Correio do Minho

Braga, terça-feira

Os 10 sucessos da União Europeia

Dar banho às virgens

Ideias

2010-11-06 às 06h00

Paulo Monteiro

Muito se tem falado na União Europeia nos últimos tempos. Das directrizes que são traçadas para cada um dos 27 países que dela fazem parte e dos objectivos que cada um tem que atingir em termos de economia.

Bem sabemos, igualmente, que nem todos estão de acordo com as novas regras, nomeadamente com o aumento das verbas do orçamento da própria União. O exemplo da Inglaterra e das palavras do primeiro-ministro britânico David Cameron são bem elucidativas disso mesmo: estamos a fazer grandes restrições no nosso próprio orçamento, com os maiores cortes nas despesas de que há memória… por isso a União também o terá de fazer.

Mas esta ‘guerra’ de orçamento fica para uma próxima oportunidade, já que de orçamentos, nomeadamente dos internos, estamos nós fartos, e o ‘nosso’ foi aprovado na generalidade ainda esta semana por isso encheu páginas e páginas de jornais.

Desta forma será melhor falar do que há - e ainda há muito - de positivo na nossa União Europeia.
A representação em Portugal na Comissão Europeia lançou uma brochura intitulada ’10 sucessos que partilhamos na União Europeia. Sucessos que, queiram alguns mais euro sépticos, ou não, nos trazem mais qualidade de vida, novas perspectivas em relação ao futuro e novos caminhos para um melhor sucesso.

- Cidadania: as pessoas primeiro
- Mercado Europeu: livre circulação, segurança e protecção do consumidor
- Europa sem fronteiras: viajar livremente no território europeu
- Direitos dos trabalhadores: mobilidade, igualdade, segurança
- O Euro, moeda única europeia
- Ambiente, alterações climáticas e energia, prioridades europeias
- A cooperação europeia na educação e na cultura
- Política de coesão pela solidariedade
- Inovação e I&D para a competitividade das empresas e da economia
- As relações externas a União Europeia.

Estes são os 10 sucessos que partilhamos….
E, não há dúvida nenhuma, de que em muitos anos de história, Portugal tem beneficiado com a entrada no grande grupo europeu.
É evidente que muito teríamos para escrever sobre estes 10 sucesso. Mas são sucessos que unem os europeus e que nos dão mais direitos e mais regalias, sem esquecer, claro está, mais deveres. Os deveres de união…

Mas merecem a pena ser relembrados alguns pontos importantes nesta Europa de agora, sem fronteiras, onde, por exemplo, podemos viajar livremente… Onde temos saúde em viagem, com a criação, em 2004 do Cartão Europeu de Seguro de Doença, que cada um de nós o pode pedir, gratuitamente, e nos facilita o acesso a cuidados de saúde noutro país da UE.

E depois temos a nossa moeda. O Euro, onde quer queiramos, quer não… é mais fácil comprar mais barato (há uma maior transparência no mercado europeu), os preços estão mais estáveis (com a descida da inflação para um nível baixo e estável; recorde-se que a taxa de inflação em Portugal, por exemplo, em 1986, situava-se nos 11,7% e agora têm-se mantido em termos médios nos 2%), os empréstimos são mais baratos (cerca de 16% de juros em 1986, agora a rondar os 5%) e depois, o Pacto de Estabilidade e Crescimento que tem como função estabelecer regras destinadas a manter os orçamentos nacionais dos países da zona euro numa situação saudável.

Por isso mesmo é que a regras agora são cada vez mais apertadas, para bem de todos… isto é; não podemos gastar mais do que aquilo que temos (e aqui entra o nosso exemplo que andamos a gastar demais e agora temos, cada vez mais que apertar o cinto com medidas mais duras).
Mas… a questão do Euro ser a nossa moeda só acaba por nos trazer vantagens por aquilo que foi acima enumerado. Caso contrário, nunca o escudo conseguiria fazer tantos ‘milagres’. Daí o Euro ser um sucesso da União como um nosso sucesso…

Mas há muito mais…
O que não se tem feito ao nível das alterações climáticas, da protecção do ambiente, da política energéticas. Será que não evoluímos? Claro que sim, e muito, com a ajuda da União.
E a cooperação europeia na educação e na cultura? A evolução tem sido enorme. Por exemplo, desde a criação, há 20 anos, do programa Erasmus já cerca de 50 mil alunos portugueses beneficiaram desta oportunidade. Passaram de 25 alunos em 1987 para quase cinco mil em 2008.
São tantos os exemplos positivos e de que temos beneficiado e que nos devemos orgulhar por pertencer a esta União dos 27…

E para terminar só alguns números para reflectirmos:
500.000.000 de euros, o montante anual ao dispor do Fundo de Ajustamento à Globalização, para apoio aos trabalhadores desempregados em resultado da liberalização do comércio mundial;
99% das empresas europeias são PME’s;
90.000.000 de euros é o valor atribuído pela UE no apoio à distribuição de fruta nas escolas;
50% foi o aumento de produção de energias renováveis na EU entre 1997 e 2007…

E agora estamos todos unidos em esforços para recuperar a crise. Na criação de mais empregos, de maior e melhor progresso e de um melhor futuro… O mote voltou a ser dado esta semana por Dominique Strauss-Kahn, director-geral do Fundo Monetário Internacional ao apresentar um novo modelo para evitar uma nova derrocada económica mundial. As palavras são simples: “crescimento económico não é suficiente, precisamos de crescimento com criação de emprego. E emprego não é suficiente, tem de ser emprego decente, de modo que todos beneficiem da maré”.

Emprego que tem sido uma das grandes preocupação da União Europeia que, a meado do mês passado aprovou no Luxemburgo directrizes para o emprego e o crescimento económico, com o objectivo de dar trabalho a 75 por cento da população entre 20 e 65 anos até daqui a dez anos, em 2020.

Assim , pelas palavras de FMI e UE é claro que todos temos de remar sempre para o mesmo lado e unidos.
Em tempo de más notícias, também nos temos que lembrar das boas que existem para nos darem outro ânimo e seguirmos em frente, sempre no bom caminho.
No entanto, é bom relembrar, como lembrou David Cameron, que todos têm de poupar. E, aqui, a União também tem que dar o exemplo…
Um bom fim-de-semana!


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