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Os Caminhos para Divulgação e Evolução das Tradições (4.ª parte)

A compra de bens de consumo: a resolução do contrato

Os Caminhos para Divulgação e Evolução das Tradições (4.ª parte)

Escreve quem sabe

2019-12-04 às 06h00

Félix Alonso Cabrerizo Félix Alonso Cabrerizo

“Outros (Fados Castiços), sem abandonarem essa mesma base estrófica introduzem já pequenas alterações à sequência harmónica tradicional, de mera alternância entre tónica e dominante, e recorrem à subdominante.”
“Vários dos mais antigos e mais característicos destes fados «castiços» vem ainda da viragem do século e dos da Primeira República, como sucede com os Fados Carlos da Maia, (José) Lopes, João Maria dos Anjos, Franklim (Godinho) de (quadras e sextilhas) ou Pedro Rodrigues, todos eles identificados pelo nome de seus autores”.
(Rui Vieira Nery – Para Uma História do Fado –INCM– Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2012)

As palavras de Rui Vieira Nery são uma confirmação do que o Fado Tradicional o Castiço cumpre as normativas básicas e regulamentos, de utilização dos acordes de tónica e dominante, que são o fundamento e base lógica para qualquer tipo ou espécie de canção tonal.
Outra das virtudes do Fado Tradicional, resulta de como há uma grande quantidade e variedade de melodias sobre o Fado, em cada momento interpretativo – os cantores populares vão criando e inventando outras melodias novas, mas todas baseadas no molde primitivo, como muito bem comentava o Professor Ernesto Vieira.
Tudo isto nos conduz a um princípio essencial, que é, que de um Fado Tradicional, podemos criar múltiplas melodias, e muitas mais, se nós utilizarmos diferentes poemas; agora também acontece o caso curioso, que utilizando o mesmo Fado Tradicional com o mesmo poema se podem fazer muitas versões diferentes. Comentaram uma vez que Amália Rodrigues com seu célebre poema Povo que lavas no Rio (do grande poeta Pedro Homem de Melo) em Fado Vitória (de Joaquim Campos) tinha feito 250 versões diferentes.

Para concretizar estas ideias e argumentos tenho que dizer, que com o Fado Tradicional, podemos utilizar três alternativas básicas para cantar e interpretar: 1ª O mesmo poema pode ser cantado com várias músicas (Senhora do Monte de Gabriel de Oliveira, grande poeta, é cantado por Alfredo Marceneiro em Fado Senhora do Monte, de Alfredo Marceneiro) e por Carlos Ramos em Fado Carriche com música de Raul Ferrão; 2ª Uma mesma música pode ser cantada por vários poemas (Fado Pedro Rodrigues sextilhas, música de Pedro Rodrigues; Caso Arrumado, poema de Manuela de Freitas cantado por Ana Moura ou Duas Lágrimas de Orvalho de João Linhares Barbosa cantado por Carlos do Carmo; 3ª Um poema com a mesma música, Povo que lavas no Rio, de Pedro Homem de Melo, em Fado Vitória cantado por Amália Rodrigues com 250 versões diferentes.
Que devemos fazer quando queremos aprender um fado novo que não esteja no nosso repertório? 1º Nunca nos devemos guiar por uma versão, o importante é analisar e estudar diferentes versões cantadas por diversos fadistas, que respeitem a verdadeira melodia do respetivo Fado Tradicional que era uma prática muito normal nos fadistas da Velha Guarda; 2º Evitar o mais possível as imitações, o importante é que o fadista crie o seu próprio estilo com poemas novos, que nunca se tenham cantado no respetivo Fado Tradicional. ?

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