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Os ‘chefos’ e as ‘chefas’

Bibliotecas humanas

Os ‘chefos’ e as ‘chefas’

Ideias

2019-06-21 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

A palavra chefe tem o mesmo direito a ser «politizada» e maculada como o termo camarada, ao dizer-se «camarados» e «camaradas» como já aconteceu num quadro de pura verborreia política, com muita estupidez à mistura, pelo que também nos sentimos à vontade de “desdobrar” os chefes em «chefos» e «chefas», distinguindo-os, dando assim mais afirmação e importância ao «género» e à «paridade», hoje tão em moda e ... democrático. Claro que não nos incomoda de modo nenhum que neste país de burocracias, chefias, directorias e governadorias ocupem tais lugares pessoas de calças ou de saias (ou vestidos), ainda que nos tempos actuais, dadas as circunstâncias e os pensares, seja muito difícil, perigoso e discutível fazer uma clara destrinça, designadamente no estar, no ser, no viver, no parecer, no comportar e ... até num concreto «chefiar» e «orientar» de um chefe.

Enfim!... Problemas dos tempos, educação, princípios, conceitos e de moda !... Na verdade sempre fomos confrontados com hierarquias ou jerarquias e também chefias, e quem prestou serviço militar sabe bem o que isso representa, sobretudo num «bater da pala», num «pôr-se em sentido» e em dizer «meu» isto e «meu» aquilo quando não se tinha posse do “tipo”, mas apenas que obedecer e cumprir o que lhe era determinado. Muitas das vezes, diga-se, “cumprindo” só por tal lhe ser exigido, pondo-se de parte e indo-se ao arrepio da sensatez que se impunha, do legalmente correcto e até das posições e entendimentos comuns de personalidades com perfil e inteligência reconhecidas. O que, admita-se, nem sempre abunda entre os «chefos» e «chefas», muitas das vezes “limitados” e “cerceados” por outros pensares e superiores interesses ou de classe, «atrofiados» em sua personalidade e maneira de ser e «esganando» as suas próprias vontades. De todo perdidas !...

Problemas de chefia, de hierarquia e de jerarquia, cada vez mais usuais quando os chefes se assumem e se “vestem” como uns verdadeiros «jerarcas», numa submissão de acção e atitude face a regras, normas e outros poderes, deixando-se “embrulhar” em cobardias de funcionalidade e presença, tão só porque “comprometidos” com o seu comodismo e as vantagens e benesses dos lugares que ocupam e não querem perder, tão só alavancando e avançando para situações e decisões que não lhe tragam problemas no Hoje e no Amanhã. O que, reconheça-se, foi sempre muito usual e vulgar acontecer neste país, aliás como a vida e os tempos vêm demonstrando, e a um tal ponto que nos antigos velhos tempos, em que se ouvia falar num certo «Coronel do Norte», constava e dizia-se que tal figura tinha por hábito fazer uma destrinça entre hierarquia e jerarquia, palavras de idêntica raiz grega e de significância paralela mas que sem qualquer rebuço ousava diferenciar e “qualificar”.

Na verdade, conta-se, embora tenha tido sempre a coragem de compreender, respeitar e acatar a hierarquia, seus quadros, ordens e orientações, de uma forma atrevida nunca deixou de “classificar”, “enclausurar” e “meter” numa outra subcategoria aqueles quadros (chefes) que em si mesmos enformariam a «jerarquia». Aliás formatada como uma subclasse minorca que “abarcava” as figuras que se contentavam com a chefia em si, como forma de vida e de penacho, se afirmavam sempre moldáveis, medrosos, demasiado respeitadores, atenciosos e sempre “defendendo” os seus lugares, porque muito mais interessados em si e nos seus poderes. Sempre impantes, sempre muito importantes e senhores do seu nariz e da sua posição, viviam no tempo à espera do momento para um outro salto ou para a reforma, ainda que enrodilhados na insignificância de seus saber, inteligência, conhecimentos e experiência e na nulidade de sua presença funcional, que procuravam disfarçar.

Eram os «jerarcas», normalmente em lugares a que ascenderam por antiguidade ou um qualquer bambúrrio de sorte, e que depois muito “apoquentavam” seus subordinados com suas incompetência, inabilidade, falta de tacto e de saber, preconceitos, amizades e “jeitos”, muitas das vezes acopulados a “muletas” do mesmo jaez. Em regra, diga-se, vivenciando usuais “emprenhamentos” pelos ouvidos nos habituais momentos e encontros de lazer, e ainda nos intervalos entre as idas ao café e as “conversetas” com os amigos e amigas do costume, da mesma laia e função.

E são este os «chefos» e «chefas» a que hoje em dia se tem vindo atribuindo poderes de orientação, direcção, chefia e responsabilidades apesar de suas irresponsabilidade, inabilidade e nesciência na resolução dos problemas e dos «negócios» do país, na governação, na administração pública, nos serviços da Saúde, no Ensino, na Justiça, etc., cada vez mais burocratizados e «jerarquizados», e no pior sentido. Sem personalidade nem coragem para se assumirem e ultrapassarem o “politicamente correcto” e o “estupidamente ridículo”, deixam-se “espezinhar” por ideias e acções «minorcas» em carácter e valências, sempre de resultados perversos.

Aliás, tendo-se em atenção o exarado no JN de 10.5.19, e ainda a propósito de «chefos» e «chefas», dá-se nota de que, seguindo os exemplos dos “Chefões e Maiorais”, “a presidente da Câmara de Góis (PS), Lurdes Castanheira, nomeou para chefe de gabinete o marido”, António Gonçalves, que durante dez anos fora motorista daquela autarquia, “chegou a secretário e depois foi promovido” pela sua Lurdes. Aliás a autarca “justifica escolha com «confiança pessoal»” constando da notícia que “entretanto casaram e, após as autárquicas de 2017, foi renomeado”, pelo que agora em Góis há uma «Chefa», que usa saias e é a presidente da Câmara, e um «Chefo» que usa calças (crê-se) e é chefe de gabinete da «Chefa». Perceberam?!... Ambos vivenciando uma governância autárquica de casal numa “jerarquia” de macho e fêmea e em paridade de género, crê-se!...

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