Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Os Bichos não são uma seca

O Movimento Escutista Mundial (IV)

Ideias

2018-10-14 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

«Deixem-nos trabalhar!». Exclamação pungente de Teresa Morais, e eu quase lhe sinto o sufoco da voz, e eu quase me comovo com o embargo que um Rio-Bolsonaro impõe a infatigável grupo de parlamentares.
Que a preocupação prioritária, diz Rio, não são os lugarzinhos de partido, os tachinhos, que se arranjam e distribuem por reconhecimento de fidelidades caninas, como sabemos, mas o País no seu todo. Como igual soa ao «que se lixem as eleições» do Coelho!
Rio não quer um partido, quer uma corte, não procura rasgo, mas adulação. Igualzinho a Montenegro, se calhar, a um Soares que só a por falha gravosa de autocrítica se imaginou talhado para a função de líder de bancada, e do que viesse por acréscimo, posteriormente, em maré vitoriosa, por desgaste socialista. Talvez a Teresa Morais tenha um bocadito mais de qualidade, e por isso elevada a porta-voz de uma contestação a vaidades de líder de baixa substância e pele fina. Que entregasse o cartão, dizia o Rio há semanas, aquele que não concordasse com a sua estratégia. Mas que bela certidão de pluralismo. Um destes dias lhe dirão, em resposta, para que bata ele a porta, se para ninguém fala. É triste, na realidade, ver o Negrão a fugir a touro moreno, que a ele resumida a trupe dos forcados do Aposento de S. Caetano. Nem de cernelha!
O Montijo é uma Jerusalém, e os defensores do novo aeroporto de Lisboa seus fidelíssimos cruzados. A maqueta do projecto é lindíssima, mas a pardelhada é um sarilho. Parece que serão precisas contramedidas para meter o passaredo na ordem, e eu assim penso: e por que é que não lhes movem uma acção de despejo? Não terá a bicharada mais do que esgotado o aluguer? Terão contracto? E passado por quem? Notifiquem-nos, dêem-lhes seis meses para deduzir contestação, para apresentar título de propriedade, e chutem-nos para o estuário do Sado… Ai! Espera, só se for para acompanhar a imigração dos golfinhos. – Xô, bicheza, andor, que se faz horas para que deixeis a zona de conforto. E não queremos cá pieguices. Não queremos entraves ao desenvolvimento. Precisamos, isso sim, de turistas, e os turistas arribam para ver outros turistas, para comer sardinas e bacalau, e aprender umas palavrinhas avulsas de português, por exotismo.
Arrufos de lado, parece que o PS se volta para os arqui-inimigos da direita, por uns benefícios fiscais que há que aprovar para favorecer a explosão do mercado de arrendamento. A CDU e o BE não vão na corda do Costa, ou de quem ele comandou para tocar o assunto. A CDU e o BE preconizam medidas populares, mas o PS é um partido burguês, e que bem me soube recuperar o fraseado. Quantas asneiras não se disseram dos programas de habitação social lançados por autarquias e/ou departamentos centrais! Quanto não se colou a degradação do edificado à natureza das soluções, iludindo a nulidade do urbanismo, mascarando a marginalização entranhada de parte significativa dos alojados! Portugal é um país de pobres, e é tão triste legislar para pobres e remediados.
Tancos! Santo Deus! Em êxtase religioso, dizia uma radio-ouvinte que o assunto era um embuste para entalar o Governo. Eu sei que não é para levar a sério, e que cada cidadão tem o direito de embarcar nas lengalengas autojustificativas que entender. Custa, porém, que um primeiro-ministro caia no primitivismo argumentativo. Rebate, Costa, o avanço da oposição, acusa-a de politização das FA. Argumento que cheira a PREC. Quantas histórias não vimos já de pastas de chocolate roubadas que vão a julgamento! E não foi o João Soares dispensado de funções ministeriais por menos? Demite-se, o Azeredo. Deus lhe fale na alma. Resta saber até que ponto perdeu Costa o pé.
Nem tudo são bichos, nesta crónica. Mas com os animalejos bem nos damos, e que São Francisco de Assis lhes valha.

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