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Os acossados

A tempestade perfeita!

Os acossados

Escreve quem sabe

2021-10-17 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

A par de estudo francês já aludido, da Coreia chega notícia de que os homens na casa dos vinte e poucos, trinta e muitos, penam no limiar da explosão. Sentir-se-ão discriminados, subalternizados face às mulheres, não porque elas os espezinhem, mas pela simples razão de que encontrem sempre quem as oiça e queixas valide, sendo que a eles só um muro os atenderá. Que singram elas mais depressa, diz o ego adâmico ferido, beneficiando de isenção do serviço militar, que para eles é obrigatório, e logo de ano e meio, lapso para uma especialização ou formação avançada. E vaga suprida.
Menoridade masculina que até um símbolo tem, esse, intuitivo, de pequena pinça formada pelo polegar e indicador. Homens emasculados, homens que não conseguem encontrar forma de crescer de acordo com as expectativas inscritas em manual não reformado, porque se a menos ascendem, o mesmo de outrora lhes é pedido por código de honra. Tradições!

Homens que não se ajustam à ideia mimosa do “homem reconstruído”, do homem amassado de novo, reenformado e posto a forno, de onde sai sub-mulher, relegados eles agora a funcionalidade espúria, qual a reprodução.
Do drama algures vivido à caricatura de um super-ser topa-a-tudo, herói clonado com X-frágil para validação de princípio batido, o da nódoa que a bom pano vai. A sexualidade acima do que justifica, como inquietação que carece de sublimação em praça pública. E que dizer do paradoxo da sexualização galopante em fundo da dissolução dos marcadores distintivos dos sexos?
Quanto alienígena de incógnita ou nula sexualidade respondesse ao imperativo de um poder supremo, à hegemonia em devir de grande américa diante de mundos ultraperiféricos, de súbditos pasmados e aquiescentes, a que aspiração compensatória de imponência corresponde a figura ziguezague do júnior? Será só golpe comercial? Será só sociedade de consumo?
Com que nos entretemos nós? Com o perpetuar de restrições que a nada reduzam um quase nada, como se esse fora o único espinho em ferida narcísica aberta, ente mortal que a imortalidade visa, estado perpétuo que vírus chino trespassa? De que morríamos nós três anos para trás?

Com que nos entretemos nós para que tão abúlicos aceitemos a epidemia pandémica dos combustíveis? Que tapulho nos metem diante da boca para que só em surdina descosamos políticos e políticas, nacionais e estrangeiras? Como é que se chega aqui e a justificação impo- tente, seja de que são os mercados, a retoma, a chuva, o calor ou o vento, a rússia, por fim, que especula com o gás por desforra de desavenças com a europa?
E se a carestia dos combustíveis derivar de decisões arbitrárias, como a de cortar a eito com carvões e petróleo em nome de futuros risonhos de neutralidade carbónica? Desejável, sem dúvida, mas nunca a expensas do que haja que sofrer em caminho. Quão perto nos pomos de futuros radiosos, como os que se instilavam nos tempos do socialismo extinto, ou no tempo caduco das religiões salvíficas, do sofrer aqui, para viver em graça além?
E se a alta irrefreável dos combustíveis, da energia no seu todo, tiver a ver com o caos na líbia, na síria, no iraque, com tricas e demonizações fossilizadas, em respeito das quais nem a porcaria da vacina russa encontra acolhimento, embora das que cá se gastam também já tenha havido lotes dados a perder, por falhas de produção?
Passam os dias e mais nítido se me afigura o quadro: nós, parados, às escuras, de prato vazio e enregelados. Será uma nova era glacial, ou uma nova idade média, dita das trevas em inglês corrente.

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