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Os Caminhos para Divulgação e Evolução das Tradições (O Fado Tradicional 3)

Amanhã vamos falar da Europa e da Eurorregião

Os Caminhos para Divulgação e Evolução das Tradições (O Fado Tradicional 3)

Escreve quem sabe

2019-11-06 às 06h00

Félix Alonso Cabrerizo Félix Alonso Cabrerizo

«A influência que tinha, sem que os outros disso se apercebessem, era da Beira Baixa. Daquelas ondas que o povo da Beira Baixa põe na voz quando canta. Aprendi a cantar em casa, com a minha mãe e as minhas tias. Além disso, trazia dentro de mim o sangue e a raça daquela gente… Ganhei pois o jeito que havia nas canções da Beira Baixa que ouvia a minha mãe e as minhas tias, coisas do folclore, mas como nasci em Lisboa transportei essa forma de cantar para o Fado».
(Amália Rodrigues in Século Ilustrado, 24 de Junho 1968)

Tudo isto confirma em certa maneira o estilo inconfundível de cantar de Amália Rodrigues, e sua polivalência para o canto de diferentes estilos musicais… Por outro lado a grande diva, dizia em diversas ocasiões «que tinha aprendido muitos fados graças a essas cantigas da rua que ouvia constantemente pelas ruas de Lisboa», cantigas muito diversas, pela aglomeração das gentes que moravam na capital que eram de múltiplos lugares diferentes.
Armando Leça (ilustre folclorista) em seu livro “Música Popular Portuguesa” diz “De manhã a acordar, escutava os pregões cantadinhos (“Quem compra as frescas pescadas?”; “Os fresquinhos linguados”; “Menina anda cá abaixo”). Isto foi uma realidade que todavia existe mas em menor escala, eu tenho uma composição musical baseada no típico canto do afilador, que de vez em quando aparece pela minha rua para arranjar os guarda-chuvas, e sempre com sua típica música.

Tudo isto põe em evidência que esta variedade de cantos espontâneos e costumes utilizados nestes trabalhos ambulantes, foram fonte de inspiração e criatividade para a origem de fados e canções.
Sempre que falamos de Fado Tradicional há que ter em conta, que falamos de fados com estrofes (quadras, quintilhas, sextilhas, etc), Fado Estrófico e sem refrão.
Tem existido uma certa crítica, muitas vezes sem argumentação básica, onde alguns falavam e falam, que a musica de Fado Tradicional é toda igual, é pesarosa e aborrecida, tristonha, e outros que é belíssima. Musicalmente não perde a identidade, pode transformar-se conforme o poema, e quando tem uma melodia específica que a identifica das outras, simplesmente há que utilizar as regras e metodologias certas quando se estiliza, sem deformar a linha melódica do respectivo fado.

O Fado Tradicional é uma canção urbana que cumpre os requisitos musicais, estabelecidos por toda a Europa, no sentido da tonalidade e normas harmónicas, nada é por acaso, nada é inventado, tudo tem a sua lógica, com a única diferença que a sua música tem um estilo próprio baseado na cultura portuguesa. O professor Ernesto Vieira, em seu dicionário musical, nos fala da estrutura do Fado como melodia: “É um período de 8 compassos de 2/4 dividido em dois membros iguais e simétricos de dois desenhos cada um, de preferência em Modo Menor, embora muitas vezes passe para o Maior com a mesma melodia ou com outra; acompanhamento de arpejo em semicolcheias feito unicamente com os acordes da tónica e da dominante, alternando de dois em dois compassos”.

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