos a queixar no momento em que passamos por eles, para logo nos esquecermos do assunto.
Todos nós convivemos com toda a forma de ruídos que nos provocam fadiga e doenças, e que acabamos por encarar da forma mais natural, acabando por os ignorar e habituarmo-nos a eles (e nada têm de natural), mas se o corpo faz um ruído é logo notado e comentado, como se de um acto imoral se tratasse!

Se nós aceitamos tudo o que é exterior a nós, porque não fazemos o mesmo com o nosso corpo, aceitando-o como ele é, e consequentemente com o dos outros?
Porque estranhamos tanto os outros?

Não estou a dizer que devemos descuidar a limpeza, só me refiro ao supérfluo! O corpo tem de ser cuidado diariamente, mas não nos podemos esquecer que ele tem o seu próprio cheiro e ruídos naturais, que já nascem connosco e que morrerão connosco. E ninguém é melhor do que ninguém nesse aspecto! Somos todos iguais! Não se deveria repensar a atitude perante estes ruídos e estes cheiros naturais intrínsecos ao nosso corpo?

Fátima Nascimento

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