Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Os cafés emblemáticos de Braga

Diplomas em tempo de 130.º aniversário

Ideias

2014-03-31 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes

No sábado passado o café “A Brasileira” celebrou o seu 107.º aniversário. Ao longo de todo o dia vários momentos musicais deram ainda mais vida a um dos cafés mais emblemáticos e antigos de Braga.
Tal como nas grandes cidades portuguesas, em Braga existiram (e ainda existem) alguns cafés que se tornaram verdadeiras referências da cidade. Para não ser exaustivo, vou apenas recordar quatro dos mais emblemáticos.

O “Café Vianna”, inaugurado em 1871 e localizado no edifício da Arcada, bem no centro da cidade, é um dos mais antigos cafés de Braga e até do país. Quando algumas personalidades nacionais e até internacionais visitavam Braga, não dispensavam uma passagem pelo “Café Vianna” para aí tomarem o seu indispensável café. Vários jornalistas, políticos e escritores portugueses fizeram visitas e referências a este café, nomeadamente Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco.

O segundo café mais antigo é “A Brasileira”. Situado no Largo Barão de S. Martinho, foi inaugurado a 17 de Março de 1907, tendo sido o seu proprietário Adolfo de Azevedo, um homem de negócios do Porto e também vice-cônsul do Brasil em Braga.
No dia 21 de Junho de 1930 foi inaugurada “A Nova Brazileira”. Este estabelecimento ficou a dever-se a José Cerqueira Gomes, ao consagrado arquitecto portuense Manuel Marques, e aos irmãos e decoradores Soares Barbosa, muito conhecidos pelas suas excelentes obras na área do mobiliário.
“A Brasileira” e “A Nova Brasileira”, separadas por poucos metros, foram, durante décadas, locais de acaloradas análises políticas e sociais, cuja frequência era ideologicamente bem vincada.

No dia 15 de Julho de 1928 foi inaugurado outro dos mais notáveis cafés de Braga: o “Café e Restaurante Astória”. Situado ao lado do “Café Vianna”, no edifício da Arcada, este café encantou os bracarenses pela qualidade e beleza das suas instalações.
O seu proprietário, Francisco Garrido Monteiro, colocou ao dispor dos clientes um estabelecimento onde o mármore colorido se destacou. Para o jornal “Diário do Minho” (de 15 de Julho de 1928), o “Astória” apresentava-se como “um estabelecimento chic, recomendado aos mais exigentes, aos que procuram, no conforto, uma justificação ao gasto do seu dinheiro”.

No restaurante, no salão de café e na sala de bilhares, tudo foi construído com requinte e beleza, destacando-se a arte dos cristais dos espelhos que foram colocados no café “Astória”.
Por fim, quero destacar aqui o último e emblemático café bracarense: “O Nosso Café”.
Inaugurado a 15 de Fevereiro de 1951 e situado no início da Avenida da Liberdade, “O Nosso Café” criou, desde o início da sua construção, enorme espectativa aos bracarenses, de tal forma que diariamente muitos assistiam à execução dos trabalhos de construção.

“O Nosso Café”, uma obra da autoria do arquitecto bracarense Oldemiro Carneiro, causou inclusive dúvidas aos bracarenses, relativas à sua concretização, tal era a grandeza e a opulência deste edifício.
Na inauguração deste café, marcaram presença as mais destacadas figuras de Braga, desde o presidente da Câmara Municipal de Braga (António Santos da Cunha) ao presidente da Junta de Província do Minho, comandante da Polícia, directores dos estabelecimentos de ensino, representantes políticos e ainda representantes da indústria e comércio de Braga.

O conselho de administração de “O Nosso Café” era formado por Viriato da Cruz Carneiro, Nuno de Sousa Palha, António de Oliveira Vieira e Adão Pereira Lopes.
Este estabelecimento, marcado no seu interior pelos excelentes espelhos, cores e luzes, tinha bar, uma secção de chá e pastelaria, um amplo salão de café e, inclusive uma tabacaria e uma barbearia. No segundo andar estava um imponente salão de festas, que impressionava todos os que o visitavam.

À noite, as portas de “O Nosso Café” foram abertas ao público, que até de madrugada se maravilharam com a beleza de um dos mais modernos estabelecimentos comerciais do país.
Dos quatro cafés emblemáticos de Braga aqui referidos, “O Nosso Café”, único que teve um conselho de administração, foi também o último a ser construído e o primeiro a ser encerrado. Já em relação aos três restantes, um deles parece estar possuído por algum fenómeno estranho, pois a rapidez com que se moderniza é equivalente à rapidez com que muda de proprietário.

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