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Os Caminhos para Divulgação e Evolução das Tradições (6.ª parte)

Inteligência emocional

Os Caminhos para Divulgação e Evolução das Tradições (6.ª parte)

Ideias

2020-02-19 às 06h00

Félix Alonso Cabrerizo Félix Alonso Cabrerizo

“O Fado é muito rico, porque, dentro de sua aparente pobreza, tem o improviso, e depois tem… canta-se em quadras, em quintilhas, em sextilhas, em décimas, por aí fora. E todas as formas de trovar da época dos provençais, trovadores provençais, a chanson, o sirvinte, a Cantiga de Amigo, a Cantiga de Amor, a Cantiga de Escárnio e Maldizer, os contenços, torneios, realmente tudo isso, nós vamos encontrar hoje no fado oitocentos e tal anos depois. O fado corrido, o fado jocoso, as desgarradas, os fados em louvor de… Tudo isso, que eram as formas trovadorescas se encontram no Fado. E só no Fado.” Don Vicente da Câmara em Fado Falado, Baptista-Bastos, Ediclube, 1999.
Estas palavras do Fadista Don Vicente da Câmara nos levam a discernir que o Fado é a única expressão musical onde se encontram mais de oitocentos anos de história, as diversas formas de trova das épocas, o que quer dizer, que o Fado reúne todos os requisitos que homologam o direito para ser a canção nacional, mais relevante e abrangente.
Don Vicente também comenta “que quando o Fado nasceu, em resumo, em Lisboa ou nos portos de mar, trazido, provavelmente, pelos marinheiros torna-viagem, e o Corrido, o Menor e o Mouraria. São os três estilos, muito simples, primeiro e segundo, só, e insiste que o importante é o «improviso», «o problema é que, aparece o Fado Estilizado, já é o… o Mouraria da Amália, ou Mouraria da Maria Teresa de Noronha ou Mouraria da Ercília Costa. Elas cantaram daquela maneira, grava- ram e depois as meninas todas cantam igual. E naquele tom, que já não podem cantar noutro.» Todo este processo que fala D. Vicente nos leva a que no Fado Tradicional, actualmente, perde-se toda a criatividade, é um facto muito claro; nós devemos cantar qualquer fado, primeiro no tom da nossa voz, e partindo dessa base, nós podemos conseguir estilar e o improviso… em diferentes tons. Porque o valor deste Fado, o chamado rigoroso, está em que se pode cantar em qualquer tom. E actualmente a maioria não consegue. Um bom fadista é, o que cada vez que canta está a criar uma nova versão, como fazia D. Alfredo Marceneiro.
Ruben de Carvalho, um grande estudioso do Fado Tradicional, fazia uma selecção dos 16 Fados Tradicionais que deve ter obrigatoriamente um Fadista: Fado Menor, F. Corrido, F. Mouraria, F. Alexandrinos, F. Vianinha, F. Alberto, F. Vitória, F. Carlos da Maia (sextilhas), F. Dois Tons,
F. Meia-Noite, F. Pedro Rodrigues, F. Primavera, F. Proença, F. Varela, F. Marcha de Marceneiro. É uma boa selecção.
Complementando com esta outra a riqueza de repertório é atrativa: Fado Acácio, F. Alfacinha, F. Alexandrino de Penim, F. Alvito, F. da Azenha, F. Bacalhau, F. Bailado, F. Britinho, F. Cravo, F. Marcha de Alfredo Correeiro, F. da Defesa, F. da Freira, F. João Maria dos Anjos, F. Maria Rita, F. Tango, F. Marcha Raul Pinto, F. Três Bairros, F. Esmeraldinha, F. Licas.
Agora um Fadista também tem que ter Fados Populares, mais castiços, muitos são melodicamente encantadores. Fado da Adiça, F. Bailarico, F. Blanc, F. Carlos da Maia (quadras), F. Franklin (quadras), F. da Idanha, F. Isabel, F. João, F. Marcha José Marques de Amaral, F. Lopes, F. Magala, F. Pechincha, F. Puxavante, F. Vadio, F. Tradição, F. Santa Luzia, F. Triplicado, F. Cigano, F. Georgina, F. Carriche.
Estão os Fados de Culto, cantados por um grupo selecto de fadistas: Fado Balada, F. Camélia, F. Cruz de Guerra, F. Estela, F. Foi de Loucura em Loucura, F. Maria Marques, F. Mocita dos Caracóis, F. Natália, F. Odeon, F. Pagem, F. Porto, F. Poema Bendito, F. Pierrot, F. Portugal, F. Sabrosa (sextilhas), F. São Romão, F. Viela, F. Zeca.
Obviamente que aqui não estão todos os fados que se cantam na actualidade, há muitos mais. Eu pessoalmente tenho um estudo de 240 fados para serem cantados.

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