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Os Adultos1no Escutismo, segundo Baden-Powell (I)

Nelinha

Os Adultos1no Escutismo, segundo Baden-Powell (I)

Escreve quem sabe

2019-05-17 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

«O Chefe diz ao rapaz como pode fazer-se escuteiro e ampara-o no caminho para a meta»
Baden-Powell, Escutismo para
Rapazes, Lisboa 2007, p.39

Ofundador do escutismo escreveu um livro para cada uma das Seções escutistas: em 1908 lança o livro fundador “Escutismo para Rapazes”, destinado aos adolescentes2, depois, em 1916, edita o “Manual do Lobito” destinado às crianças e, em 1922, o “A Caminho do Triunfo” destinado aos jovens adultos (como hoje identificamos a faixa etária dos 18 aos 22 anos), entretanto, em 1919 publicara o livro “Auxiliar do Chefe Escuta” destinado aos adultos, hoje podemos dizer, com muita propriedade, que este é o primeiro manual de formação de dirigentes.
É sobretudo neste último que vamos beber o espaço que B.-P. reservou para os adultos, no seu movimento.
Hoje, neste primeiro texto, vamos deixar que o leitor descubra a intencionalidade que Baden-Powell apresenta neste seu livro para os dirigentes do escutismo, a partir do preâmbulo que ele próprio redigiu3:
«Não vos assusteis com a extensão deste livro.4
O Escutismo não é uma ciência abstrata ou difícil. É antes de mais um jogo divertido, se o encaramos como deve ser. Ao mesmo tempo é educativo, e, “como o perdão, tende a beneficiar tanto quem o concede como quem o recebe”5
O termo “Escutismo” acabou por significar um sistema de preparação para a cidadania, por meio de jogos, para rapazes e raparigas.
As raparigas são o que mais importa, porque quando as mães da nação são boas cidadãs e mulheres de caráter, hão-de procurar que os filhos não claudiquem nestes pontos. Na situação atual, a preparação é precisa para ambos os sexos, e é transmitida palas associações de Escutas e Guias (Escuteiras). Os princípios são os mesmos para ambos, só diferem nos pormenores.
A. S. M. Hutchinson6 em uma das suas novelas sugere, “que o que a juventude precisa, é ambiente apropriado”. Pois bem, nós temos no Escutismo e no Guidismo um ambiente a dar-lhe. É o ambiente que Deus criou para toda a gente: ar livre, felicidade e utilidade.
Efetivamente, o Chefe Escuta ao introduzir nele o rapaz, participa incidentalmente daquela mesma felicidade e utilidade. Encontra-se a fazer obra maior do que possivelmente previra, ao assumir a função, pois está a prestar um Serviço valioso para a humanidade e para Deus.
Este livro será para vós uma desilusão, se esperais encontrar nele uma série determinada de alpondras para vosso completo esclarecimento.
Eu apenas me proponho indicar, como sugestão, a orientação que achámos mais proveitosa, e as razões desse resultado.
As sugestões executam-se com tanto melhor vontade, quanto melhor compreende o seu objetivo aquele que as executa.
Portanto, a maior parte destas páginas ocupar-se-á dos objetivos dos escalões mais do que dos pormenores dos próprios escalões. Estes podem ser completados pelo aprendiz conforme o seu próprio engenho e de harmonia com as condições locais em que trabalha.
Baden-Powell of Gilwell»
A visão aberta e o pensamento divergente aqui expressos pelo fundador do escutismo, aliados à utilização inovadora do jogo como estratégia educativa, e ao lugar de igualdade em que situa rapazes e raparigas na educação escutista, fazem dele um percussor nas pedagogias ativas da “Escola Nova” que ainda hoje não têm a sua total realização nos sistemas educativos nacionais. Talvez este seja o segredo da recriação permanente do Escutismo, ou, se preferirmos, da Educação Cívica pela Vida ao Ar Livre.
1O Fundador não usava esta expressão, mas sim “chefe” ou “chefe escuta”.
2Em Portugal temos hoje duas Secções para esta faixa etária, os Exploradores e os Pioneiros.
3Utilizamos o texto da primeira edição do “Auxiliar do Chefe Escuta”.
4Este livro tem apenas 102 páginas e o “Escutismo para Rapazes” (edição de 2007) tem 342.
5Referência a “Mercador de Veneza” de William Shakespeare.
6Arthur Stuart-Menteth Hutchinson, novelista, nasceu a 2 de junho de 1879, na Índia e faleceu em Inglaterra no dia 14 de março de 1971.

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