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Braga, sábado

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Onde está a Confiança?

Norte sobe no Ranking Regional de Inovação

Escreve quem sabe

2017-02-07 às 06h00

Margarida Pereira Margarida Pereira

Fundada em 1894, a Saboaria e Perfumaria Confiança é o único edifício da “Era da Industrialização” da cidade que chega até nós, sobrevivendo às mais diversas controvérsias que recentemente assombram a vida daquela fábrica. Hoje, com 122 anos de existência, o imponente imóvel volta a ver o seu futuro hipotecado.

Muito se tem falado acerca de uma nova venda do imóvel que foi, outrora, a famosa fábrica Confiança. Falamos numa nova venda, pois há cerca de cinco anos atrás, a compra do edifício da fábrica era um assunto na ordem do dia da Câmara Municipal de Braga. Muito se debateu sobre a aquisição deste imóvel, muitas vozes se ouviram, algumas a favor da apropriação do edifício por parte da Câmara, outras, um pouco mais desconfiadas, pois era já um imóvel muito danificado e a precisar de sérios investimentos.

Contudo, pensando na salvaguarda do único símbolo existente da indústria bracarense, a Câmara Municipal optou por realizar o investimento e adquirir a fábrica. Será então correto privatizar um imóvel que tão dificilmente chegou à esfera municipal?
Aquando a aquisição da fábrica, a Câmara de Braga lançou um concurso de ideias, desafiando todos os bracarenses a reflectirem sobre as diversas utilidades possíveis do edifício. O concurso foi um sucesso, pois chegaram ao município cerca de 80 projetos, dos quais 4 foram finalistas e apresentados à comunidade.

Mas o que foi feito desses projetos? Realizou-se um concurso de ideias que nunca se colocou em prática, e que não se ambiciona realizar?
Não nos parece sensato realizar um concurso de ideias que vai sendo esquecido ao longo dos anos, afinal houve não só um investimento monetário, atribuindo prémios ao concurso, mas também um investimento intelectual daqueles que ousaram projectar uma parte do futuro da cidade e que veem agora o seu trabalho desvalorizado.

Na opinião da JovemCoop, a cidade devia ambicionar mais do edifício que faz a ligação do centro histórico com a cidade académica, não só pela sua localização, mas também pelo seu espectro de larga índole. É certo que Braga tem já uma vasta iniciativa cultural, mas consolidado que está o calendário de eventos, torna-se necessário criar bases para acolher novas dimensões culturais, projetando o futuro à escala contemporânea. A Fábrica Confiança poderia assim albergar a Casa das Artes de Braga, colmatando assim uma falha da vida cultural da cidade. Afinal, as paredes da Saboaria e Perfumaria Confiança sustentam já 122 anos de história que pertencem a todos os bracarenses, principalmente àqueles que trabalharam na fábrica, quer na confecção dos sabonetes, quer nos laboratórios dos perfumes que saíam da Rua Nova de Santa Cruz directamente para o mundo.

Reconhecemos que para qualquer projeto é necessário haver disponibilidade financeira, contudo, caso estes recursos não estejam disponíveis todos de uma só vez, o desafio pode passar por alocar as verbas disponíveis no orçamento municipal e ir requalificando por alas ou por etapas. O que não aceitamos é que não haja a vontade, nem a ousadia, de pensar mais, de querer mais para o que resta da indústria bracarense.
Vamos vender uma parte da história da cidade, em pleno século XXI, num século onde se fala em preservar, restaurar e onde se condenam atitudes antigas que no fundo serão semelhantes?
Está na hora de reflectir antes de tomar atitudes, está na hora de pensar no futuro da cidade e de perceber se as prioridades estão realmente estabelecidas.

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