Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Oh Relvas, oh Relvas… trapalhada à vista

‘O que a Europa faz por si’

Ideias Políticas

2012-05-29 às 06h00

Pedro Sousa

Nestas últimas duas semanas, têm vindo a público várias informações sobre um caso que tem abalado a qualidade e a credibilidade da nossa Democracia. Estou-me a referir, como é óbvio, ao ‘Caso das Secretas’.

Para os leitores menos atentos e que estão pouco a par da situação importa fazer alguns esclarecimentos prévios: Jorge Silva Carvalho, enquanto administrador da Ongoing, empresa privada que detém o Diário Económico, serviu-se dos seus contactos e da sua influência dentro das secretas, enquanto ex-director dos Serviços de Informações Estratégicas de Defesa, para obter informações secretas estatais sobre indivíduos ligados a cargos de administração de empresas ou grupos económicos concorrentes à Ongoing, nomeadamente o Grupo Impresa de Francisco Pinto Balsemão, que detém o Expresso (jornal que trouxe a público o ‘Caso das Secretas’) cuja vida profissional e privada foi investigada.

No entanto, de forma a piorar ainda mais esta situação, crê-se que também o poder político, na figura do Ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, andou de mãos dadas com esta teia de abuso de poder e tráfico de influências, como demonstra um conjunto de SMS's trocados entre o Ministro e José da Silva Carvalho, onde numa delas José da Silva Carvalho, após a vitória do PSD nas legislativas, chega mesmo a indicar nomes para ocupar os cargos de chefia das secretas.

Embora Miguel Relvas tenha dito na Assembleia da República de que não tem qualquer relação de proximidade com José da Silva Carvalho, a verdade é que numa das SMS's se tratam por “tu” e chegaram mesmo a estar lado a lado num jantar, em Agosto de 2011. Quanto a isto, penso que é do senso comum que quando duas pessoas se tratam por “tu” é porque têm um certo nível de confiança e uma relação de proximidade, a não ser que, tanto o Ministro Relvas como José da Silva Carvalho, por momentos, pensassem que estaríamos todos no Brasil, país no qual as pessoas se tratam por “tu” em relações informais.

O que é certo é que este caso levou já à demissão do adjunto de Miguel Relvas, por ter ficado provada uma troca de SMS's entre o adjunto e o ex-director das secretas em que o primeiro se serviu de contactos privilegiados na imprensa para congelar e fazer avançar notícias a pedido do segundo.

Acresce a toda esta história recambolesca o facto de estarem envolvidas neste caso pessoas que ocupam ou já ocuparam cargos importantes na estrutura do Estado, entre elas o Ministro Miguel Relvas, que está à frente de pastas como a da Comunicação Social, que, segundo o Público, usou o seu poder para condicionar a acção da jornalista responsável pelo ‘Caso das Secretas’ nesse jornal, recorrendo, para tal, à Entidade Reguladora para a Comunicação Social, entidade, essa, cuja autoridade e competência o próprio Miguel Relvas pôs em causa há uns anos atrás, talvez porque não quisesse que esta regulasse mas, sim, que reprimisse.

Perante estes factos, deixar um conselho ao Sr. Ministro Miguel Relvas: demita-se.
A sua imagem está, já hoje, demasiado desgastada para que possa continuar a exercer as suas funções sem que, com isso, enlameie, também, a imagem do Governo. Os Portugueses, enquanto sociedade civil, bem como, todas as instituições competentes pela averiguação, não devem, pois, deixar morrer este caso e tudo devem fazer para que sejam apurados e revelados todos os factos pois está em causa a credibilidade da Democracia e do Estado de Direito na exacta medida em que ao ficar provado que a Ongoing se serviu dos seus contactos privilegiados no seio das secretas para se comportar como uma verdadeira PIDE, fica também provado que privacidade e a intimidade da vida privada de qualquer português pode facilmente ser violada e cair nas mãos de pessoas com interesses obscuros.

Por estarmos perante uma das novas formas de ataque à Liberdade é importante que este caso não morra sem culpados, nem consequências.

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